Camadas em Películas - por Anchieta Antunes

Camadas em Películas - por Anchieta Antunes

         “CAMADAS EM PELÍCULAS”

 

         _Meu filho, vá logo até sua Praça querida “tirar seu retrato”!

         _No “lambe-lambe” pai?

         _Claro! Onde mais?

         Tirar retrato no lambe-lambe já foi pratica comum nas cidades do interior e até mesmo em algumas Capitais. Não era vergonhoso por  ser a única maneira de se conseguir uma foto, digo, retrato 3x4 no momento, sem espera de um dia ou mais. Eu mesmo tirei meu retrato muitas vezes.

         Com o tempo e o ingresso da tecnologia, o lambe-lambe transformou-se em atração turística, recordação de um tempo que não volta mais. Os visitantes de outros lugares não tinham nenhum pejo em se sentar na cadeira em frente à maquina coberta com um pano preto, fazer uma cara sisuda, ou soltar uma grande gargalhada. Era um momento “idílico”, porque o retratado e o fotógrafo amavam aquela maquina mágica no meio da Prada da Saudade.

         O que me intriga até hoje é o fato de se dizer: “TIRAR” retrato.

         Tirar o quê, de onde? Por que –tirar- ?  Por que não dizer “fotografar? O termo fotografar não existia? Intuo que não se conhecia o substantivo: MÁQUINA FOTOGRÁFICA.  Será que se dizia: máquina de tirar retrato? Não lembro! O homem que tirava os retratos era uma pessoa respeitada pela “complexidade” da profissão. Só ele sabia transformar você num pedacinho de papel, apertando um botão (diziam “pera”) mágico.

         Voltemos ao “tirar”, que para mim soa como se alguém ou alguma coisa tivesse o poder sobrenatural, e mágico de tirar de alguém uma finíssima película de seu ser, de sua pessoa física, de suas carnes, ou de seu perfil. Isto me leva a concluir, logicamente, que nós somos feitos de uma quantidade incomensurável de finíssimas películas, uma sobreposta a outras, até formar nosso corpo inteiro. Vou admitir que para cada dia de nossa vida, corresponde uma camada desse material vivo, jovem, maduro e velho ao mesmo tempo, na proporção direta do passar dos tempos. A primeira camada é jovem, a ultima é velha. A jovem com as dobrinhas do bebe, a velha com as ruguinhas  da velhice. As camadas subjacentes vão se revelando à medida que o tempo escorrega na nossa rua de vida, ou quando um acidente ou incidente se faz presente à nossa revelia. Essas camadas não se regeneram, elas apenas vão embora sem nem mesmo se despedir, sem dizer: “vou ali e  volto já”. O ato de a retirar já a deixa esgarçada, quebradiça ou mesmo irreconhecível, não tem como voltar; e, pergunto, voltar pra quê? A juventude só se vive uma vez, sem garantia de retorno. A segunda camada é mais espessa que a primeira, e assim sucessivamente, até que chega à última, uma lixa gasta e descolorida; uma pele quase morta, quase insensível, quase sem vida, quase um “adeus”. à `volúpia da idade dos movimentos eletrizantes.

         A nossa sorte é que como não há mais o “Lambe Lambe” nas praças da cidade, como não mais podemos “TIRAR retrato”, não vamos mais retirar uma película de cima de nós mesmo, e assim não podemos envelhecer, por mais que queiramos; será que isto é o “elixir da eterna juventude?

         Nem tudo é perfeito, mas de tudo podemos tirar algumas vantagens, sem enganar ninguém, neste caso, “SEM ENGANAR A VIDA”.

 

ALAOMPE

Anchieta Antunes – Copyright

Gravatá – 26/07/14.

 

 

        

         

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