Abuso sexual e as consequências no âmbito Escolar - por Fabiana Juvêncio

Abuso sexual e as consequências no âmbito Escolar - por Fabiana Juvêncio

Abuso sexual e as consequências no âmbito Escolar

 

            A escola não dispõe da infra-estrutura necessária para o desenvolvimento de tarefa tão delicada, em primeiro lugar, porque consideramos inadequadas as chamadas aulas de educação sexual (SILVA, 2004). No Brasil somos contrários às aulas de educação sexual. Admitimos a educação sexual feita, preferencialmente, de forma individual e por pessoa realmente habilitada. Não estamos de acordo com aqueles que preconizam a educação sexual feita em grupos de ambos os sexos. Julgamos que a orientação sexual deve ser feita pelo serviço de orientação educacional, apenas para tratar questões sexuais quando estas são motivadas por intensas provocações sociais. A responsabilidade da iniciação do adolescente nas praticas sexuais não é tarefa da escola. Somente o lar reúne condições morais e psicológicas para dar a um assunto tão delicado como a educação sexual, uma orientação sabia e eficiente.

            Em pesquisa de Rangel (1995), confirmaram-se argumentos ao princípio de que a aprendizagem é facilitada pela associação ao afeto e ao prazer que a relação educativa pode e (deve) proporcionar. Assim, a dor da vergonha, do medo, da ansiedade e a tensão do estresse sem dúvida são fatores antagônicos à formação do conhecimento e da personalidade.

            A liberdade, o acolhimento, a qualificação gera segurança e estímulo a processos sócio-cognitivos e atividades práticas que colaboram no sentido da consolidação de pensamentos favoráveis à aprendizagem e às relações sociais. Nesse mesmo prisma, as agressões, por palavras, ironias ou gestos de indiferenças ou ridicularização podem ser um obstáculo ao envolvimento e à expressão da inteligência, ocasionando um estado de paralisia mental e psicológica. O molestamento e a discriminação sexual, como formas de abuso, podem causar o mesmo efeito. A solidão, a depressão, os suicídios podem ter na sua gênese o abuso das palavras, que se expressam em piadas, nas brincadeiras, nas ironias, no menosprezo, determinados por preconceitos ou estereótipos excludentes (RANGEL, 1995).

            As conseqüências do abuso sexual, dependendo sempre do tipo de abuso sofrido, de repetição que isto ocorreu no decorrer da vida do individuo, da idade que os abusos foram acometidos e da possibilidade de denunciar ou de falar sobre o assunto (QUEIROZ, 2006). Evidente que cada indivíduo reage de forma diferenciada, mas as marcas desse registro podem desdobrar-se de varias maneiras:

            - O corpo é sentido como profano, há perda da integridade física, sensações novas são despertadas mas não integradas, a vitima expressa a angustia de que algo se “quebrou” no interior de seu corpo;

            - As perturbações do sono são constantes e traduzem a angustia de baixar a guarda e ser agredido sem defesa;

            - Dificuldade de lidar com seu próprio corpo considerando-o atraente;

            - Comportamento autodestrutivo, levando a criança a parar de brincar, desinteressa-se pelos estudos, fecha-se em si mesma, torna-se lenta e inquieta. O adolescente pode manifestar sinais de violência, mostrando-se muito irritado e pouco tolerante quando o elogiam;

            - Sexualidade vista como punitiva, com culpalidade, sem prazer, podendo interferir de forma traumática no jogo da sedução, erotização, oferecendo possível dificuldade de relacionamentos sexuais na idade adulta.

            A face mais assustadora desse fenômeno é a banalização da violência que passa a ser vista como natural, restando aos que são afetados aprender a conviver com ela. É enorme o impacto dessa violência estrutural e conjuntural nas relações interpessoais (ARAÚJO, 1996). 

 

 

 

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