A vista ou a prazo? - por Maria Estela Ximenes

A vista ou a prazo? - por Maria Estela Ximenes

 

Ele entrou  na loja de móveis com ar de quem queria gastar – cobiçou a cama de casal e o sofá, apalpou o bolso como se estivesse mimando a fartura. Perguntou o valor de ambos e concluiu que poderia comprar somente  a cama.

Pensou que o ideal seria pagar à vista, sair da loja com a mercadoria e sem nenhuma dívida. O ideal, mas não o desejável – ele queria os dois móveis. A cama era perfeita, um deleite para o corpo e a alma e o sofá impermeável, antimofo, fácil acolher as travessuras familiares.

O vendedor treinado para resgatar endividados perpétuos, sugeriu que ele comprasse os dois móveis dando como entrada o valor que estava no bolso – o restante da dívida poderia ser parcelado.

- Prefiro pagar o móvel à vista.

- Mas você gostou da cama e do sofá.

- Principalmente a cama...

- O sofá é a mãe da amizade, ouve segredos e acolhe costas cansadas.

- Não vim comprar a prazo.

- Oportunidades  não podem ser desperdiçadas.

- A minha esposa não vai aprovar o parcelamento da dívida.

- A sua esposa vai amar os móveis.

- Ela não suporta compras a prazo.

- Ela não é você.

- É mesmo uma bela cama...

- E um belíssimo sofá – e arrebatou – “prestações sem juros”.

A frase surtiu efeito. Ele comprou, esvaziou o bolso e parcelou a dívida.

Disse  para a mulher que os móveis estavam em promoção e que levou os dois pelo preço de um.

A mulher o abraçou dizendo que ele era um homem sortudo.

 

Publicado em 01/03/2014

 

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