A Libertação dos Escravos - por Silva Neto

A Libertação dos Escravos - por Silva Neto

A Libertação dos Escravos 

Por Silva Neto

                                                              13/05/1888    

Uma lembrança histórica revestida de testemunhas no Livro “A Saga de Aripibu”

1ª Edição – 2012 – Silva Neto & Silva – Editora Gregory - SP.

E-mail: joao.digicon@gmail.com

 

Sabemos que a colonização do Brasil foi feita através dos portugueses utilizando a mão de obra escrava, e mais tarde, pelos demais imigrantes europeus importando a tecnologia no cultivo e produção do açúcar da Ilha da Madeira, Cabo Verde e demais possessões portuguesas. Essa nova linha de raciocínio trouxe grandes problemas aos velhos colonizadores por não admitirem a redução da mão de obra e consequente libertação dos escravos. Uma questão puramente de visão industrial e formação humanística que tinham os colonizadores recém-chegados da Europa, por não concordarem com o regime escravo, diferençava das concepções dos velhos colonizadores portugueses. Os novos colonizadores traziam industrialização, progresso, tecnologia, enquanto o sistema tradicional acreditava na força do trabalho animal e escrava e não nas máquinas que poderiam substituir o homem. Por isso os grandes latifundiários eram contra as imigrações de europeus e orientais para o Brasil suspeitando que os mesmos fossem acabar com a mão de obra escrava causando-lhes grandes prejuízos. Os escravos eram investimentos seus, e tratados como propriedade sua. Se houvesse a libertação, quem iria reembolsar o dinheiro gasto com a sua compra? Diziam eles. Os abolicionistas, por sua vez, travavam grandes discussões no Império sobre a atitude dos canavieiros, cafeicultores, cacaueiros e mineiros de todo o País.

—Abaixo a escravatura!...Era o grito que se ouvia de todos os segmentos culturais, desde o poeta Castro Alves, compositora e instrumentista Chiquinha Gonzaga, juristas, parlamentares e intelectuais da época. Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, José do Patrocínio, André Rebolças, Luis Gama, Antônio Bento e centenas de outros se tornaram não menos importantes nessa luta para abolir a vergonha de nosso País. A Lei Áurea, assinada em 13 de Maio de 1888, Pela Princesa Isabel, somente chegou ao conhecimento dos proprietários de escravos em todo o território nacional, alguns meses e até anos depois. Mesmo tendo conhecimento da Lei, desrespeitavam-na nos seus princípios básicos, ficando os negros ex-escravos subservientes por não terem a quem recorrer. As marcas deixadas na cultura secular da escravatura na mente dos brancos arrastam-se por séculos em nosso país, através do preconceito à raça negra, mesmo com o avanço das Leis.

“Foi então, na primavera daquele ano, que o Dr. Leocádio tomou conhecimento da libertação, ficando bastante contente. Finalmente a liberdade veio para aqueles homens e mulheres relegados da sociedade e logo cuidou de tomar algumas providências. Prontamente chamou meu avô, menino de 12 anos, e disse-lhe: - João vá até o eito, avise a Barnabé que venha e traga todos os escravos para a Casa Grande. Ao transmitir o recado, Barnabé ficou sem entender. Por que iria interromper o trabalho às nove horas da manhã? Como sempre obedecia às ordens do patrão, trouxe os escravos sem que nem mesmo ele soubesse o que estava ocorrendo.”

“Ao reunirem-se em frente à Casa Grande, ladeado pela esposa, filhas, e o jovem Duarte, o Dr. Leocádio fez um longo discurso, lendo na íntegra a publicação da Lei Áurea. Os escravos a princípio não entenderam nada. D. Maroquinha explicou a todos, pacientemente, que eram homens livres a partir daquela data, podendo continuar trabalhando na Usina ou, se quisessem, poderiam procurar serviço em outra propriedade. Alertou a todos que não os estaria expulsando dali, mas, a Lei, assinada pela Princesa Isabel, dizia que eles eram pessoas livres e não escravas a partir daquela data. Logo entenderam e comemoraram: — Viva a Princesa Isabel”! “Sob as ordens do Dr. Leocádio, mataram um boi, prepararam uma grande festa, regada à cachaça das boas”. No dia seguinte o Jovem administrador Duarte reuniu todos para saber quais iriam ficar ou deixar a Usina. Para surpresa dele todos resolveram ficar trabalhando, agora, sob nova orientação e condições”.

 Claro, não teriam carteira assinada, como hoje, mas, não viviam mais sobre a opressão e o estigma da escravidão. Brancos e negros eram iguais perante a Lei, pelo menos na teoria.

 

13/05/2016

 

 

 

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