A minha viagem - por Fernanda Comenda

A minha viagem - por Fernanda Comenda

A MINHA VIAGEM

 

    Adoro viajar, amo conhecer novas culturas, novas pessoas, amo olhar o mundo fora das fronteiras do meu quotidiano, amo respirar o ar de outras paragens, que não as minhas habituais e foi numa dessas viagens que tive a melhor experiência que se possa imaginar…

    O sol estava a nascer e eu a embarcar num avião brilhante. Sentei-me junto à janela. Cinto apertado e avião a deslocar, cabeça cheia de sonhos,olhos repletos de esperança e de alegria.

Olhava pela janela, via a minha cidade lá em baixo, o meu país, o mar do meu país, parecia uma irrealidade, uma imagem de televisão.Fui apreciando o panorama que passava abaixo de mim, outros recortes de planícies, rios, montanhas, até que a altura em que estávamos já não me deixava contemplar o mundo terreno, agora era outro plano, parecia outra dimensão…eram nuvens brancas e macias, imaginei-me a sair pela janela, a saltitar no mundo branco e azul, a sentir o macio e frescura do algodão existente no céu, era um mundo de magia, um mundo de sensações….

    Adormeci e sonhei que tinha subido muito alto, que estava na lua e de lá via a Terra, o planeta azul, com os seus desenhos, os seus recortes, agora a Terra era para mim como a lua quando no planeta Terra estava… era uma esfera misteriosa onde eu sabia que existia vida porque lá tinha nascido, lá tinha vivido. Era o meu planeta, mas então e os outros planetas também poderiam ter vida, poderiam ser mundos para outros seres vivos?….  Mas, na verdade, eu estava a pisar o chão da lua, ou melhor flutuava por cima do chão pois não havia gravidade e assim aos saltinhos fui na aventura pesquisar  aquele satélite: crateras, montinhos de terra, silêncio absoluto! …. Ah! Ui! O que é isto? Que vento, que movimento, que ser é este? E senti-me levada por algo ou alguém, não sabia, mas era fofinho e transmitia-me uma boa energia, afagava-me…. voou comigo, saímos da lua e pelo cosmos deslizámos, vi um azul magnífico, um rosa fantástico, um verde esmeralda, eram cores sucessivas, emaranhadas, algumas formavam imagens, como uma águia ou um urso, uma espiral, um círculo, são as nebulosas, pensei, no entanto, também havia buracos e eram negros!

    Continuámos a nossa viagem e um círculo azul, mas de um azul forte, com círculos brancos no topo dando tonalidades de um azul esbranquiçado, apareceu aos meus olhos e na minha cabeça soou “É a aurora boreal de Júpiter”, e foi para lá que nos dirigimos…poisamos em Júpiter! Olho então para o meu acompanhante e meio de transporte, era um lindo rapazinho de cabelo preto encaracolado e comprido. Olhos azuis e pele dourada. Sorriu-me, disse-me que estávamos em casa e senti que me passava a sua mãozinha pelo meu cabelo mas abro os olhos e, na realidade, a mão era a do meu marido, estava sentada no avião, oh, tinha sonhado!... Sorri! As assistentes de bordo serviam a refeição!...

O tempo passou e o avião aterrou e cá vamos nós para a aventura: Punta Cana!...

    Fora das instalações do aeroporto, um calor intenso e sufocante, um cheiro de flores? Do calor? Não sei, mas era um cheiro novo para mim…entrámos numa camioneta e lá fomos nós para o resort. A camioneta avançava numa estrada estreita e comprida, algumas casas tipo barracas nas bermas e numa esquina um bar versus barraca, onde  vários homens bebiam….chegámos ao resort, era diferente e lindo! Num grande átrio tipo casa romana, bailarinas vestidas tradicionalmente recebiam-nos. Ocupámos uns carrinhos táxis que nos levaram aos nossos apartamentos. Quartos agradáveis, cisnes toalhas davam-nas as boas vindas na cama.

Após algum tempo, no atrium romano telheiro, decorado com madeira e tonsbege eterra, com agradáveis e confortáveis cadeirões, lindas mesas e bares com bebidas gostosas, com a recepção por perto, deram-nos a indicação do restaurante a frequentar. Boa comida, bom ambiente e até com um grupode músicos e cantor a percorrerem as mesas, tal como nos filmes, estava encantada!   

     Logo nessa noite, assisti a um espectáculo lindíssimo de circo, dança e música, num anfiteatro enorme!

     E a praia, grande, larga, comprida, água quente, maravilhosa! Duas ou três horas dentro de água, ginástica, salsana  praia, mesmo molhada mas depressa secava….

     Num desses dias, quando me bronzeava ao sol, fui abordada por um vendedor de telas, regateeicom ele o preço e comprei algumas. Nessa noite, sonhei com os quadros, com as suas imagens, entrei nelas, nos seus dizeres e significados, era um mundo místico, mágico, um mundo em que havia uma mistura de África com a América Latina, foi estranho, não o compreendi bem…mas rostos de feiticeiros africanos ainda estão na minha memória.

Nos oito dias que lá passei, alguns foram dedicados a excursões, uma delas a uma plantação.

    O percurso foi muito interessante, pois deu para ver a cidade de Caribe, um mundo tão diferente do nosso, casas baixas muitas tipo barracas, principalmente as que se situavam nas bermas das estradas de acesso à cidade, outras de tijolo, mas sem luxo, sem beleza. As mais ricas eram vivendas coloniais, com grades nas portas e janelas, com bons carros no quintal ou na garagem.  As casas pobres sempre de porta aberta, os seus moradoresmuitos deles à porta, mesmo a tomarem as suas refeições. Escolas pobres, mas no entanto, com as suas crianças sentadas a trabalharem, a estudarem e as portas abertas, nós que passávamos na camioneta, víamo-las muito atentas! Dentro da cidade, um colégio, um grande colégio, com portaria, hora de saída, muitas crianças de farda, e assim que passavam os portões do colégio, pegavam no seu telemóvel.

    Táxis? Sim havia muitos, mas eram motas! Uma paragem de táxis, muitas motas numa esquina, muitos motoqueiros encostados aos seus veículos à espera. Quantos passageiros levam? Perguntam-me quem lê esta minha narração, muitos, três ou quatro, não interessa como estão sentados, o que interessa é que vão! 

    Pois, vejam o meu espanto quando vejo numa vespa uma senhora a conduzi-la com uma criança de cinco ou seis anos sentada à sua frente e com outra senhora de idade sentada atrás dela, mas não encavalitada, estava sentada como se numa cadeira ou banco estivesse! É de pasmar! Regras de trânsito não as havia, cada um que se salve, para que serve a sorte?

     É de calcular que poderão existir muitos acidentes, pois é provável, mas apenas vi um: uma mota caída na estrada, ou seja com o traseiro assente no asfalto e a parte dianteira no ar, o seu ocupante sentado no chão junto à traseira da moto, deve ter escorregado!...Levantou-se e começou a circular à volta da moto na tentativa de a levantar.

     Chegados à plantação de café, de cana-de-açúcar, foi um provar de cana-de-açúcar, só chupá-la sem mastigar, o que eu incauta mastiguei e o guia com cara de caso disse:” Ai, agora vai morrer!...” Era muito brincalhão! E eu respondi: “Depois ressuscito!”.

Vimos uma simulação da preparação do açúcar.

Fomos para debaixo de um telheiro e bebemos um bom café, servido pela tia Maria, como o guia dizia. Entrámos numa casatradicionalexistente nas plantações, mas actualmente habitada. A casa era constituída por cozinha, sala e quarto e uma pequena casa de banho. Na sala, jamais esquecerei, uma senhora bastante nova dava de mamar a um bebé. O seu rosto e olhar desviou-se do pequenito olhou-nos, eu sorri-lhe, ela sorriu-me, no entanto, o seu ar, os seus olhos transmitiam uma tristeza tamanha!...

 Andei de cavalo, a minha estreia, o meu era o Capitão. Ficámos amigos!

  À saída da plantação, vejoa uns cinco metros de mim um homem todo vestido de caqui, à volta do seu corpo uma jibóia enrolada no seu corpo. Entrei para dentro da camioneta rapidamente!...

     O almoço realizou-se num restaurante típico, feito de madeira, com tejadilho e aberto para o exterior apenas com um muro que rodeava todo o edifício. A paisagem: montanha, verdejante….e no interior além do self-service um bazar de telas e bijutaria local. Comprei algumas telas, o vendedor ofereceu-me dois colares, um para mim e outro para o meu marido.

     Enquanto almoçava, contemplava as montanhas, ouvindo um grupo de senhores idosos que tocavam e cantavam para nós, os turistas. Via-me com um lindo vestido rodado branco, cabelos dourados apanhados e seguida por um grupo de crianças. Cantávamos e dançávamos, por vezes voávamos, imaginava-me a estrela de um filme tipo música no coração….

No dia seguinte, visitámos Santo Domingo, a capital da República Dominicana, durante quatro horas percorremos estradas até chegar à cidade repleta de história e de desenvolvimento.

“Os povos taínos habitam o que é hoje a República Dominicana desde o século VII. Cristóvão Colombo desembarcou na ilha em 1492 e formou no local o primeiro assentamento europeu permanente na América, a cidade Santo Domingo, a capital do país e a primeira capital do Império Espanhol no Novo Mundo. Depois de três séculos de domínio espanhol, com interferências de franceses e haitianos, o país tornou-se independente em 1821

A Cidade Colonial de Santo Domingo é considerada património da humanidade pela UNESCO.” ,Wikipédia, a enciclopédia livre, Google.

    Nos dois dias restantes, passei-os a apanhar banhos de sol e mar. No terceiro dia fizemos uma viagem de catamarano no rio e diverti-me imenso! Dancei a salsa e pasmem, não sei como, olhando para a animadora fiz de uma forma perfeita a coreografia de uma dança meio Américo- latina, meia universal, ou seja, mexida, hip-hop….

     O almoço, no restaurante da praia de uma ilha onde atracámos, foi fantástico. Lagosta grelhada, carne, batatas, salada e bebidas. Ah, mas estava a esquecer-me, ainda no meio do mar do Caribe para onde fomos de barco, demos mergulhos e bebemos champanhe! Coisas para turistas verem e sentirem!...

    Os últimos dias foram passados a bronzear-me e a saborear a maravilhosa água do mar, banhos prolongadíssimos….

      Foi uma viagem e estada inolvidável, desde o céu, o mar, a areia, a comida e os fantásticos espectáculos ao acolhimento do pessoal do resort.

     O regresso, no aeroporto, iniciou-se com bailarinas com os seus vestidos tradicionais despedindo-se de nós. Check-in feito, descalçar sapatos e passar pelas portas detectoras de metais, já na pista, não muito longe do avião, todos os passageiros em fila, uns ao lado dos outros, os nossos sacos de mão no chão à frente dos nossos pés e homens e cães polícias passavam diante de nós, os cães cheiravam os nossos sacos e tudo em ordem, nada a registar, tudo legal, passageiros no avião e descolagem, passadas dez horas, estávamos em Lisboa!   

     O que fiz durante todo esse tempo? Li! O quê? Já não me lembro! Dormi! O que sonhei? Não me lembro, mas gostaria que tivesse sido o sonho que iniciei na viagem de ida, afinal estava outra vez no céu, a contornar o meu planeta.

    Iniciava, agora, outra viagem, a viagem de regresso à minha vida quotidiana, ao meu trabalho. Aliás, naquele dia, assim que cheguei tive de me apresentar no meu local de trabalho.

    Viajar é o que todos nós fazemos assim que nascemos até morrermos. A morte  termina a viagem da vida, no entanto, gosto e quero acreditar que não é o fim da nossa viagem espiritual, energética, é apenas uma mudança de dimensão.

    Viajar é um divertimento, e,segundo a minha opinião, é uma verdadeira aprendizagem…

    Podemos não sair do mesmo lugar e, no entanto, viajarmos sem parar, sem descansar, apenas ler, ou imaginar, sonhar, tal como o título do livro Viagem ao redor do meu quarto, de Xavier de Maistre.

    Viajar é encontrarmo-nos connosco próprios, é enriquecermo-nos como pessoas, é aprendermos a respeitar os outros, aceitando a sua cultura e costumes, é conhecer o outro, conhecer o mundo! Amo viajar, porque amo a vida e a humanidade!

     Sempre que houver possibilidade, lá vou eu de carro, comboio, barco, avião ou apenas com a imaginação, envolver-me no verde, azul e em todas as cores do Universo!...  

 

 

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