Aparentemente Fofa - por L. A. Tecau

Aparentemente Fofa - por L. A. Tecau

Por L. A. Tecau

 

Catarina estava perdida. Não profundamente perdida, não estava afundada em dívidas,  tampouco atravessava uma crise existencial. Apenas queria saber o nome de uma rua do centro de Curitiba. Ou seja, estava tecnicamente perdida, embora não em apuros. Simpática, bela e muito comunicativa, armou o sorriso em direção a uma velhinha acima de qualquer suspeita. Ou fofa, como diria a própria Catarina.

 Com licença, pode me…

Não!, respondeu a velhinha aparentemente fofa e simpática.

Mas eu só preciso de uma informação e…

NÃO!!! , confirmou a velha lazarenta, uma oitava acima do tom normal de uma conversa civilizada.

O tempo passou. Alguns anos depois, Catarina deixou para trás Curitiba e foi morar no mato. Feliz da vida, numa casinha com paredes anti-lagartixas e piso anti-cobras, cercada de monitores, câmeras e todos os dispositivos high techs disponíveis no mercado. Virou uma capiau moderna, uma Lara Croft de shortinho, chapéu e celular na cintura.

Certo dia, nossa heroína fincava uma peixeira num grande robalo quando viu um carro se aproximando na estradinha de pedras. Largou o peixe e foi em direção a porta. Ao abrir, uma velhinha fofa, simpática e encharcada até a alma, armou um sorriso amarelo e implorou:

Pode me ajudar, minha filha? Acho que me perdi e não consigo achar o caminho de volta.

Então Catarina se lembrou da cidade grande, de uma tarde bem peculiar em Curitiba, da solidariedade das pessoas. Acariciando a faca, armou um sorriso diferente e disse:

Está perdida, vovozinha? Pode apostar que sim…

E então um relâmpago iluminou a face daquelas mulheres, a perdida e a vingada.

E a intensidade da chuva aumentou.

 

Publicado em 10/01/2014

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