Cibele, melhor não contrariar... - por Glauce Leite

Cibele, melhor não contrariar... - por Glauce Leite
Cibele, melhor não contrariar...
 
 
Era incrível, ela realmente acreditava naquele mundo que criara para sua felicidade. Não, ela não estava errada, é preciso sim acreditar, pensar positivo para seus sonhos realizar, mas daí mentir... O pior é que ela acreditava tanto em suas próprias fantasias que não percebia a reação alheia.
 
Desde criança, Cibele inventava um mundo fantástico e o descontava nas bonecas como toda criança faz, mas o problema é que aquela história de príncipes, princesas e bruxas más ela conta até hoje.
 
A última foi o namorado médico, alto, bonito, rico e apaixonadíssimo por ela, estava louco par casar, ela, mais cautelosa, preferia namorar mais um pouco para se conhecerem melhor... Ele vivia viajando devido aos congressos, por isso ainda as amigas não o conheciam, mesmo o namoro já tendo completado seis meses.
 
Ela contara que o conhecera na casa de uma miga, que não fazia parte do círculo comum de amizades que tinha, portanto nenhuma delas a conhecia, e que desde o momento que ele colocou os olhos nela, não parou de admirá-la, de ligar e de convidá-la para jantar insistentemente. Afinal de contas ela era a mulher mais linda e inteligente que ele conhecera.
 
A verdade é que nenhuma das amigas acreditava mais nela! No começo até perdiam horas no telefone falando sobre o suposto namorado, feito ou aquisição de Cibele. Elas chegavam acreditar na existência de um paquera, só questionavam a veracidade dos fatos, das palavras de amor dele, do preço real daquela calça, enfim... Sabiam que Cibele não gostava de ficar por baixo. Para ela não ser desejada tanto quanto gostaria ou não possuir os mesmos ou melhores bens que os das amigas era ficar por baixo.
 
Com o passar do tempo, as amigas mudaram sua conversas a respeito de Cibele, diziam:               
 
 - Você viu a última da coitada da Cibele?    
 
- Ai, ai, qual?
 
- O namorado médico, rico e apaixonado.
 
- kkkkkk...
 
Coitada, chegou um ponto que limitaram as conversas dirigidas a ela. Falavam com Cibele somente o que era real, a roupa que estava usando, a última desgraça televisionada, quando ela não conhecia as vítimas né... Ou sobre a vida de uma das meninas do grupo.
 
Cibele perdera toda a credibilidade com as amigas, sua sorte é que gostavam dela por causa do seu jeitinho meigo e amigo de ser. Mas se você dizia que acabara de comprar um carro, ela também o faria. Se pretendia viajar, ela também iria para um lugar mais caro, claro.
 
No começo as amigas chegavam a se irritar com a falta de noção de Cibele, mas depois pararam de falar, sorriam e mudavam de assunto. Passaram a trata-la como uma irmãzinha mais nova, até presentinhos bobinhos ela passou a ganhar. O engraçado é que Cibele foi perdendo aquela postura independente que tinha conquistado com seu próprio esforço. Afinal, formara-se em nutrição na melhor Universidade do Estado, mas conforme os quarenta se aproximavam mais infantil ela ficava.
 
As amigas já não aguentavam mais aquelas invenções cada vez mais fantasiosas e absurdas. Chegaram a ser cruéis e cobraram uma data definitiva para Cibele apresentar o namorado. Ela não se deixou abalar, pediu que esperassem e que enviaria um e-mail marcando data e lugar. Três dias depois as quatro amigas receberam o tão esperado e-mail. “Eu e meu amor esperamos vocês às 18h à Rua João Ferreira, nº402." Meu príncipe está ansioso para conhecê-las.  
 
Os telefonemas começaram:
 
- Você viu que presteza?
 
- Nossa! Agora acho que é verdade heim!
 
- Estou me sentindo mal, tadinha...
 
 Chegaram a se sentirem culpadas por terem sido tão cruéis e “más amigas” com Cibele.
 
Na sexta-feira, conforme o combinado, as quatro se encontraram no endereço indicado no e-mail de Cibele. Era uma clínica psiquiátrica.     
 
 

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