As consequências bio-psico-sociais do abuso sexual em adolescentes - por Fabiana Juvêncio

As consequências bio-psico-sociais do abuso sexual em adolescentes - por Fabiana Juvêncio

AS CONSEQÜÊNCIAS BIO-PSICO-SOCIAIS DO ABUSO SEXUAL EM ADOLESCENTES

 

            As conseqüências de uma violência sexual praticada contra crianças e adolescentes podem ser físicas, psicológicas ou de comportamento, todas igualmente prejudiciais para quem sofre a violência (BALLONE, 2004).

 

Físicas

 

            Felizmente, os danos físicos permanentes como conseqüência do abuso sexual são muitos raros. Dentre as conseqüências orgânicas temos lesões físicas, doenças sexualmente transmissíveis, disfunções sexuais etc. E ainda distúrbios de sono e alimentação, dificuldades de aprendizagem, fugas do lar e uso de álcool e drogas (AZEVEDO, 1988). Para o exercício da sexualidade adulta (MORGADO, 2001). Segundo o autor a desconfiança no sexo oposto, o desconforto e a falta de prazer na relação sexual com parceiros.

A conseqüência do abuso sexual depende sempre do tipo de abuso sofrido, da repetição com que isto ocorreu no decorrer da vida do indivíduo, da idade que os abusos foram acometidos e da possibilidade de denunciar ou de falar sobre o assunto (QUEIROZ, 2006).

Evidente que cada indivíduo reage de forma diferenciada, mas as marcas desse registro podem desdobrar-se de várias maneiras (QUEIROZ, 2006):

- O corpo é sentido como profano, há perda de integridade física,sensações novas são despertadas mas não integradas,a vítima expressa a angústia de que algo se “quebrou” no interior do seu corpo;

- As perturbações do sono são constantes e traduzem a angústia de baixar a guarda e ser agredido sem defesa;

- Dificuldade de lidar com seu próprio corpo considerando-se pouco atraente;

- Comportamento autodestrutivo, levando o adolescente parar de brincar, desinteressa-se pelos estudos, fecha-se em si mesmo, torna-se lento ou inquieto. O adolescente pode também manifestar sinais de violência, mostrando-se muito irritado e pouco tolerante quando o elogiam;

- Sexualidade vista como punitiva, com culpabilidade, sem prazer, podendo interferir de forma traumática no jogo da sedução, erotização, oferecendo possível dificuldade de relacionamentos sexuais na vida adulta.

            A face mais assustadora desse fenômeno é a banalização da violência que passa a ser vista como natural, restando aos que são afetados aprender a conviver com ela. É enorme o impacto dessa violência estrutural e conjuntural nas relações interpessoais (ARAÚJO, 1996).

            As pesquisas apontam que quando se trata de abuso sexual ocorrido no espaço doméstico e familiar, há uma maior predominância do homem como agressor e da mulher como vítima (AZEVEDO; GUERRA, 1988; COHEN, 1993; SAFIOTI, 1997).

            A revelação do abuso sexual produz uma crise imediata nas famílias e na rede de profissionais. A complexidade dos processos envolvidos exige uma abordagem multidisciplinar que integre os três tipos de intervenção: punitiva, protetora e terapêutica(AZEVEDO; GUERRA, 1988; COHEN, 1993; SAFIOTI, 1997).

 

Psicológicas

 

            As conseqüências psicológicas são subdivididas em dificuldades de adaptação afetiva, interpessoal, sexual (AZEVEDO, 1988).

 A recuperação emocional dependerá, em grande parte, da resposta familiar ao incidente. As reações das crianças ao abuso sexual diferem com a idade e com a personalidade de cada uma, bem como a natureza da agressão sofrida. Uma, bem como a natureza da agressão sofrida (RYFF, 1989).

            O bem-estar subjetivo inclui, segundo RYFF (1989), auto-estima, auto-aceitação, auto-determinação, relações sociais positivas, orientadas pelo respeito, qualificação e acolhimento, superação de medos, opressões e fatores de tensão que prejudicam a tranqüilidade e a saúde. 

A literatura aponta que crianças ou adolescentes podem desenvolver quadros de depressão, transtorno de ansiedade, alimentares, enurese, dissociativos, hiperatividade e déficit de atenção e transtorno do estresse pós-traumático (BRIERE; ELLIOT, 2003; COHEN et al., 2001, DUARTE; ARBOLEDA, 2004, DEBLINGER; HEFLIN, 1999).

Entretanto, o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é a psicopatologia, mais citada como decorrente do abuso sexual e é estimado que 50% das crianças ou adolescentes que foram vítimas desta forma de violência desenvolvem sintomas de TEPT (COHEN, 2003; SAYWITZ et al., 2000).

As manifestações do TEPT são agrupadas em três categorias  (ABRAPIA, 2003):

- Experiência contínua do evento traumático (lembranças intrusivas, sonhos traumáticos, jogos repetitivos, comportamento de reconstituição, angústia nas lembranças traumáticas);

- Evitação e entorpecimento (de pensamento e lembranças do trauma, amnésia psicogênica, desligamento);

- Excitação aumentada (transtorno do sono, irritabilidade, raiva, dificuldade de concentração, hipervigilância, resposta exagerada de sobressalto e resposta autônoma lembranças traumáticas).

Em nível de traços no desenvolvimento da personalidade, o abuso sexual pode estar relacionado a futuros sentimentos de traição, desconfiança, hostilidade, dificuldades nos relacionamentos, sensação de vergonha, culpa, auto-desvalorização, baixa auto-estima e à distorção da imagem corporal (BALLONE, 2004).

O período de readaptação depois do abuso pode ser difícil para os pais e para o filho. Muitos jovens abusados continuam atemorizados e perturbados por várias semanas, podendo ter dificuldades para comer e dormir, sentindo ansiedade e evitando voltar à escola. As principais seqüelas do abuso sexual são de ordem psíquica, sendo um relevante fator na história da vida emocional de homens e mulheres com problemas conjugais, psicossociais e transtornos psiquiátricos. Antecedentes de abuso sexual na adolescência estão fortemente relacionados a comportamento sexual inapropriado para idade e nível de desenvolvimento, quando comparado com a média das crianças e adolescentes da mesma faixa etária e do mesmo meio sócio-cultural sem história de abuso (BALLONE, 2004).

 

Sociais

 

Em longo prazo, as vitimas geralmente apresentam dificuldades de aprendizagem. Ballone (2004) cita alguns efeitos do abuso sexual sofrido por crianças. Entre eles estão os atrasos de linguagem, déficit cognitivo, agressividade, rejeição por parte de outros grupos, abuso de álcool, drogas e, ate mesmo, com tendência a tornarem-se delinqüentes quando adultos.

 

Conseqüências na Escola

 

            A escola não dispõe da infra-estrutura necessária para o desenvolvimento de tarefa tão delicada, em primeiro lugar, porque consideramos inadequadas as chamadas aulas de educação sexual (SILVA, 2004).

            No Brasil somos contrários às aulas de educação sexual. Admitimos a educação sexual feita, preferencialmente, de forma individual e por pessoa realmente habilitada (SILVA, 2004).

            Não estamos de acordo com aqueles que preconizam a educação sexual feita em grupos de ambos os sexos. Julgamos que a orientação sexual deve ser feita pelo serviço de orientação educacional, apenas para tratar questões sexuais quando estas são motivadas por intensas provocações sociais (SILVA, 2004).

            A responsabilidade da iniciação do adolescente nas praticas sexuais não é tarefa da escola. Somente o lar reúne condições morais e psicológicas para dar a um assunto tão delicado como a educação sexual, uma orientação sabia e eficiente (SILVA, 2004).

            Em pesquisa de Rangel (1995), confirmaram-se argumentos ao princípio de que a aprendizagem é facilitada pela associação ao afeto e ao prazer que a relação educativa pode e (deve) proporcionar. Assim, a dor da vergonha, do medo, da ansiedade e a tensão do estresse sem dúvida são fatores antagônicos à formação do conhecimento e da personalidade.

            A liberdade, o acolhimento, a qualificação gera segurança e estímulo a processos sócio-cognitivos e atividades práticas que colaboram no sentido da consolidação de pensamentos favoráveis à aprendizagem e às relações sociais. Nesse mesmo prisma, as agressões, por palavras, ironias ou gestos de indiferenças ou ridicularização podem ser um obstáculo ao envolvimento e à expressão da inteligência, ocasionando um estado de paralisia mental e psicológica. O molestamento e a discriminação sexual, como formas de abuso, podem causar o mesmo efeito (RANGEL, 1995).

            A solidão, a depressão, os suicídios podem ter na sua gênese o abuso das palavras, que se expressam em piadas, nas brincadeiras, nas ironias, no menosprezo, determinados por preconceitos ou estereótipos excludentes (RANGEL, 1995).

            As conseqüências do abuso sexual, dependendo sempre do tipo de abuso sofrido, de repetição que isto ocorreu no decorrer da vida do individuo, da idade que os abusos foram acometidos e da possibilidade de denunciar ou de falar sobre o assunto (QUEIROZ, 2006).

            Evidente que cada indivíduo reage de forma diferenciada, mas as marcas desse registro podem desdobrar-se de varias maneiras (QUEIROZ, 2006):

            - O corpo é sentido como profano, há perda da integridade física, sensações novas são despertadas mas não integradas, a vitima expressa a angustia de que algo se “quebrou” no interior de seu corpo;

            - As perturbações do sono são constantes e traduzem a angustia de baixar a guarda e ser agredido sem defesa;

            - Dificuldade de lidar com seu próprio corpo considerando-o atraente;

            - Comportamento autodestrutivo, levando a criança a parar de brincar, desinteressa-se pelos estudos, fecha-se em si mesma, torna-se lenta e inquieta. O adolescente pode manifestar sinais de violência, mostrando-se muito irritado e pouco tolerante quando o elogiam;

            - Sexualidade vista como punitiva, com culpalidade, sem prazer, podendo interferir de forma traumática no jogo da sedução, erotização, oferecendo possível dificuldade de relacionamentos sexuais na idade adulta.

            A face mais assustadora desse fenômeno é a banalização da violência que passa a ser vista como natural, restando aos que são afetados aprender a conviver com ela. É enorme o impacto dessa violência estrutural e conjuntural nas relações interpessoais (ARAÚJO, 1996). 

 

 

 

 

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