A energia, a Roda, e a Conta - por Wilson Rodrigues Sylvah

A energia, a Roda, e a Conta - por Wilson Rodrigues Sylvah

“A energia, a Roda, e a Conta”.

 

Não se tratava de um belo repente, mas digo a você que nas mãos de bons repentistas, cantada em forma de cordel ou prosa, causo ou conto, ficaria assim essa crônica. Esses dois elementos, seriam ingredientes de tamanha beleza poética, e confusão, acredito. Andava eu pelas beiras do velho Chico, que rasga os solos dos maravilhosos estados do nordeste, entre os estados que teve a presença do mais famoso cangaceiro do Brasil e sua valente companheira, Sergipe e Alagoas, considerados entre os menores estados da nossa federação, entretanto, grandes fornecedores de personagens importantes em termos de cultura, música e literatura, dentre outros. La pelas bandas de Penedo, mais conhecida como a Ouro Preto nordestina. Nas bordas do mar de água doce e cristalina, infinito e tão belo, rico e tão místico, encontro duas verdadeiras pérolas, dois sábios; Seu Pedro e Seu João, matutos de aparência, inteligentes por vocação, que dividiam comigo uma deliciosa moqueca, sem dendê e sem preconceitos. Enquanto garfavam um belo pedaço da vitima daquelas maravilhosas águas, me desafiam com uma pergunta intrigante, mas interessante. 

– Ei, você que é escritor, nos responda. Com tempo para pensar é claro. O que é mais importante! A Roda ou a energia? 

Olhei para os dois malucos que agora se entreolhavam sorridentes, dei uma golada no copo de cerveja geladinha, que desceu goela abaixo refrescante, pois além de um calor infernal, o ambiente maravilhoso merecia e eu também. Nesse momento, da viagem do copo vazio até a mesa, quem sabe dava tempo para pensar numa resposta que fosse tão inteligente quanto a daqueles distintos senhores. Resmunguei baixinho... A energia ou a Roda, a Roda ou a energia... Hum, sem pestanejar retruquei. - E porventura os senhores sabem? 

Era como se eles já estivessem esperando a volta! Ajeitam-se na cadeira, também dão uma lapada num copo de cachaça pitu, famosa naquela região, aproveitando o momento de descontração, lavam o peito no copo de cerveja e iniciam um debate fantástico, parecendo assim um desafio. Só faltou a viola. Fiquei então a ouvi-los.

Seu Pedro, um pequeno Alagoano, então orgulhoso, fala com empolgação:

- A Roda meu amigo! Veja você mesmo, esse relógio! Retirando de seu braço esquerdo, uma relíquia banhada em puríssimo ouro. - Herança de meu avô! Exclama sorrindo - Quantas esferas possui? De que vale a energia sem a roda? Esse relógio de nada valeria! 

Seu João, um Senhor alto e muito forte, ajeita seu chapéu de couro já bem surrado, parecia mais um touro, então emenda: - A 

energia meu velho; De nada valeria essas esferas sem a corda, que é a energia que as move, e impulsiona os ponteiros em sua complexa engrenagem! Sem a corda o tempo para! Advertiu-o.

- Não vê você meu compadre? Esse seu carro que está ai bem encostado? Veja se consegue contar quantas esferas tem dentro do motor e além do mais, como seria tamanho peso, percorrer a uma velocidade tão grande sem as rodas? Aponta seu Pedro. - Imagine então um avião, sair do chão?

- Meu caro compadre, é certo! Mas diante de tudo isso não valeria a pena, se não tiver o combustível! Ele não te levaria a lugar nenhum, a energia agora é o combustível! Sorriu seu João. 

- Vou mais além agora compadre João! Esta vendo aquela chalana lá dentro do Rio? Sem remo, ela vai descendo suave o belo Rio São Francisco, é claro, mas tem uma pequena hélice sob a mesma, e é uma roda, uma esfera, que dá a direção, tal qual o leme de um imenso navio. Apontando com o dedo indicador a nobre embarcação.

- É vero! Mas tem um enorme motor movido nada mais nada menos que com o importante Óleo diesel, fruto da energia de milhões de fosseis, que estoura em combustão. Esse combustível é sua energia mais pura meu irmão! Retruca seu João.

- Está vendo compadre? Já falou em motor, e ele tem centenas de esferas! Assim quanto seus olhos esbugalhados que estão alojados nessa enorme cabeça redonda. Soltando uma enorme gargalhada, ajeita-se na cadeira e pega mais um copo de cerveja seu Pedro.

- Sim compadre! Mas meus olhos esbugalhados, assim quantos os seus, nada enxergariam se não fosse o velho feijão tropeiro, nem nossa maravilhosa carne do sol com macaxeira, ou esse peixe maravilhoso que será pago pelo nosso amigo escritor! - Energia pura, compadre Pedro. Gargalhou seu João.

Engoli em seco, me recuperei com uma talagada de cachaça, que parecia queimar minhas entranhas, mas calado fiquei, pois pelo jeito os sabidos ali eram eles, e a conta era minha, resmunguei. A confusão estava apenas começando! Paguei para ver.

- Compadre João, essa nossa prosa vai longe: Veja você que se não fosse a Roda, o mundo ainda estaria muito atrasado, pois inventada a mais de 4.000 A.C, foi a principal tecnologia produzida para a navegação, locomoção, e aceleração do crescimento comercial e industrial do mundo, e digo mais, a roda é mais importante que a própria internet, pois vivemos sem ela por milênios! Respondeu soberbo seu Pedro.

- Que nosso bom Padre Cícero e a Virgem Maria o detenha compadre Pedro! Vai ser inteligente assim lá na casa do... chapéu! Falando nisso, lá vem o seu netinho Pedrinho, pedalando o presente que você deu a ele em seu aniversário, uma linda bicicleta. Nunca vi tanta energia assim num só moleque e arteiro que só, compadre.

O Pedrinho, moleque atrevido que só, pede ao vovô Pedro, um picolé de mangaba e já emenda uma pergunta certeira.

- Oh vovô! Ouvindo essa discussão, lembrei-me que o Senhor me disse! É verdade então que a Roda foi Criada pelo homem e a Energia foi criada por Deus? Ou seja, uma depende da outra? E saiu pedalando mais rápido que um raio e com o picolé na mão, deu uma empinada na sua mais nova maravilha, tal qual um cavalo puro sangue, sumindo beira rio. 

- Moleque sabido seu Pedro, puxou o vovô! Abrindo um largo sorriso seu João. Diante desse raciocínio, realmente, a nossa discussão termina por aqui, senhor escritor. Por falar em Energia...

- Garçom! Por gentileza, traz mais uma geladinha ai, e mais uns copos limpos e redondos, por favor. E todos brindaram a sabedoria dos matutos! Mas a conta sobrou para mim...

 

Autoria: Wilson Rodriguez Sylvah – Obras – (51 degraus para o sucesso em vendas, O Vendedor de Sonhos e Conexão 11.11 – Revelando o DNA de Deus).

 

Site do autor

http://www.wilsonsylvah.com.br/

 

 

 

 

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