Ana Wiesenberger

Ana Wiesenberger

Por Shirley M. Cavalcante (SMC) 

 

Ana Wiesenberger, de nome completo, Ana Cristina Estrela da Silva Franco Dias Wiesenberger, nasceu em Lisboa em 1962 onde viveu até aos 10 anos, tendo residido desde então em Setúbal.

Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante Inglês/Alemão pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa na década de oitenta, tendo posteriormente feito um Pós -Graduação em Estudos Americanos na Universidade Aberta.

Leccionou durante mais de vinte anos no Ensino Básico e Secundário em várias escolas na cidade de Setúbal e no Pinhal Novo, estando actualmente reformada por invalidez.

Na sua escrita há um registo poético intimista a par e passo de outros poemas mais direccionados para o exterior, nomeadamente na presença forte da natureza enquanto envolvência e partilha. Há ainda uma outra vertente, a poesia dita de intervenção, suscitada pelas vivências de um quotidiano consciente da realidade socioeconómica e política do seu país.

A ambição da autora é que a sua poesia chegue ao homem comum, que não seja apenas abrangida por elites intelectuais, daí a procura constante da língua enquanto veículo acessível à mensagem clara e não fechada e excessivamente cifrada. O poema mais emblemática da estética pretendida é o que dá o nome ao seu blogue, Quero Trazer A Poesia Para A Rua.

“Gostava muito que os meus leitores comunicassem comigo, me dissessem como sentiram a leitura dos meus poemas. Nos meus primeiros dois livros não comuniquei às editoras que inserissem o meu endereço electrónico nas obras, mas vou corrigir essa situação nos próximos. Ainda na mesma linha, posso dizer, que é um enorme prazer ter leitores no Facebook e no blogue e receber os seus comentários.”

Boa Leitura!

 

SMC -Escritora Ana Wiesenberger para nós é um prazer contar com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento se sentiu preparada para publicar seu primeiro livro?

Ana Wiesenberger - É com satisfação que participo no projecto. Sempre senti o Brasil muito próximo porque sou neta de Brasileiro e apesar dos meus avós se terem divorciado e o meu avô ter regressado para o seu país, arranjou sempre forma de nos comunicar um pouco da cultura Brasileira. Enviava-nos muitas cassetes de música e assim, crescemos com samba, fado e música clássica, respectivamente decorrente dos gostos musicais do meu avô, do meu pai e da minha mãe.

Tentando agora, responder concretamente à pergunta, posso dizer, que já há muito me sentia preparada, mas devido à minha vida profissional muito preenchida, enquanto docente e membro activo do sindicato dos professores, julgava só realizar esse projecto depois da aposentação prevista para a faixa etária dos sessenta, claro.

 

SMC - Que temas abordas em seu livro “Dias incompleto”? Como foi a escolha do Titulo?

Ana Wiesenberger - O título surgiu como consequência das condições em que o livro foi organizado. Adoeci e entrei numa espiral de testes médicos e resultados destabilizadores da minha rotina. Tive de me confrontar com modificações nas minhas capacidades físicas que me atordoaram e houve uma altura em que já estava muito fraca e pensei, que já estaria a entrar na fase terminal. Nesse Agosto de 2011 procurei ter uma conversa séria com o meu filho, que é um jovem adulto e ele exaltou-se comigo perante a perspectiva de eu morrer sem publicar os poemas e as histórias escritas ao longo dos anos em cadernos. Prometi-lhe, então, que se saísse da cama e começasse a sentir-me um pouco melhor, me dedicaria a tentar publicar um livro. Como ainda estava muito fragilizada pelo impacto dos relatórios médicos e pela astenia física, fiquei-me por um livrinho pequenino com diferentes ecos de mim. A sensação prevalecente era mesmo de incompletude, daí o título, Dias Incompletos.

 

SMC - O que diferencia seu livro “Dias Incompleto” do seu livro “Idades pela chancela da Esfera do Caos”? Como foi a escolha do Titulo para o seu segundo livro publicado?

Ana Wiesenberger - Idades foi elaborado no início do ano de 2012, numa fase já de aceitação da doença e da necessidade de me restabelecer enquanto pessoa válida para a sociedade, uma vez que já não podia continuar a dar aulas devido à instabilidade com que a doença me atingia; nuns dias, tudo parecia normal, noutros, era acometida por um cansaço devastador. Assim, a escrita revelou-se-me como a única estrada possível com horizontes de realização pessoal. Por isso, poder-se-á dizer, que Idades já está inserido num projecto de apresentação do meu "eu" enquanto poeta.

Optei em Idades por reflectir as respirações distintas das fases de uma vida, começando pela infância, entrando na adolescência, pousando na idade adulta e terminando com a meia-idade vivida já sob a égide da doença e da proximidade da morte. A ideia é convidar o leitor a fazer a sua própria viagem, a vivenciar os seus momentos através dos meus.

 

SMC – Poeta Ana, onde podemos comprar os seus livros?

Ana Wiesenberger - Em Portugal o meu livro está disponível um pouco por todo o país, principalmente nas grandes livrarias, sem querer fazer publicidade às mesmas, posso destacar a Fnac, Bulhosa e Bertand; é possível também comprar em livrarias online como o Wook e a Livrododia. Evidentemente que os livreiros Brasileiros eventualmente interessados poderão entrar em contacto com a editora Esfera do Caos. Em relação à compra individual poderão sempre entrar em contacto comigo através do meu endereço electrónico, Ana.wiesenberger@gmail.com ou mesmo enviando-me uma mensagem pelo Facebook.

 

SMC - Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?

Ana Wiesenberger - O meu propósito raiz é alcançar o leitor indiferenciado, daí o meu poema-manifesto ser intitulado, Quero Trazer a Poesia Para a Rua, que também dá o nome ao meu blogue. Há nitidamente uma tónica posta na vontade de cativar os que normalmente não lêem poesia por considerarem que é uma leitura exigente, quase codificada e não tem de ser assim. A poesia é construída na sensibilidade dos dias e por conseguinte deve realizar uma relação de empatia com o leitor comum; não deve ser reservada às elites intelectuais. No entanto, ao dar corpo aos meus registos distintos, sei que vou direccionar-me para públicos diferentes. Gostava de editar a minha poesia, dita de intervenção e também de dar à estampa um livro mais intrincado devido ao seu cariz mais intimista e com ressonâncias de intertextualidade.

Contactos: Ana.wiesenberger@gmail.com

Facebook: Ana Wiesenberger

Blogue: http://querotrazerapoesiaparaarua.blogs.sapo.pt/

 

SMC – Escritora Ana de que forma você, hoje, divulga o seu trabalho?

Ana Wiesenberger - Em termos de divulgação, faço apresentações ao público sempre que posso, se bem que a minha vida espartilhada entre dois países, Portugal e Alemanha, acabe por não me permitir fazer de forma concertada esse trabalho que considero bastante estimulante. Entretanto, procuro divulgar o meu blogue que contém muitos inéditos e funciona em parceria com o Facebook, também como canal de divulgação. Além da página sob o meu nome, existe a outra mais pretensamente oficial, Pelas Letras É Que Vamos. Participo também em muitos grupos que dão primazia à expressão poética. Sempre que me é possível gosto muito de estar presente e intervir em tertúlias.

Conto ainda com as entrevistas na radio (uma pode ser vista e ouvida no youtube) e em publicações afectas à literatura. Tenho sido divulgada ocasionalmente em blogues que transcrevem poemas meus que vão ao encontro do perfil do blogue e a um determinado post.  

 

SMC - Quais seus próximos projetos literários? Pensas em publicar um novo livro?

Ana Wiesenberger - Encontro-me à data, a organizar o meu novo livro, que será desta vez um registo que exige um pouco mais de atenção da parte do leitor, no sentido em que a entrada no corpo do poema é mais vedada ou pelo menos, não prima pela leveza com que se consegue ler Idades. Arrisco-me conscientemente em lançar um livro que não terá a aceitação imediata do leitor comum, quer pela estranheza temática, quer pela presença de algumas referências literárias.  

 

SMC - Quem é a escritora Ana Wiesenberger? Quais seus principais hobbies?

Ana Wiesenberger - Sou uma pessoa muito acessível aos outros; gosto de dialogar com as pessoas, de as ouvir, de as sentir e de as observar. Adoro a natureza. Preciso muito de árvores, de mar e sou muito ligada ao calor do Sol e à beleza transcendental da neve. Gosto muito de animais e não concebo a minha vida sem eles. Tenho sempre vivido acompanhada pela companhia, pela ternura de filhotes de quatro patas, tanto cães como gatos.

Sempre pratiquei desporto; frequentava um ginásio perto de casa, fazia jogging e andava de bicicleta ocasionalmente. Agora, já não me é possível manter esse ritmo, mas faço um pouco de passadeira em casa para que os músculos não atrofiem.

O grande hobby que me define desde sempre é a leitura. Preciso de ler todos os dias e sou bastante ecléctica nas minhas preferências literárias.

 

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?

Ana Wiesenberger - Não me sinto qualificada para opinar sobre o mercado literário em Portugal. No entanto, parece-me que se devia apostar em mais edições acessíveis ao grande público, uma vez que as pessoas não podem adquirir livros a um preço "exorbitante" para as suas possibilidades, ainda mais nesta altura de crise no nosso país.  

Quanto à inserção dos novos escritores e sobretudo os novos poetas no mercado, a situação é muito complicada; as grandes editoras estão centralizadas em apostar nos nomes já feitos e nem mostram receptividade em relação à apreciação de obras de autores desconhecidos. Consequentemente o autor vê-se confrontado com a possibilidade de ser editado consoante se responsabilize por adquirir um número variável, mas sempre substancial de exemplares - chamam-lhe co-edição. Além disso, nem todas as editoras se ocupam de uma divulgação concertada.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a escritora Ana Wiesenberger, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Ana Wiesenberger - Gostava muito que os meus leitores comunicassem comigo, me dissessem como sentiram a leitura dos meus poemas. Nos meus primeiros dois livros não comuniquei às editoras que inserissem o meu endereço electrónico nas obras, mas vou corrigir essa situação nos próximos. Ainda na mesma linha, posso dizer, que é um enorme prazer ter leitores no Facebook e no blogue e receber os seus comentários.  

Enquanto mensagem de carácter mais geral, ambiciono que todos se olhem nos olhos; a indiferença e a apatia face ao outro, só conduzem à ruptura no tecido social. É importante construirmos uma cidadania activa, vermos o que se passa em nosso redor e intervir no sentido de prevenir, remediar situações; em suma, viver, de facto, em comunidade de forma responsável.

 

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