A importância dos contos de fada para o imaginário infantil - por Palmira Heine

A importância dos contos de fada para o imaginário infantil - por Palmira Heine

A importância dos contos de fada para o imaginário infantil

 

            Os contos de fada surgiram  a partir de histórias populares contadas oralmente na Europa e em outras partes do mundo, na Antiguidade.  Tais histórias, destinadas a adultos, faziam parte da cultura popular, e versavam sobre os mais diferentes temas,  não sendo, de início, portanto, direcionadas à crianças. Falavam sobre conflitos da vida, sobre  as dificuldades e defeitos humanos, adultério, disputa por bens materiais,  chegando, assim, a tratar de temas não adequados para crianças. Essas histórias foram compiladas por diversos escritores e adaptadas ao público infantil, apenas a partir do século XVII, principalmente porque antes desse período não havia ainda uma ideia da infância como há hoje. Na idade média, por exemplo, a criança era considerada um adulto pequeno e, assim que começasse a andar e falar, era colocada para conviver com adultos, realizando, aos poucos, as mesmas atividades que eles. Desse modo, era desde cedo que a criança ingressava na sociedade adulta e não se distinguia mais dela.

            A criança só passa a ser concebida de modo diferente, a partir do século XIII, mas esse movimento ainda era tímido, e a separação entre criança e adulto nessa época ocorria apenas na primeira infância, até os cinco anos de idade. Após esse período, elas passavam a realizar as mesmas tarefas de um adulto, inclusive, participando, junto com eles de jogos violentos e trabalhando. Somente no século XVII, as crianças passaram a ter um tratamento diferenciado. Elas eram enviadas para escolas para aprenderem como andar, falar e se portar bem, além de terem acesso a diversos conhecimentos. É nesse período que surge a literatura infantil, quando pesquisadores como Charles Perrault passam a compilar as histórias populares antes destinadas a adultos, adaptando-as à linguagem infantil. As histórias compiladas traziam elementos do mundo mágico (fadas, bruxas, magos etc) e, por isso, ficaram conhecidas como contos de fada. Os contos de fada caracterizam-se, então, por serem narrativas em que os heróis ou heroínas enfrentam grandes desafios até chegarem a um final feliz, vencendo o mal. Caracterizam-se por trazerem aspectos do mundo da magia, tais como encantamentos, feitiços etc, e nuances do “maravilhoso”,  tais como bichos falantes, tapetes voadores, etc, permeando o universo imaginário infantil.

            Atemporais, os contos de fada até hoje continuam encantando as crianças e têm tido uma grande importância na formação das mesmas. É a partir deles, através de uma abordagem lúdica  que alia elementos mágicos e maravilhosos, que a criança  vai tendo contato com  narrativas que abordam questões como: crise existencial, ganância, avareza etc, questões essas apresentadas de maneira metafórica e prazerosa, adaptadas ao universo da criança. É também, através dos contos de fada, que os infantes vão adentrando o mundo da literatura.

É preciso também ressaltar o valor educativo dos contos de fada. Tais contos também disseminam entre os pequenos leitores, valores diversos, ao apresentarem elementos simbólicos da beleza, da bondade, da maldade etc. Nesse ponto, eles podem ser aliados importantes, mas também podem auxiliar a disseminar idéias estereotipadas sobre pessoas e coisas.  Assim, eles levam as crianças a se identificarem com determinados personagens enquanto rejeitam outros.

            Ler um conto de fadas para uma criança, ou deixar que ela o leia sozinha é importante para auxiliar no desenvolvimento da imaginação e da fantasia. Esses elementos são essenciais para o universo infantil, uma vez que servem como mediação entre a criança e a realidade, atuando na resolução de conflitos e na estruturação da personalidade, através dos simbolismos representados pelos personagens.

            Sendo a porta de entrada para o universo literário, os contos de fada continuam a ter um lugar importante nos dias atuais. Incentivar uma criança a lê-los é, sem dúvida, proporcionar que os pequenos leitores tenham possibilidade de adentrar no mundo mágico da fantasia, onde tudo escapa da lógica da realidade física, abrindo espaço para a imaginação e o simbolismo.

 

Palmira Heine

www.palmiraheine.com.br

 

 

 

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