A Curva - Por Maria Dilmar

A Curva - Por Maria Dilmar

Não tenho medo da noite nem do silêncio. Assustam-me os pensamentos. São tantos! Ficam a me dizer coisas, a contar histórias e a falar de lugares e fatos que nunca vi. Te quero aqui para que me escutes. Para me abraçar com força e me manter assim aquecida, sem falar uma única palavra. Sempre foste caladão, mas muito preciso em atitudes.

Estas estrelas! Por que estão mais brilhantes hoje? Será que pressentem a minha angústia e minha inconformada dor? Minha alma abarrotada de lembranças tuas e todo o meu eu vulcânico em ebulição? Tínhamos tantos planos!

Tua calma em alguns momentos me incomodava,  principalmente quando vinha acompanhada daquele sorriso. Era a certeza de desmontar minha raiva e desandarmos a rir.

A primeira vez que nos vimos foi naquele supermercado e depois naquela farmácia quando eu discutia com o atendente pela demora em trazer meu pedido. Quando te vi tratei de me justificar e logo te fizeste meu aliado e dalí fomos tomar café.

O destino fez a parte dele e nós a nossa. Hoje desesperadamente preciso falar sobre isso e sobre nós. De como estou me sentindo agora sobre esta montanha de emoções e esta solidão contrariada e involuntária. Te deste a mim. Eras todo meu e eu tinha um orgulho egoísta de falar do teu amor dos teus abraços e da tua voz motejadora ao meu ouvido. Quero falar tudo, mas palavras se atropelam querendo sair todas de uma vez me perdendo em escolhas e em nexo.

Esta dor é “estilhaçadora”! Tem mil pedaços de mim sendo arrastados por esta noite na direção de coisa alguma. Tenho a nítida impressão de que te escuto. É tua voz sim, chamando-me e perguntando onde está a chave do carro. Nunca sabias onde estava o que querias e nunca as achava.

Eu tinha que ir ao teu encontro. Acho que era a maneira que encontravas de me ter por perto sempre.

Confortaram-me os amigos. Encheram-me de carinhos e belas palavras. E aqui agora me rebelo em prantos. Quem foi que disse que quero aprender sobre dor, sobre aceitação da tua ausência neste momento? Quero sim teu sorriso para aquietar minha pobre vida agora sem sentido. Tua foto está desmanchando pelas minhas lágrimas e não posso arrancá-lo para que não te molhes.

Te perdi para uma curva! Logo aquela, motivo das nossas zangas? E justamente quando eu não estava ao teu lado?  Qual é o código desta mensagem? Disseste-me um certo dia que eras meu raio de luz e que por isso minha vida vivia iluminada. Rimos em descontraídas teimas ironias e momentos amorosos. Dizias-te meu vassalo a satisfazer os meus desejos e caprichos. Por que não o fazes agora?
Reapareces em grande estilo como um cavaleiro alado e me reverencias! Diz, por favor, que tudo foi só uma brincadeira!

 

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