Conversa Paralela - por Karem Schumacher

Conversa Paralela - por Karem Schumacher

CONVERSA PARALELA

 

 

-Então, você é meu anjo da guarda?

-Sim.

-Imaginava você totalmente diferente, não sabia que anjos podiam ter esse aspecto tão moderno, você parece David Bowie.

-Posso me parecer com o que mais se aproxima do seu intelecto, você prefere imagens e situações inusitadas não é mesmo?

Essa conversa surreal acontecia enquanto ela sentava em sua varanda ao cair da noite, durante muito tempo eles conversavam apenas em pensamento, mas o anjo decidira que era hora de uma apresentação visual.

A aparição ou melhor dizendo as mensagens sonoras que aconteciam invariavelmente de uns tempos para cá, tinham se tornado uma espécie de encontro constante, onde ela costumava questionar sua própria vida e os caminhos que seus passos haviam tomado.

Vivera anos em situação de extrema loucura e perdição, havia se vendido barato por nada, perdera tudo, estava vazia, se sentia morta em vida, não queria continuar, estava tentando acabar com tudo quando ele apareceu.

-Então é assim? Você vai mesmo cortar os pulsos?

Ela não se assustou quando o viu, parecia já tê-lo visto era seu conhecido.

-Ah, você está aqui, resolveu adotar uma forma visual, que bom para você, mas me parece ser tarde, veja, as veias já estão abertas, logo tudo vai acabar.

-Você acredita que será realmente o fim?

-Não sei, logo vou descobrir.

-Acho que não.

O barulho que vinha de fora do banheiro a deixou alarmada, alguém havia chegado, logo estariam batendo na porta do banheiro.

Depois a confusão, gritos, correria, escuridão.

Acordou em uma cama de hospital, ele estava ali sentado na poltrona dos acompanhantes, parecia esperar que ela acordasse.

-Bem, vejo que você trabalha rápido, falava baixo devagar, se sentia fraca e cansada.

-Entenda, não era a hora certa, você precisa continuar por aqui.

-Mas não quero.

-Não importa, no seu caso não é você quem decide.

Desde o episódio de sua tentativa de suicídio ele a acompanhava por todos os lugares, uma criatura que ela não conseguia descobrir se era real, ou fruto da sua imaginação, ele, com sua aparência moderna ao mesmo tempo atemporal, sempre com seu aspecto de rock star, seu anjo da guarda, seu tormento, sua insanidade.

Acostumara-se, gostava dele, discutiam, ela fazia perguntas que ainda não podiam ser respondidas, talvez coubesse a ela mesma descobrir em vida, ele a amava, costumava fumar seu cigarro enquanto conversavam, ela preferia que assim fosse, dessa maneira ela podia se considerar menos louca.

Suas conversas eram importantes, ele lhe contava coisas terríveis, mas em seus momentos de paz, ele deixava que ela caminhasse sozinha, não queria perde-la, ela era importante, por mais que nunca tivesse acreditado quando ele lhe dizia isso.

Ela era parte de algo maior, ele não podia contar, tinha que deixar que ela trilhasse seu caminho sem interferências maiores, o fato de estar presente na sua vida já era em si uma alteração que poderia interferir na sua história, ele sabia disso, tudo fazia parte de um plano que poderia resultar em desastre e loucura, ou em benefícios, tudo dependeria dela.

Haveria um quarto com paredes acolchoadas para ela em breve.

 

 

 

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