Chaves que não abrem - por Carmen Jacques Larroza

Chaves que não abrem - por Carmen Jacques Larroza

Chaves que não abrem

 

      LIMITE! Esta é, nesse exato momento, a minha palavra-chave.

A vida está cheia delas. Portanto, a vida, em sua complexidade, é o Aurélio particular das palavras-chaves de cada um, em  determinado tempo ou situação. Sejam elas mono ou polissílabas.

O fato  é que existem! Agora, a minha é um jargão: Não aguento mais. Estou no ápice  do meu limite. Se é que exite ápice, para esse iceberg...

Meus olhos, não aguentam mais contemplar o finir-se lento, arrastado e sem pressa de chegar. Meus ouvidos tornaram-se mais aguçados, apesar  de os desejar surdos, para os sussurros desconexos e o chamar por pessoas  amadas, mas que, entretanto, desapareceram (des)solidarizadas - para não usar outro adjetivo - com o sofrer desse que sempre disse "sim", a quem precisasse.  A qualquer dia, a qualquer hora. Sempre estava atento a necessidade  do outro. Bom semeador, mantinha a terra pronta ao plantio.

Amor é atitude. Atitude é, também, gratidão. Não é palavras filosóficas bem colocadas, em um português castiço. Palavras? O vento leva, como as penas de uma almofada. Palavras? Precisam ser documentadas, para que não  se percam. Atitudes não se desfazem. Fez-se? Está pronto. Não se desfaz um gesto de carinho, minutos gastos dedicados ao próximo, o ouvir um

desabafo... São semeaduras frutíferas.

Uma presença, ainda que calada, significa um "Estou aqui."; um "Não estás só." É vida, é alegria para quem está sobre um leito de dor. Minha palavra-chave anseia uma companhia, mesmo que  surda-muda.

Meu limite está  na solidão que sinto à noite, enquanto a cidade dorme e eu velo o meu amado, agarrada ao, também meu, sentir abandono.

Minha alma não chora. Simplesmente ruge como fera ferida caçada pelos seus algozes.

Impotente, assisto uma voz, enfraquecida, chamando alguém amado, mas que, no entanto, se faz ausente, distante do leito ...

Senhor, dai-me forças para esquecer, perdoar e ignorar os ingratos. AfinaL, cada um dá o que tem! Ajuda-me, para que eu jamais os imite.

 Ajuda-me  a muito valorizar os sempre presentes.  Amplie os meus limites.

Amém.

 

 

 

Conheça outros parceiros da rede de divulgação "Divulga Escritor"!

 

       

 

 

Serviços Divulga Escritor:

Divulgar Livros:

 

Editoras parceiras Divulga Escritor