Antonio Eustáquio Marciano - Entrevistado

Antonio Eustáquio Marciano - Entrevistado

por Giuliano de Méroe

 

Nasci no centro oeste mineiro, Perdigão MG, indo depois para Belo Horizonte, trabalhar no serviço público. Em 1980, vim para Uberlândia, onde trabalhei no Banco do Brasil, até me aposentar em 2007. Daí passei a trabalhar como auditor e perito contábil. A faculdade de Ciências Contábeis, pós graduações na área muito me ajudam no exercício dessas funções. Há alguns anos, após estudar por cinco anos na escola diaconal da diocese, tornei me clérigo católico casado. Posteriormente, cursei o bacharelado em Teologia, com pós graduações nesta área e Ciência da Religião. Sou casado há 34 anos e tenho três filhas. Participei de dois livros (Emoções e Camarinhas de Poesia) e escrevi três: “Talita e Talia: porque os homens matam o amor”, romance religioso, uma releitura do evangelho de Marcos e narrativa de um fenômeno intrigante, do qual fui umas das primeiras testemunhas; “Bico de Pena”, poemas e causos em versos e “Tessalônica, principio de amor”, romance religioso, que sugere a comparação da ética cristã do primeira milênio com a que hoje vivemos.

 

“Penso que escreve-se, não por vaidade, mas por pura necessidade. O livro é um pedaço do corpo, da alma e do espírito de um ser humano. Ele precisa ser visto com reverência.”

 

Boa Leitura!

 

Divulga Escritor - Escritor Antônio Eustáquio Marciano, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, ao lermos sua biografia, ficamos curiosos com seu currículo. O senhor tem formação em ciências contábeis, com especialização em auditoria e controladoria; a seguir, graduou-se em Teologia e fez especialização em ciências da religião. Pode nos contar o que gerou essa mudança?

Antonio Marciano - Os cursos ligados à área das contas aconteceram porque eu trabalhei, por 28 anos, no Banco do Brasil. Na empresa, eu precisava ter estes conhecimentos. Saí do BB em 2007, por aposentadoria.  Continuei prestando serviços nessa área. Mas, desde jovem, julguei ser bom escolher uma referência pra seguir a vida. Preferi os ensinamentos do cristianismo. Sempre li muito sobre esse assunto. Tornei- me Diácono Permanente da Igreja Católica Romana, após 5 anos de estudos, ainda trabalhando do BB. Depois, resolvi me capacitar legalmente, cursando o bacharelado em Teologia e especializando-me em Bíblia e Ciência da Religião. Tudo para que eu pudesse conhecer bem o trabalho que desenvolveria e estivesse apto a responder a qualquer questionamento de quem quer que fosse.

 

Divulga Escritor - Qual o tema do seu livro “Talita e Talia: Por que os homens matam o amor?”?

Antonio Marciano - São duas histórias contadas simultaneamente. No primeiro século da era cristã, Talita, criança vê Jesus a caminho da Cruz. Percebe não ser ele um malfeitor, mas alguém que amava muito. Então ela dedica a vida a descobrir e tentar entender por que os homens matam o Amor? 30 anos, mais tarde, vê Jerusalém ser destruída e deduz que as pessoas perderiam a esperança. Lembra-se do homem crucificado e escreve sobre ele ao povo. É, na verdade, uma releitura do Evangelho de Marcos. Em 1971, aconteceu um fato intrigante, um fenômeno, na minha cidade, do qual eu fui a primeira testemunha. Deixo o leitor decidir se este fato tem a ver com a história acontecida havia quase 2000 anos.

 

Divulga Escritor - Seu livro de poemas “Bico de pena” é uma autodescrição?

Antonio Marciano - É um pouco sim. São histórias que aprendi com meus antepassados e me ajudaram a viver, superar as adversidades. Inspirado em meu pai, analfabeto, que, para educar seus filhos, usava uma didática própria: em vez de condenar o que era ruim, ridicularizava tudo que ele pensava que não devíamos dar importância. Assim, fez dos seus três filhos, pessoas de bem. Expresso no livro, também, a minha fé e a minha ética, além de contar algumas estórias do interior.

 

Divulga Escritor - Por que escolheu o nome Tessalônica, para sua obra – “Tessalônica, Princípio de Amor”?

Antonio Marciano - Existe quase unanimidade entre os historiadores de que o primeiro documento escrito do Novo Testamento é a primeira carta do apóstolo Paulo aos tessalonicenses. Não existiam ainda os evangelhos ou qualquer outro escrito. Assim, considero que a literatura cristã nasceu, de verdade, a partir deste documento àquela comunidade. Por isto, em Tessalônica, principiou-se o amor, que são os ensinamentos de Cristo.

 

Divulga Escritor - Pode explicar para nossos leitores, de maneira resumida, a diferença entre Ciências da Religião e Teologia?

Antonio Marciano - A Teologia parte sempre de uma verdade absoluta, sobre a qual não está em questão qualquer contestação, o sentido supremo de cada coisa. Trata de Deus e de tudo que se refere a ele, ou seja, o universo: a criação, a salvação, etc. A Ciência da Religião, tenta mostrar que as verdades religiosas, mitos ou doutrinas dizem respeito ao universo simbólico religioso e é passível de compreensão. Procura, escolhendo livremente a pesquisa e o método de interpretação, saber o que o mundo pensa da Teologia. Não há antagonismos, uma ajuda a outra.

 

Divulga Escritor - Em sua especialização em Teologia, há alguma passagem bíblica que mais interessou sua investigação?

Antonio Marciano - Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos a ser escrito, sendo fonte para os outros. É um livro pequeno, mas de grande significado. Vi nele uma tentativa do autor de mostrar ao povo da época que a esperança não acabara, quando da destruição de Jerusalém em 70 dC. Transformei este autor (a tradição diz que é Marcos) em uma mulher, Talita. Ela mostra o poder que tinha o homem Jesus de Nazaré de transformar aqueles que se aproximavam dele. Ele tinha o poder de arrancar lá de dentro dos seres humanos a vida que se ia e trazê-la de volta. O livro teve como origem a monografia de conclusão do curso de especialização em Teologia, com ênfase em Bíblia.

 

Divulga Escritor - Quando se pós graduou em Ciências da Religião, percebeu maior afinidade com algum campo temático?

Antonio Marciano - Pude comparar os fundamentos do hinduísmo com o catolicismo, encontrando muito em comum. Entretanto, o hinduísmo é uma religião que crê na reencarnação, enquanto o cristianismo / catolicismo crê na ressurreição. Despertou me muito interesse estudar o que significa “Cristo” para os cristãos. Concluí que há um grave erro. Enquanto muitos cristãos veem Cristo como oportunidade para se obterem benesses materiais, eu vejo a ensinar capacidade de amar e doar. Nisto está o sentido da vida, nisto está a felicidade.

 

Divulga Escritor - Onde poderemos comprar os seus livros?

Antonio Marciano - Loja virtual da Editora Assis:

 http://www.assiseditora.com.br/loja/ajuda_email.asp

Meu site

http://marciano.sitepx.com/

Livraria Pró Século Uberlândia MG

https://www.facebook.com/livraria.proseculo

 

Meu email

marcianno@yahoo.com.br

precision1000@hotmail.com

 

Divulga Escritor - Como você vê a literatura no Brasil?

Antonio Marciano - Para mim, existe uma diversidade muito grande de autores e estilos, o que faz rica a literatura brasileira. Vejo muita gente nas livrarias, mas em alguns lugares do Brasil lê-se pouco. Temos bons escritores, mas percebo pouca vontade de pessoas importantes, autoridades, em se falar de leitura. Vejo iniciativas de popularizar o livro, sem sucesso, às vezes, até pela maneira com que é feito isto. Infelizmente, não tenho visto o livro como prioridade no Brasil.

 

Divulga Escritor - Quais melhorias sugere para o mercado literário brasileiro?

Antonio Marciano - Conseguir publicação por uma grande editora é muito difícil. Os autores iniciantes acabam tendo que depender das escassas verbas governamentais destinadas à cultura ou tentar patrocínio de cidadãos e empresas ou então arcar sozinho com os custos. Pronto o livro, as grandes livrarias não querem arcar com custos de logística e fiscais, o que é até compreensível por causa da nossa realidade. As editoras pequenas, que fazem o livro, têm pouca condição de ajudar a distribuir. O escritor independente escreve e fica sem saber o que fazer com o produto, dadas as dificuldades em comercializar o livro por questões burocráticas. Muito talento está sendo perdido. É necessário que os pequenos autores se unam para trabalhar em prol desta causa.

 

Divulga Escritor - Estamos chegando ao fim da entrevista. Obrigado por sua participação no Projeto Divulga Escritor. Estamos felizes pelo contato com sua ampla cultura e conhecer os seus livros. Que mensagem deixa para nossos leitores?

Antonio Marciano - Vejo o livro como algo que estava na nossa alma gritando para que o deixássemos sair. É como uma criança, ao atingir os nove meses de gestação no ventre da mãe e precisa sair para o mundo. Penso que escreve-se, não por vaidade, mas por pura necessidade. O livro é um pedaço do corpo, da alma e do espírito de um ser humano. Ele precisa ser visto com reverência.

 

 

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