Audálio Alves - por Eduardo Garcia

Audálio Alves - por Eduardo Garcia

Audálio Alves, poeta, advogado, jornalista, professor e bacharel em Letras Neolatinas, membro da Academia Pernambucana de Letras, nasceu em Pesqueira/Pernambuco em 02/06/1930 e morreu no Recife em 08/04/1999. Foi Diretor de Assuntos Culturais da Fundação de Arte de Pernambuco (Fundarpe), Ex-presidente da União Brasileira de Escritores (Seção Pernambuco), Diretor do Espaço Pasárgada (Casa de Manoel Bandeira), Diretor do Suplemento Literário do Jornal do Commercio (Recife) e criador do movimento poético “Espectralismo”.

Bibliografia:

Caminhos do Silêncio (1954); Alicerces da Solidão (1959); Olhar dá sede (1961); Canto Agrário (1962); Romanceiro do Canto Soberano (1966); Canto da Matéria Viva (1971); Canto por Enquanto (1982); Espaço Migrante (1982); O dia amanhece em minhas mãos.

Abre-se a toalha,
E a mesa se compõe
De minha companheira e cinco filhos
(que o sexto ainda não fala
e apenas sabe
querer os nossos braços e pousar) 
Seguem-se os pratos e costume
e a fome
com seu garfo e sua faca
a divagar

O cotidiano em Audálio Alves está presente em vários poemas de seu livro Canto da Matéria Viva, editado em 1970, pela Livraria Editora Cátedra Ltda., do Rio de Janeiro:

Virgínia,
           Minha mulher,
parte todas as manhãs e realiza
enorme viagem,
sem sair de casa.

...

ao chegar à garagem
nos dias de inverno,
cuido do chão
para evitar insetos

Escreve para os amigos como Carlos Pena Filho, Cezário de Melo, Mauro Mota e tantos outros. Da morte do poeta Carlos Pena:

Maldito quem me lembre e quem te esqueça,
                                                     Amigo,
quando falo de amigo, quero vê-lo.
Insone tenho o polvo da memória

 Os animais e a natureza presente do interior e o Recife:

Poeta, mais civil,
da linha solitária do universo,
eu, Recife,
venho entregar
meu rosto a tuas sombras

Há na sua poesia, grande influência lírica ibérica:

Beija-me,
como espinho de rosa mutilada.
Beija-me,
que não sei o que dizes...

Ainda com mais profundidade e intimismo:

...sobre o chão de teu corpo
perco vida
mas
das cinzas do teu ventre
ressuscito...

    ... Morrias em Praça,
e em chamas:
muitos puderam ver
a pressa com que Deus se deslocava 
nos extremos da carne iluminada.

Para o estudante Demócrito de Souza Filho, depois da sua morte, no livro Canto Agrário, editado pela Fundarpe:

Quem, no Recife, chegar 
à Praça da Independência, 
ao ver o solo sem manchas
e o ar sem cicatriz, 
não pergunte onde é que foi
o sacrifício do Homem

Escreveu para luta racial dos Estados Unidos que provocou o homicídio do líder pacifista Luther King:

...Amigo, em teu país
Há lençóis de uma argila condenada...

Denunciou a estrutura feudal da propriedade agrária brasileira.

Mantenho a punhos fechados
                 o quanto posso
                    de espaço
recolher com as mãos abertas

Mais adiante:

...Talvez saltando de aceiro,
            dedo e dente
           assim trincados
leve o futuro na mão...

Na visão de Audálio Alves, a seca.

... Flagelados dizem-se
    e, ao dizer, se vão da vista
    nossa
    como rude aparição
    Confundidos ficaremos,
    se, após passarem eles,
    não passar o burro e o cão...

Enfim, para o poeta diz:

...Faze de bronze o homem de
   amanhã
   de ouro, as foices
   e de aço essa visão do tempo
   inicial
   Só assim terei meus mortos sossegados...

 

Fonte:

http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=302&catid=50

 

Vejam também:

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/audalio_alves.html

 

Pesquisa e Comentários

Luis Eduardo Garcia Aguiar

Conheça outros parceiros da rede de divulgação "Divulga Escritor"!

 

       

 

 

Serviços Divulga Escritor:

Divulgar Livros:

 

Editoras parceiras Divulga Escritor