Colocando Os bichos pra fora - Reflexão sobre o preconceito e a discriminação - por Téia Camargo

Colocando Os bichos pra fora - Reflexão sobre o preconceito e a discriminação - por Téia Camargo

 

COLOCANDO "OS BICHOS PRÁ FORA"! REFLEXÃO SOBRE O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO.

 

Esta semana passei por uma experiência sublime!

 

Alguns de vocês devem ter visto um post no facebook em que voluntários se apresentavam com um pequeno quadro e ali escreviam a frase mais preconceituosa de que já tinham sido vítimas. Tais manifestações fazem parte do projeto de uma aluna de Antropologia da UNB, cujo objetivo era trazer à tona a discussão sobre o racismo, aquele mesmo sobre o qual somos categóricos em afirmar que não praticamos.

 

Eu achei a ideia o máximo, ainda mais pela coragem das pessoas que se expuseram “dando a cara” para externar a maior injúria que já sofreram.

 

Daí, seguindo essa linha, mas sem grandes expectativas, propus aos amigos do meu perfil a seguinte questão:

 

“Qual foi a frase mais preconceituosa que você ouviu a seu respeito”? “Chute o balde” e conte para todos os que as pessoas “sem noção” falaram sobre você sem medir consequências.

 

E para minha grata surpresa, não é que muita gente se manifestou e contou situações vexatórias, intimidadoras e surreais pelas quais passaram?

 

Os depoimentos íntimos, extraídos das profundezas da dor, da degradação e da humilhação, são chocantes, revoltantes e ainda que possam ter alguma conotação de humor negro, merecedores de todo o meu repúdio.

 

Li coisas horríveis, cruéis, desumanas e acho que indignação é uma palavra suave e gentil para descrever o que senti ao me dar conta do quanto somos desprezíveis como seres humanos e o “tantão” que falta para que possamos ser considerados “Gente”, com letra maiúscula e na melhor acepção do termo.

 

Usamos com frequência termos grosseiros, mesquinhos e desabonadores com habituais “saco de pancadas”, vítimas pertencentes a grupos de minorias e de notórias intolerâncias. Até aí nenhuma novidade, não é? Mas a maledicência, a ofensa e a discriminação vão além, têm garras amplas e atingem quase todo mundo, com raras exceções.

 

Nesses depoimentos me deparei com diversas raças, credos, cores, pesos, opções sexuais, idades, temperamentos, alturas, escolaridades, profissões, culturas, tradições, nacionalidades, naturalidades, idiomas, origens, enfim, com tudo o que – eu imagino – dá graça, sedução e mistério à maravilhosa diversidade que resulta naquilo que somos como humanidade.

 

Achincalhar o que é diferente do “padrão”, desrespeitar o que foge ao “senso comum” ou desprezar o que se destaca do “habitualmente aceito” é discriminar o semelhante, é formar um juízo pré-concebido em relação ao outro, mas é também deixar escapar a riquíssima oportunidade de conhecer melhor essas diferenças e quem sabe, se render aos seus encantos.

 

Por Téia Camargo,

 

Maio/2015

 
Link para acessar a publicação original http://blogfv.com.br/colocando-os-bichos-pra-fora/
 
 
 
 
 

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