As cores do dia - por Carmen Jacques Larroza

As cores do dia - por Carmen Jacques Larroza

As cores do dia

 

          Segundo se sabe, as cores têm significados. Será verdade mesmo? Ou será mito? Ou será mais uma crença popular? A humanidade  se apega a qualquer coisa, para preencher seus vazios, para ter sua tábua de salvação. O ser humano tem um espaço vazio em seu coração. O espaço espiritual. Esse espaço tem que ser preenchido, paea que se mantenha o fôlego de vida. Por isso, existe essa pluralidade de religiões, de amuletos. 

Crê-se em pedras, em plantas, em horóscopos, cartomancia, etc.... etc.

          O  verídico é que elas estão ai, fazendo parte da vida, colorindo o visual. Até os próprios olhos, que contemplam as cores, têm suas cores. Pensemos em um exemplo lindo o mais perfeito de cores.

          Chuva e sol; arco-iris no céu! Em sua simplicidade, uma criação de Deus para alegrar, encantar e inspirar. Suas cores mesclam-se, e se torna, praticamente, imperceptível seus limites, seus horizontes, os quais, são tem definidos e delineados em desenhos de papel. 

Intrigante, não é mesmo?

          Se é verdade que cada cor tem seu significado, eu não sei, já que são variáveis. O que sei é que o arco-íris é o cumprimento da promessa que Deus fez a Noé. Nunca mais acabaria com a humanidade, valendo-se do dilúvio. Cada vez que o arco-íris se apresenta, vemos a rubrica de Deus cumprido a promessa. Graças  a Deus! Ele não é político. 

          Atualmente, meu arco-iris é  diário. Contudo, difere  do original, já que se constitui de três cores apenas. As vezes bem delineadas, por vezes sem começo nem fim delimitados. Vão se fundindo e confundido que não consigo precisar, no tempo e no espaço,  o começo e o fim de cada uma. Fazem-se emaranhadas na retina da memória. 

        Porém, tentarei falar do que me é perceptível, ainda que sejam mutantes.

        Minhas manhãs iniciam cedinho. São cinzas e cheias de perguntas, que só serão respondidas um dia, ou no escuro da noite, ao calar do dia. Essas interrogações injam-se com  medicamentos, lanchinho e um sono cansado, de uma noite mal dormida, Uma noite  enferma que mantém a meu lado, na cama, gemidos e suspiros.

        As tardes são  ocres; são terracota. Raramente, amarelo-claras, ainda que brilhe o sol, junto a pingos de chuva, nunca se posta o arco-iris, para a fazer radiante ou de esperança. Não se faz cartão postal para um par de olhos que chove, para a poeta cantar. Será o amarelo a cor da tristeza?

          As minhas noites são negras. Cheias de insegurança ante o fantasma que espreita com os seus olhos de morte, seria o medo, o meu dilúvio? Só sei que me sinto criança, fazendo perguntas ao medo, ao amanhã, que me aguarda. Será o seu abraço gelado? Ou inundado pelas águas?

          Quem me dava segurança, agora, precisa dela. E eu do sobrenatural para dar o que não tenho, para dar o que perdi. Às madrugadas medicamentosas, sinto "os ventos uivantes". Não no morro, mas na cama onde me deito.

          A certeza, deste momento: o meu arco-iris é dourado. Foi um voto firmado por uma aliança de ouro. 

Meu arco-iris dourado é sem promessas de amanhã. É o agora. O que importa o depois, se eu sinto nesse instante?

 

 

 

 

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