A Melhor CIA - por Adriana Freitas

A Melhor CIA - por Adriana Freitas

A MELHOR CIA

 

Eu sempre fui daquelas que nunca gostei de sair só. Sempre admirei aquelas pessoas que iam sozinhas ao cinema, shows, faziam suas refeições em restaurantes. E por que eu não era assim? Sempre tinha que ter alguém do lado. Para fazer compras não. Resolver algumas coisas também não. O problema era ficar só fora de casa para passar o tempo, me entreter.

Só que dessa vez foi diferente. Acho que a maturidade vai mudando as pessoas. Moldando nossa maneira de ser. Ficar sozinha em casa nunca foi problema. Eu até que curto. Escrever a vontade. Cantar minha música favorita sem incomodar ninguém. Ficar de qualquer jeito.

O problema sempre foi na rua. Já deixei de sair por falta de companhia. Já deixei de assistir filmes, ver meus shows favoritos, de tomar uma cerveja por nenhum amigo poder me acompanhar.

Só que hoje foi diferente. Por falta de comunicação acabei saindo da minha casa para um evento quatro horas antes do seu início. Não quis voltar para casa. Era distante. O jeito era passar o tempo até que chegasse a hora.

Comecei a me perguntar o que eu poderia fazer durante essas quatro horas. Dei uma volta no shopping. Ele não era grande. Não daria para passar todo o tempo naquele local. Resolvi ir na livraria que fica ao lado. Comentando sobre o meu gosto pela leitura, aquele lugar era o paraíso.

Percorri pelas prateleiras. Vi pessoas lendo nos sofás da livraria. Tomando café. Conversando. Procurei por livros. Um que não fosse muito extenso. Achei um livro. Ou fui achada por ele.

Sentei em um dos sofás e comecei a lê-lo. Passei a não me importar com as pessoas em volta. A leitura havia me fisgado. Não me importava se as pessoas chegavam e saiam. Conversavam. Encontravam-se. E eu ficava. E eu lia. As horas foram passando e nem fui me dando conta.

Fui vencida apenas pela fome. Não iria aguentar esperar até a hora do evento. Não iria aguentar esperar até encontrar os meus amigos para poder comer. Uma atividade tão simples e que raramente, muito raramente eu fazia. Quando me via nessas situações, geralmente comprava besteira. Mas nunca parava em um restaurante para me alimentar sozinha. Uma besteira, bem o sei. Mas, simplesmente não o fazia.

Só que hoje foi diferente. Simplesmente não me importava de não ter alguém ao meu lado. A minha companhia estava boa. O livro então, divertidíssimo. Resolvi comprá-lo e procurar um lugar bacana para comer.

Voltei para o shopping ao lado, encaminhei-me até a praça de alimentação. Escolhi um dos restaurantes e enquanto a minha refeição não ficava pronta, continuei a leitura. Eu sempre gostei de ler. Mas ultimamente lia pouco. Fazia tempo que não discorria horas mergulhada em um livro. E eu simplesmente não conseguia parar de ler. E não me importava pela falta de companhia.

Ainda faltava tempo até a hora do evento começar. Fiquei pensando no que iria fazer. Não queria ficar naquela praça o tempo inteiro. Comecei a andar pelo shopping e resolvi parar num café. A verdade é que eu não bebo café. Pensei em tomar um chá. Acabei me decidindo por tomar uma cerveja.

Eu até já tinha almoçado sozinha uma vez. Quando passei horas no Detran para renovar minha carteira de motorista. Mas beber sozinha, só em casa. E para minha surpresa. Não mal nenhum e até gostei de ter feito. Acabou chegando a hora do evento e resolvi passar mais um tempo em minha companhia.

Pela primeira vez saí só sem me importar. Sem me preocupar com os outros ou com a falta de companhia. Pode ser atitudes banais para outros, mas pra mim foi muito importante. Foi como vencer barreiras internas. Não ter medo da solidão. Apreciar a própria companhia. Fazer o que se quer sem se importar com rótulos.

 

 

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