Amuletos - por Eliane Reis

Amuletos - por Eliane Reis

Amuletos

 

Em minha tez pálida resiste 
imune uma identidade nula.
É uma secreta inquietude
que dorme um sono caleidoscópio. 
 

Guardo no cansaço uma pressa
de chegar e partir, talvez fugir. 
Deixo esquecido no cais, 
naquele porto seguro
uma despedida morta. 
 

Guardo em caixas de sapatos
histórias velhas e novas,
fotografias vivas e mórbidas.
Trago ao pé do ouvido
o timbre de uma voz desconhecida
talvez seja uma velha canção.
 

Desenho na pele uma lembrança,
quase litúrgica de uma rara emoção. 
Faço um pacto, comigo 
uma espécie de promessa não cumprida
 

Finjo esquecer a dor maldita
que me fez sangrar em plena primavera. 
Faço um discurso prolixo
assim, sob desumana medida; 
mas quero a síntese da emoção. 
 

Guardo como badulaques
meus confetes contentes,
misturados às agulhas e linhas
que costuram meus remendos.
 

Dói por dentro, mas arrisco o riso
esse disfarce de alma carente.
Neste patético teatro da vida
coleciono talismãs, feitos de corda,
feitos de pedra, feitos de feitiços.
 

Amuletos avulsos e confusos,
meus frágeis fantoches. 
 

 

 

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