Conceição Oliveira - Entrevistada

Conceição Oliveira - Entrevistada

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Conceição Maia Rocha de Oliveira é natural e residente em Aveiro, Portugal.

É Licenciada em Português e Francês pela U. de Aveiro, diplomada pela Escola do Magistério Primário e pela Aliance Française. Frequentou a Universidade de Coimbra.

Faz parte de diversas Associações e Agremiações Culturais (nacionais e internacionais) Obteve diversos Prémios, Menções Honrosas e Destaque Cultural (Literatura/Pintura).

Publicou em Jornais escolares, Informativos locais, e é coautora em Colectâneas, Antologias, Agendas e Revistas Culturais (Portugal, Brasil e Moçambique).

Publicou LABIRINTO DE PALAVRAS, Poesia, pela editora Temas Originais, 2012;

TEMPO SEM HORAS, Contos, pela editora Vieira da Silva, 2013;

DA RAÍZ (transparências), Poesia, Palimage, Edições Terra Ocre, 2014;

RAMIRO e o MOLICEIRO (entre a Ria e o Palheiro) infanto-juvenil, 2016.

 

“O primeiro, é um livro muito mais simples, do ponto de vista linguístico e literário. Depois, a motivação de um não tem nada a ver com a do outro. Apesar de tudo, há um ponto comum… a inquietação, sempre. O poeta é um ser inquieto.”

 

Boa Leitura!

 

Escritora Conceição Oliveira é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que veio primeiro o gosto pela escrita ou pela pintura?

Conceição Oliveira - O gosto pelas duas acompanha-me desde a infância. Como acontece com quase todos os que escrevem ou pintam... É aí que germina a paixão. Adorava ilustrar as minhas composições, as minhas cópias e até o caderno de matemática, feitas as contas… resolvidos os problemas… o que restasse de quadrículas era preenchido com “garatujas ou floreados dos mais diversos”. Desenhar sobre a lousa (ardósia) para poder apagar (com relativa facilidade) e refazer, era uma verdadeira aventura… Cheguei a ser castigada por distração, desenhando. Com doze, treze anos, ganhei um pequeno prémio, com um trabalho ilustrado sobre um Moliceiro, na Escola Comercial e industrial de Aveiro e esse facto deu-me energia para prosseguir um primeiro curso ligado às artes. Depois, em crescendo, pela aprendizagem e pelo desenvolvimento cognitivo, abraçamos essa paixão e esmeramo-nos ao máximo para prosseguir.  Já adulta, e exercendo pedagogia, era frequente escrever ou rabiscar qualquer coisa que me ocorresse enquanto aguardava que os alunos resolvessem os seus testes (nunca fui professora de marcar terreno, vigiando ao milímetro… deixava-os à vontade enquanto escreviam) e, assim, proveitava todos os pedacinhos de tempo para ativar mãos e espírito…

Em resumo, posso afirmar que o gosto pelas duas atividades surgiu muito cedo e em simultâneo.

 

Em que momento se sentiu preparada para publicar o seu primeiro livro solo?

Conceição Oliveira - Foi sempre um objetivo meu partilhar escritas e pinturas mas não propriamente em livro. A Pintura foi exibida ao público muito antes do meu primeiro livro visto que expus, pela primeira vez e individualmente, em 1984. Esta primeira exposição ocorreu no Salão Cultural da Câmara Municipal de Aveiro e teve algum sucesso já que foi visitada por inúmeras pessoas e, das 25 obras expostas, mais de metade foram adquiridas. Um ano depois, participei numa Colectiva com os Artistas de Esgueira. Entretanto, determinadas circunstâncias da vida, levaram-me a um interregno. Não na atividade em si, porque continuei pintando, mas no que toca a exposições. Dediquei-me a cem por cento à profissão e à família, durante largos anos. Quanto à escrita, para além de participar com pequenos artigos, ou poemas, em jornais locais e de escola, só me senti preparada a publicar o primeiro livro a partir do momento em que me aposentei. Aí, sim, pude fazê-lo tranquilamente e com alguma margem de segurança.

 

O que a motivou a publicar o seu livro de poesia “Labirinto de Palavras”?

Conceição Oliveira - “Labirinto de Palavras”, o meu primeiro livro de poesia, surgiu da necessidade de proceder a uma catarse que me ajudasse a lidar com duas perdas familiares que muito me afetaram. Fui escrevendo, como terapia. Depois, retirei alguns escritos da gaveta, reorganizei, pedi opinião a pessoas ligadas à poética, entrei em contacto com um editor e decidi avançar para a publicação. Aconteceu na primeira metade do ano de 2012.

 

Conte-nos um pouco sobre esta obra literária.

Conceição Oliveira -  Todos nós temos os nossos próprios labirintos que erguemos, ou nos erguem, em dados momentos da vida, aprisionando-nos. Como refere no Prefácio, Xavier Zarco, “Labirinto de Palavras traz-nos uma ideia dual, um desígnio que a palavra labirinto em nós acorda: Dédalo e Ícaro. Se, por um lado, se sente a necessidade de exteriorizar a memória, dizendo-a através da palavra poética, organizando assim a matéria: sombras, escombros, ruídos, imagens… num autêntico labirinto, por outro, vai-se criando a precisão do voo, o sair dessa mesma criação. (…) como se nos dissesse que, mesmo partindo, esse instante é sempre um ponto onde urge regressar…”

É, pois, um livro de escrita simples, onde se equacionam sentimentos, sonhos e inquietações.

 

Que tipo de poesias foram publicados em “ Da Raiz (transparências)?

Conceição Oliveira -  Em Da Raiz (transparências), sentimentos, louvor, inquietações e estados de alma conjugam-se numa poética que possa traduzir uma forte ligação a estes dois componentes naturais – Água e Terra - aos quais estou, intrinsecamente, ligada.

Parafraseando o poeta João Rasteiro que teve a amabilidade de tecer um gracioso comentário para a contracapa do livro, deixo aos leitores o entendimento das suas palavras…“este livro, em sua utopia de mar e terra, é o cântico lírico da ave, o náufrago entoando ‘a minha casa é a ilha onde aporto em tempestades’ é celebrar as coisas do mundo olhadas de azul, é mergulhar e entranhar os pés em terra fresca alimentando o corpo, o físico e o da poesia, de todas as emoções e frutos, alvoroços e carpos, sílabas e verbos”.

 

O que diferencia “Labirinto de Palavras” de “Da Raiz”?

Conceição Oliveira -  Há, de facto, grandes diferenças que penso serem imprescindíveis de cada vez que se escreve um novo livro. É como quem pinta uma tela. Tem de haver novidade, a não ser assim, não há arte, não há criação. As coisas evoluem, não são estáticas. As diferenças verificam-se sobretudo a três níveis: estrutural, conteúdos e recursos estilísticos. O primeiro, é um livro muito mais simples, do ponto de vista linguístico e literário. Depois, a motivação de um não tem nada a ver com a do outro. Apesar de tudo, há um ponto comum… a inquietação, sempre. O poeta é um ser inquieto.

Entre um e outro surgiu um livro de pequenas narrativas (contos) onde ficção e realidade se entrecruzam para dar lugar a cenas recambolescas, divertidas ou algo dramáticas. “Tempo Sem Horas” é a minha segunda publicação onde se inscrevem seis contos cujo fio condutor se prende na "condição feminina" (do nosso país) ao longo dos tempos.  Cenas triviais, que deambulam entre os anos 60 e os nossos dias e onde a mulher tem sempre um papel preponderante. Numa das narrativas (Guardar as Saudades) há alusão a um facto histórico que marcou a sociedade portuguesa -  A Revolução dos Cravos que colocou fim a um regime ditatorial. E sempre a presença feminina, por perto, numa espécie de louvor à sociedade matriarcal que nos regeu por largas gerações (muito por conta das guerras e da emigração).

E é no terceiro livro “Da Raiz (transparências)”- que retomo a poética (num  hino à água e à terra) numa homenagem ao meu espaço e ao povo que a circunda, que deu e continua a dar, suor, sangue e vida em odisseias de sobrevivência.

 

Tem um horário especial para escrever?

Conceição Oliveira -  Sim, tenho. Sou noctívaga por natureza ao que acresce a deformação profissional já que o imenso trabalho (extra escola) foi sempre levado a cabo durante a noite que é quando há mais sossego. Além disso, trabalhei com turmas de cursos pós-laboral, durante anos. Tudo se conjugou para que este hábito permanecesse. Escrevo pela noite dentro quando o (quase) silêncio é possível.

 

Onde podemos comprar os seus livros?

Conceição Oliveira -  Os dois últimos, “Da Raiz (transparências) e o infantojuvenil “Ramiro e o Moliceiro – Entre a Ria e o Palheiro” estão à venda um pouco por todo o país nomeadamente em algumas livrarias da minha cidade de Aveiro (Livraria da Universidade de Aveiro, Livraria Tricana…), em todas as Livrarias Almedina, na Bertrand Livreiros (on-line ou por encomenda) na Wook (grupo Porto Editora) e estão também disponíveis na FNAC por encomenda.  Do mesmo modo, a PALIMAGE, Edições Terra Ocre, vende on-line, mas não só.

Eu própria, comprei à editora e vou vendendo nas apresentações ou quando me solicitam (por e-mail, telemóvel e facebook, o mais comum).

Quanto ao primeiro, “Labirinto de Palavras”, está esgotado. Do segundo,  “Tempo Sem Horas”, possuo os últimos 20 exemplares que comprei à editora e vendo quando me solicitam.

 

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Conceição Oliveira -  Escrever, escrever. É um gosto enorme. Primeiro para mim, preciso de o fazer, contribui para o meu equilíbrio mental. Depois, partilhar ideias, conhecimentos, estados de alma,  é o apelo. É visceral, quase um vício. Publicar, só quando considero que tem viabilidade e é oportuno economicamente. Não sinto necessidade de publicar a qualquer preço mas apenas (e só) depois de uma análise (profunda) para que não seja mais uma publicação, no meio de tantas,  que os amigos compram. O meu objetivo principal é que os meus escritos sejam recebidos e entendidos num contexto socialmente abrangente e, para tal, procuro, cada vez mais, aperfeiçoar técnicas de escrita e desligar-me do EU, tentando que a mensagem chegue ao todo.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a autora Conceição Oliveira. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Conceição Oliveira -  A minha mensagem é que leiam. Muito. Tanto quanto possam. É um hábito salutar, constitui uma forma barata de viajar e de evasão. Só assim entenderão os filhos, a família e a sociedade. Poderão conhecer o mundo e entrar nas mudanças que se operam a um nível galopante. Que nos façam chegar o feedback , motor do entusiasmo (ou não) para continuarmos e podermos melhorar. O escritor quer um mundo melhor e só existe em função do leitor. Quem lê, vive.

 

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