Carta para Francisco - por Mirian M. de Oliveira

Carta para Francisco - por Mirian M. de Oliveira

Carta para Francisco

 

São José dos Campos, outono de 2013.

 

Querido Papa Francisco,

Como vai?

Tudo bem?

Espero que esta carta o encontre bem, munido de saúde física e da unção de Deus!

Papa Francisco, permita-me a não formalidade! Não consigo utilizar-me dos pronomes adequados nesse instante, tão grande é o carisma de Vossa Santidade e tão evidente sua humildade: estampada em rosto sereno. Sinto-me à vontade para utilizar expressões informais e descontraídas, “tecendo” meu coração em palavras, algumas vezes sem sentido, outras vezes, repletas de conteúdo. Considero-o como uma divindade muito próxima: um santo em carne e osso! Minha ousadia brota desses sentimentos de aconchego, de acolhida, de bondade...

Pois bem... Amado Papa Francisco, nesse momento em que me permito esboçar alguns pensamentos, aproveito para discorrer sobre sentimentos humanos que martelam em meu coração e, muitas vezes, tiram-me o sono... Somos filhos do Pai Eterno; respiramos sob Sua Proteção, mas viver é complexo demais, demanda um esforço mental muito grande e uma verdadeira abertura de coração! Somos seres instáveis! Isso não é novidade, eu sei!... ainda mais para um líder da Igreja!

De certezas e incertezas, seguimos nossos percursos, por vezes tortuosos, por vezes, lineares. A vida é isso mesmo: um intenso e importante ciclo, composto de idas e vindas, de afetos e desafetos, de tristezas e alegrias... mutante em sua essência (movimento puro!)... VIDA, IDA, VINDA... Para que servem os erros? Na arte de “ser humano”, os erros são grandes amigos, que nos ajudam a virar as páginas do livro da vida. É preciso aprender com eles e recomeçar! O recomeço é contínuo: não há início, meio e fim; há vida!

A verdadeira sabedoria está em despojar-se das máscaras da perfeição e assumir-se enquanto aprendiz do “viver”... Isso é o mais importante! Todo educador é aprendiz: um pouco adulto... um pouco criança! Falo em nome dos educadores, porque sou professora e me atrevo a filosofar sobre nosso papel na sociedade e sobre alguns sentimentos que permeiam nossa classe. Sou também servidora pública e todo servidor é, inevitavelmente, aprendiz! Não há como negar esse fato, nem classificá-lo, cartesianamente, pois educar está, intrinsecamente, ligado ao aprender. Nunca conseguiremos aprisionar as ideias e os conhecimentos, pois eles voam e se transformam infinitamente. Ideias são borboletas, que voam sob todas as cores e formas... mas... e a sabedoria? Sabedoria é uma bela palavra anciã, desejada por muitos e difícil de conceituar!

Sei que mais do que conhecimentos, almejamos este dom. Mas o que é sabedoria? Como posso alcançá-la em minha simples e rotineira vida: no trabalho, na convivência familiar? Questões, questões, questões!

Tenho uma família que depende de mim e trabalho o tempo todo com seres humanos!

Quão doce é o ofício de ensinar, quando se tem consciência desse contínuo processo de construção e reconstrução do ser! Quão doce é o ofício de servir, quando nos percebemos como instrumentos do Pai!

Somos, realmente, seres inacabados e qualquer tentativa de chegar à perfeição é sempre permeada por frustrações e atropelos. Somos seres errantes: sedentos de luz e de amor. A vida é uma grande Escola, que nos põe à prova em todo momento.

Aprenderemos até a morte e isso é fato! Ninguém se sinta dono da Verdade, pois essa só é revelada por Aquele que nos criou.

O Grande Mestre dos Mestres ressaltou em uma de suas preciosas reflexões:

“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”. (Jo 12, 24-26)

Ricas palavras para tão pequeno entendimento!

É preciso morrer, para viver. Morte e vida são pontas da mesma linha. A vida em plenitude só é possível, no cumprimento dos Projetos de Deus; precisamos incorporar esse mistério. Nenhum projeto, sem as mãos do Pai, vingará... Aquele que nos conduz, é o mesmo que nos capacita, para o exercício de nossos ofícios!

Que honra poder servir ao Criador! Nada somos sem Ele!

Como filhos queridos de Deus, temos o compromisso de utilizar nossos talentos, em prol de causas maiores, capazes de ultrapassar os pequeninos projetos que idealizamos, sem os dedos de Deus! É mais fácil desprender-se do chão e mergulhar no Projeto Divino.

Glória a Deus por esses talentos! Somos felizes, porque Deus nos confiou várias tarefas!

Papa Francisco, encerro por aqui, destacando que Deus lhe deu muitos dons. Oro, todos os dias, para que estes se multipliquem geometricamente, tamanha é sua responsabilidade de liderar seres carentes e sedentos da “água viva”, como eu. Que Deus o revista de Sua armadura e o proteja em suas ações.

Se esta carta pudesse me retratar, fielmente, nesse momento, como em uma fotografia, você (Vossa Santidade!) poderia visualizar a felicidade que me invade! Meu rosto transborda de alegria! Obrigada por ler esta carta, escrita sob forte emoção! Paz e Bem!

Fraternal abraço de quem muito o admira,

Mirian Menezes de Oliveira

 

IN:  ANTOLOGIA “CARTAS PARA FRANCISCO” – EDITORA OFICINA DO LIVRO

 

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