Agua Potavel - Por Alexandra Colazzo

Agua Potavel - Por Alexandra Colazzo

Por Alexandra Colazzo

 

É engraçado como estamos acostumados com as mesmas sensações de sempre, as mesmas emoções costumeiras e, quando nos deparamos com algo estranho que está longe dos nossos costumes, temos medo e chegamos até a sentir uma certa aflição do desconhecido.

O novo assusta e por muitas vezes nos desencoraja a vivermos uma sensação nova, até mesmo um sentimento que não estamos mais acostumados, que deixamos de sentir há anos.

Temos uma rotina de vida e dificilmente a deixamos.

Todos os dias as mesmas coisas, encontramos as mesmas pessoas na condução, no metro, na rua e, mesmo as encontrando todos os dias, não conseguimos ao menos dizer um “bom dia” para aquele ser que nos acompanha diariamente em nossas viagens ao trabalho.

Vamos sempre aos mesmos restaurantes, comemos sempre a mesma comida saudável para não engordar ou, para não sofrer de colesterol alto. Até pensamos em mudar a rotina na hora do almoço, mas, a consciência fala mais rápido e, se um dia perdemos a linha, qualquer dor de estomago posterior é culpa da irresponsabilidade que nos fez mudar o destino do almoço.

Compramos as mesmas roupas, sempre!

Nunca descemos do salto e então, ao recebermos um convite para irmos ao parque percebemos que não temos um par de tênis ou um chinelo para colocar nos pés e sentir a leveza da vida.

Vivemos sempre em nossa “zona” de conforto pela praticidade da vida, pelo medo de sofrer, medo de errar e por incrível que possa parecer, pelo medo de acertar.

De todos os dias do ano, os dias sempre são de sol e então, quando a chuva cai, procuramos um abrigo para não nos molhar porque não queremos ficar gripados.

Acostumamos a andar sempre no asfalto com sapatos para proteger nossos pés do sol, do calor e de bactérias.

Passamos o ano inteiro esperando a virada do ano para viajar, muitas vezes, como de costume, para praia.

Falamos o ano todo no mar, no banho de sol, na areia da praia e, quando chegamos neste paraíso, olhamos para o lençol de areia do mar com um certo receio de lançar nossos pés na areia porque essa vai grudar na pele e queimar a sola dos nossos pés.

Vamos para praia de chapéu para não pegar sol, passamos protetor fator 1000 (se existisse) porque não podemos queimar a pele pelo simples fato de não querer sentir a ardência.

E o mais incrível de tudo, é quando olhamos para o mar imenso e lindo, cheio de energias positivas e não entramos porque depois, até a volta para casa, vamos ficar “melados” daquela água salgada do mar misturada com a areia da praia, uma sensação que não estamos acostumados e que provavelmente, irá nos tirar do nosso habitual.

Com isto, deixamos de aproveitar os momentos, as situações, as emoções que nós mesmos esperamos sentir, sonhamos e aguardamos ansiosamente para senti-las mas, que quando estamos diante delas, optamos por nos afastar porque não queremos cometer erros, não queremos tentar o novo ou, porque simplesmente não estamos mais acostumados com as sensações e não queremos viver e deixar a vida acontecer.

Voltamos para casa com uma certa sensação de arrependimento, talvez, sem marcas pelo corpo, sem nada que nos deixe sentir que por um único momento fomos capazes de nos permitir sentir a areia queimar e deixar nosso corpo todo molhado da água do mar.

E por medo do novo, daquilo que não estamos acostumados a sentir, vamos vivendo nossa vida, deixando com que ela engula todos nossos desejos e deixe com que o receio se torne parte essencial na nossa personalidade.

E assim, retornamos para nossa casa, nosso canto, aonde iremos tomar nosso banho de água potável, pois é ali que nos sentimos seguros e temos a absoluta certeza que ninguém poderá entrar no nosso mundo!

 

SP: 06/01/2014

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