Alexandre Braoios - Entrevistado

Alexandre Braoios - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Alexandre Braoios é paulistano, biomédico, doutor em Microbiologia e atualmente reside em Jataí-GO, onde é docente na Universidade Federal de Goiás. O autor também cursa Psicologia na mesma universidade. Possui contos publicados em diversas antologias e coletâneas, como Contos de Som e Silêncio; Eu me Ofereço: um tributo a Stephen King; Perdoe-me; Contos e Reencontros; Sombras e Desejos; Meu Lado Sombrio; Mini Contos Coloridos entre outros. Coisas de Menino é seu primeiro romance.

 

“Apesar do livro ser em grande parte uma obra de ficção, muito do que está relatado aconteceu de verdade e espero sinceramente que o livro ajude pessoas que carregam esse trauma.”

 

Boa leitura!

 

Escritor Alexandre Braoios, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Seu novo lançamento é um livro baseado em fatos reais. Conte-nos em que momento decidiu escrever o livro “Coisas de Menino”?

Alexandre Braoios - Eu agradeço a oportunidade de divulgar meu livro nesse importante projeto. O livro tem como tema o abuso sexual infantil. Esse é um problema muito grave e muito pouco divulgado. As vítimas e suas famílias, compreensivamente, evitam falar sobre o assunto. É um acontecimento que marca toda a família. Muitas vezes esse abuso acontece sem que a criança tenha coragem de contar mesmo aos pais. Muitos adultos hoje foram vítimas de abuso sexual e carregam esse fardo em silêncio. Mas o peso é enorme e as cicatrizes influenciam toda a vida da pessoa. Até o ano de 2012, a lei vigente previa que o crime de abuso de menores prescrevia em até 20 anos após a data do abuso. Assim, uma criança de 6 anos, por exemplo, ao completar 26 anos não poderia mais denunciar seu abusador. Quando assisti uma entrevista com a nadadora Joanna Maranhão que tentava denunciar seu abusador após se tornar adulta, decidi que era preciso falar sobre o assunto. Hoje, graças aos esforços da atleta, a lei mudou e o tempo de prescrição passa a ser contado a partir do 18o aniversário da vítima, o que é mais coerente. Após ver o esforço para a mudança da lei, tentei imaginar como seria um reencontro entre abusado e abusador após o crime ter sido prescrito, quando legalmente não haveria mais nada a ser feito. A partir dessa ideia surgiu o mote do livro.

 

O que mais o atraiu na história que o levou a escrever e publicar um livro sobre o ocorrido?

Alexandre Braoios - Eu acredito que toda manifestação artística ou científica deve ter um propósito que sirva à população em geral. Nem bem lancei o livro e já recebi pelo menos três relatos e agradecimentos de pessoas que passaram por isso e que se viram representadas na história. É claro que o objetivo de todo autor é ver sua obra sendo lida, mas esses relatos me mostraram que o meu principal objetivo foi alcançado, que foi jogar um foco de luz sobre o assunto. Como disse antes, a maioria das vítimas guardam pra si essa história tão cruel e se obriga a conviver em silêncio com a enorme carga de dor que o acompanha para o resto da vida. Ler um relato parecido com nossa história serve, no mínimo, para aliviar essa dor. O abuso tem um lado ainda mais cruel que é a culpa que se carrega. De alguma forma a criança abusada se culpa pelo abuso, é um tormento sem fim. Dessa forma, me senti na obrigação de falar sobre o assunto, como forma de dar voz a milhares de pessoas que já passaram pelo mesmo problema. Essa foi minha principal motivação. Apesar do livro ser em grande parte uma obra de ficção, muito do que está relatado aconteceu de verdade e espero sinceramente que o livro ajude pessoas que carregam esse trauma.

 

Quais os principais desafios para escrita da obra?

Alexandre Braoios - Sem dúvida nenhuma foi colocar no papel um assunto tão delicado de forma mais “palatável” possível sem, no entanto, fugir à realidade. Não queria que o livro demonstrasse qualquer traço de vitimismo, pelo contrário, fiz questão de mostrar uma história de superação. Ao mesmo tempo quis dar voz ao abusador, procurei vasculhar o que pode se passar em sua consciência. É um tema delicado, apesar da crueldade desse tipo de crime, não podemos esquecer que o abusador também tem uma história e não é raro que sua história também esteja manchada por uma abuso. Criar esse abusador depois de 30 anos de ocorrido o abuso foi um grande desafio.

 

Como leitor o que o atrai em “Coisas de Menino”?

Alexandre Braoios - Uma vez recebi uma crítica negativa dizendo que minha escrita, apesar de ser uma prosa, era muito poética e que isso não era bem vindo num conto ou romance. Mas tomei essa crítica como um elogio e ao invés de me desestimular, pelo contrário, me fez investir ainda mais nessa característica. Que melhor forma de falar sobre um assunto tão delicado e cruel senão pela poesia? Gosto muito dessa característica de minha escrita.

 

Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através do enredo que compõe a obra?

Alexandre Braoios - Não sei se é bem uma mensagem. Mas de qualquer forma, acredito que já alcancei o objetivo que pretendia que foi mostrar que as pessoas que já sofreram abuso não estão sozinhas e que é possível superar esse trauma. É muito reconfortante perceber que um segredo que você carregou durante toda a vida é semelhante a de outras pessoas. Quando lemos ou ouvimos algum relato de alguém que já sentiu o que nós sentimos é como se uma mão viesse em nosso socorro, nem que seja para somente nos trazer um afago. Isso é muito importante para quem vive ou viveu anos mantendo esses sentimentos trancados.

 

Onde podemos comprar o seu livro?

Alexandre Braoios - O grande problema para os novos autores é a divulgação e distribuição. Não fujo à regra e por isso, o livro está sendo vendido diretamente comigo pelo e-mail: livro.coisasdemenino@gmail.com

 

Que tipos de textos gostas de ler?

Alexandre Braoios - Gosto muito de livros de suspense e dramas. Gosto muito de contos e crônicas também.

O que mais o encanta na leitura destes tipos de textos?

Alexandre Braoios - Admiro a capacidade criativa de autores como Stephen King, Patrick Suskind e tantos outros. Sou fã também de Gabriel Garcia Marquez e sua literatura fantástica. Com certeza seus livros estão entre os meus favoritos. O enredo de Cem Anos de Solidão chega a ser inacreditável de tão genial.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o autor Alexandre Braoios. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em sua opinião o que cada leitor pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro?

Alexandre Braoios - Escrever não é parte mais difícil de todo o processo. Hoje está um pouco mais fácil publicar (se você tem dinheiro), mas o grande problema é a divulgação e distribuição. Acredito que os leitores podem ajudar nesse processo, indicando os livros que gostam nas redes sociais independente do autor ser já reconhecido ou um novato como eu.

 

Alexandre Braoios

E-mails: livro.coisasdemenino@gmail.com

                  ab31@uol.com.br

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