Apesar de você - por Eliane Reis

Apesar de você - por Eliane Reis

Apesar de você


Tantas polêmicas, tantas discussões, tantos prós e outros tantos contras; ultimamente falar sobre a vida alheia tem sido prioridade para algumas pessoas, na verdade, não só falar; mas condenar, julgar e tecer mil e uma críticas em função das escolhas que não nos dizem respeito. O mundo e as pessoas, por sorte, vivem em transformação. Se isso não acontecesse, talvez ainda estivéssemos como nossos ancestrais puxando as mulheres pelo cabelo ou “quebrando a cabeça” para conseguir fogo. Viva a evolução!
Todavia, é lastimável ver o quanto o ser humano, às vezes, consegue ser patético, cínico e fútil. Em pleno século XXI, era mais que avançada, era em que lutar pelos direitos tem sido uma constante na vida daqueles que ainda sofrem por não fazerem parte de padrões ou não obedecerem a preceitos ditados por “deuses” que ainda não aprenderam a cuidar nem de si mesmos. São tempos novos, e guerras diárias são travadas por pessoas que lutam por liberdade, lutam para se verem livres das grades do cárcere do seu próprio “eu”. São tempos novos, isso é fato. Mudar é preciso! Talvez no lugar de apontar o dedo, o “ser dotado de virtude” poderia estender a mão. Parece-me mais humano, mais decente, mais divino. Há algum tempo, um certo Galileu falou sobre isso, Ele tinha uma tese muito bacana e argumentos incontestáveis; costumava dizer para atirar a primeira pedra que não tivesse pecado. Eita, cara bom! Sou fã dele, ele sabia o que estava dizendo. 
Fico chocada quando vejo pessoas brigando para que seus direitos prevaleçam sobre os direitos dos outros, discutindo e agredindo o próximo verbalmente ou fisicamente em virtude de suas escolhas, cuidando de coisas inúteis que não interferem na boa evolução do ser humano, ao invés de se ocuparem com coisas que, realmente, merecem relevância. É desanimador abrir o jornal e ver a notícia de uma garotinha que não pôde se manifestar em relação à sua religião, ver em capas de revistas pessoas desfiguradas _ porque amaram de um outro jeito_ presenciar cenas de pessoas sendo barradas em restaurantes por não pertencerem a determinados parâmetros.
Isso tudo não só é triste, mas doloroso! Veja bem, meu caro, isso não só se refere às questões sexuais apenas (embora essa temática tenha sido motivo de inúmeras discussões), o problema está em ações mais amplas, porque virou “moda” julgar e apedrejar; virou rotina (nada poética) exigir que o outro faça aquilo que eu entendo como certo. Santa hipocrisia! Santa ignorância! Ei? E o livre arbítrio fica onde mesmo? E o direito de ir e vir (resguardado pela Constituição)? 
É certo que ainda estamos longe de ter todos os nossos direitos protegidos pela lei, é certo que ainda há muito por se fazer para que o mundo se torne um lugar um pouco melhor, um lugar onde as pessoas possam ser o que são, possam manifestar seu credo, possam ter orgulho de sua etnia, possam ser ricas ou pobres, possam ser magras ou gordas, possam amar meninos ou meninas, possam ser jovens ou idosas, possam ser isto ou aquilo, sem medo, sem culpa, sem serem apedrejadas ou mutiladas por palavras e ações.
É tão simples fazer a minha parte, é tão simples você fazer a sua parte. Essa intolerância toda usada como arma letal não tem sido eficaz, não serve para nada, ao contrário, há de fazer com que algozes se tornem vítimas de si mesmos. O tiro pode sair pela culatra. Se há tanto tempo sobrando no seu dia para julgar, deve haver também no seu dia, no meu dia, no nosso dia tempo para levar calor para quem está passando frio, visitar quem está doente, regar uma planta, fazer um poema ou ver um pôr do sol. Mas perder tempo para se importar com a vida do outro? Parece-m, sinceramente, muito inútil e absurdo; isso não aquece, não conforta, não produz e não satisfaz (pelo menos não deveria satisfazer).
Meu bom amigo, não é nossa incumbência julgar, isso se houver um delito para julgar (porque, na maioria das vezes, o crime é uma ficção criada por autores egocêntricos). Se puder respeitar, ótimo! Mas, se respeitar for tarefa impossível, mantenha-se isolado em seu mundinho de contos de fadas, de faz-de-conta; porque apesar de você, apesar de mim, apesar de tudo, o mundo está mudando e muito ainda haverá de se transformar. Apesar de você!

P.S. Eu poderia usar inúmeras passagens bíblicas para defender minha tese, mas prefiro não envolver a Sagrada Escritura nisso, porque essa não é uma questão divina, mas humana; e o ser humano é falho.

 

Eliane Reis

 

 

 

 

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