Amor Eterno - por Adriana Freitas

Amor Eterno - por Adriana Freitas

AMOR ETERNO

 

Foi o nosso primeiro desentendimento. A nossa primeira briga por causa de ciúme. Eu que passei tanto tempo me sentindo sozinha e carente, achando que ninguém olhava pra mim e de repente me via nessa situação. Aquele deus grego que pensei não reparar em mim, só eu que olhava. Era o cara com quem estava saindo repetidas vezes. Todo carinhoso e atencioso. Depois dele os outros eram os outros. Já não me interessavam mais.

            Ele não acreditou. Passei tanto tempo sozinha. Noites de encontros e desencontros. Foram tantos que apareceram e sumiram. Achava que não tinha sorte. Até ele aparecer com aquele sorriso lindo, aqueles ombros largos, aquelas mãos enormes e o peito mais gostoso que alguém pode ter. Eu não queria mais nada e mais ninguém. Eu só queria aquele abraço, aquela boca e todo o resto só pra mim.

            Não dizia nada. Era cedo. Tinha medo de espantá-lo. Estávamos na fase de se ver direto, mas sem mencionar títulos e nem nos assumirmos como um casal. Não éramos namorados, mas também não tínhamos um casinho qualquer. Eu não sabia o que era. Eu só sabia que o queria só pra mim e que ele também quisesse o mesmo.

            Saímos como de costume. Não importava o dia da semana, era começo ou final. Ele já era a minha companhia certa da balada. Até os nossos amigos que haviam ficado um pouco de lado começaram a nos encontrar. Mas era sempre assim, um sempre ia aonde o outro queria. Cinema, shows, jantares, partidas de futebol, churrasco com os amigos, um dia de sol na praia. Ele era a minha companhia e eu a dele. Perfeito.

            Um dia saímos somente nós dois. Era sempre o melhor programa. Nem tínhamos planos. Era apenas para curtir a companhia um do outro, jogar conversa fora e trocar beijos apaixonados, só para esquentar o que viria depois. Desde que surge alguém do meu passado nem tão distante. Um daqueles carinhas que se conhece na noite e somem da sua vida sem muita explicação. Nem me lembrava mais dele. Mas por que homem é assim? Quando eu estava toda interessada, correndo atrás mesmo, esse carinha me esnobou, só me procurava quando não lhe tinha outras opções, aumentando a minha insegurança e diminuindo a minha autoestima.

Agora que eu estava bem com o meu deus grego, com o meu forte pretendente a se tornar o amor da minha vida, o futuro pai dos meus filhos (isso era projeto meu, ele ainda não sabia). O carinha se aproximou em um momento em que eu estava sozinha indo ao banheiro ver o meu rosto, retocar a minha maquiagem, ficar bonita para o meu futuro amor e não ele. O carinha me cercou com toda aquela conversinha furada de sempre “- nossa quanto tempo, oi sumida, continua linda, qual a boa de hoje? Vamos para outro lugar?”.

Tentei ser simpática. Não seria rude e nem mal-educada. Afinal, não fazia parte da minha índole maltratar ninguém. E esse cara nunca me tinha feito nada, nunca havia me prometido nada. Foi apenas curtição, mas pra mim já havia passado. Ele já não me interessava mais. Eu só tinha um em mente. Mas como explicar? Falar que o deus grego era meu, se não era? Apenas respondi que estava com pressa. O carinha não me deixou passar. Parecia que queria me abraçar e me beijar a todo custo. Ele dava um passo à frente e eu um para trás. Eu sorria sem graça. Tenho um riso despropósito, fora de hora, principalmente quando fico nervosa.

E nesse jogo o meu deus grego apareceu com cara de poucos amigos e com um olhar tão fulminante que me fez estremecer. Perguntou o que estava acontecendo, se havia acontecido algum problema. Respondi que estava tudo bem. Apresentei o carinha como um amigo e o meu deus grego apenas pelo nome. Bem que eu gostaria de apresentá-lo como meu namorado, o meu amor, o futuro pai dos meus filhos, mas não éramos nada disso, apenas falei o seu nome.

Eles deram-se as mãos num cumprimento forçado, como se fossem a qualquer momento entrar em uma disputa. Por mim? Não fazia o menor sentido. Logo eu que passei tanto tempo sozinha, sonhando com romances que não aconteciam, suspirando pelos cantos, sendo ignorada por todos os homens da rua, fazendo de tudo para encontrar o meu príncipe que não aparecia nunca. Nada me fazia sentido. Pra quem não tinha ninguém, de repente ver dois quase brigando por sua causa, era surreal demais pra mim.

Não demoramos mais no lugar. O meu deus grego mudou. Eu não via mais o seu sorriso, aquele olhar que me devorava a qualquer momento e que me despia sem ao menos me tocar. Meu corpo todo estremeceu da maneira errada. Eu não queria aquele clima. Voltamos para a sua casa em silêncio. Pelo menos ele não me deixou na minha. Eu sempre dormia com ele quando saíamos. Já era o costume.

Ele sempre me emprestava uma camisa para dormir. Apesar de na maioria das vezes dormirmos sem nada. Eu já tinha alguns objetos meus lá. Ele já havia me comprado o meu xampu preferido (aquele sem sal), o meu sabonete (aquele com bastante hidratante), ele já havia me falado para deixar algumas peças de roupa lá. Não que ele se importasse de me emprestar as suas camisas. Ele até gostava de sentir o meu cheiro nelas. Eram apenas para ter as minhas coisas lá. E eu bem que gostei. Mulher adora marcar território.

Chegamos ao apartamento em silêncio. Eu definitivamente não queria aquele clima. Interrompi a sua introspecção. Eu tinha que saber o que ele pensava. Não iria conseguir dormir na incerteza. Foi quando ele explodiu. O que me espantou. Nunca o tinha visto de mau-humor, muito menos irritado daquela maneira. Começamos uma briga sem sentido. Eu não entendia nada. Por que ele estava tão irritado? O que eu tinha feito de errado? Em momento algum eu dei moral ao carinha, em momento algum eu o deixei tirar uma casquinha que fosse. Tudo bem, ele até que foi invasivo, tentou me beijar, como já havia acontecido em outras baladas que nos encontramos por acaso, mas dessa vez eu não deixei. Eu não faria isso, não quando eu já tinha encontrado o meu candidato perfeito ao meu amor eterno.

O que ele queria ouvir de mim? Eu não queria aquela discussão, não mesmo. Os ânimos se alteraram. Cheguei a gritar na tentativa de fazê-lo calar e me ouvir. Tentativa não muito inteligente e piorou a situação. E só pensava num jeito de encerrar logo com aquilo. Detesto brigas, confusões, caras feias, mau-humor. Simplesmente detesto tudo isso. Decidi não argumentar mais, tudo o que eu tinha para falar foi dito. Já havia repetido a história inúmeras vezes; estava cansada daquilo. Não tive culpa, não quis desrespeitá-lo e nem lhe provocar ciúmes. Não aprecio esse tipo de mulher que adora criar situações para despertar o ciúme do amado. Esta definitivamente não sou eu. Eu só não quis ser grosseira com o carinha, só isso. Bendita educação.

Deixei-o falar até cansar. Lutando para não cair no sono. O cansaço me consumia. Ouvi o seu monólogo calada, até que finalmente ele resolveu silenciar. Eu não queria mesmo brigar e mesmo não me sentindo culpada com a situação, apenas para terminar aquilo numa boa, pedi desculpas. Ele, ainda de cara amarrada, aceitou-as.

Seguimos com a quase rotina. Banho gostoso antes de dormir. Só que dessa vez sem beijos roubados, mãos bobas ou bem intencionadas e conversas sem pé nem cabeça. O silêncio do quarto assustou. O frio que fazia congelou o meu corpo. Eu precisaria dele para me esquentar, mas eu agia como uma garota perdida sem saber como agir. Mesmo de cara amarrada, mesmo irritado, ele me ofereceu os seus braços, deixou-me recostar minha cabeça em seu peito.  Atitude suficiente para me tirar o sono e o cansaço e encher o meu corpo de calor.

As minhas mãos não conseguiram ficar quietas, quando dei por mim elas já passeavam por todo o seu corpo, como não houve resistência, as minhas mãos não pararam. Quando dei por mim, num simples movimento, o meu corpo estava todo sob o dele. Agora era ele que se mexia, agora era as suas mãos que percorriam o meu corpo, agora os suspiros eram bem outros. O assunto foi encerrado de vez. Voltamos a falar a mesma língua. Agora tinha descoberto o sentido de fazer amor, do sexo gostoso, feito sem pressa.

Acabei não resistindo e confessando que só era ele quem eu queria. Homem nenhum me interessava mais. Ele parou por uns segundos me fitando bem nos olhos. Depois abriu um sorriso encantador. Passou a mão nos meus cabelos, no meu rosto. Segurando o meu queixo, beijou os meus lábios com carinho e confessou que estava apenas esperando ouvir isso para me pedir que eu fosse a sua namorada, futura mãe dos seus filhos, o amor da sua vida.

 

 

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