Copa do Mundo no Brasil - Proteste - por Silva Neto

Copa do Mundo no Brasil - Proteste - por Silva Neto

Copa do Mundo no Brasil – Proteste! – por Silva Neto

 

Avizinha-se a tão sonhada Copa do Mundo de Futebol no Brasil.

Depois de 64 anos, bem que merecíamos sediar uma Copa do Mundo em melhores condições do que a atual.

Muito embora o critério de escolha não seja por merecimento e sim por sorteio, se por merecimento fosse, já teríamos sediado, não só um, como vários eventos mundiais.

Basta citar que durante esse tempo fomos Campeões do Mundo cinco vezes. Revelamos craques estimáveis como Pelé, Garrincha, Gerson, Zagalo, Bellini, Zico, Ronaldo, Romário e tantos outros. Exportamos jogadores para os melhores times europeus e de outros continentes. Ensinamos a África e os Estados Unidos jogar futebol. Levamos nossa ginga à Europa e aos quatro cantos do mundo, tornando os jogadores de cintura grossa maleáveis, através dos dribles desconcertantes. O Brasil, na realidade, exportou futebol, rendeu divisas de história e fama, sendo reconhecido em todo o mundo. Outros fatores positivos poderiam ser citados para justificar, coroar e atrair a maior festa do futebol mundial para nosso País.

Porém, isto não é preponderante.

Somente agora fomos coroados com a sorte grande, e aceitamos promover o tão sonhado evento, justamente, quando firmamos nossa democracia, colocamos um pé além da linha mediana do crescimento econômico, sendo essas as únicas razões justificáveis para realizarmos uma Copa do Mundo.

Bem sabemos que a FIFA enriqueceu às custas do futebol. De humilde autarquia, tornou-se pomposa, soberba, poderosa, orgulhosa e discriminatória. Há cinqüenta e dois anos a FIFA permitiu houvesse uma Copa do Mundo no Chile, País da América do Sul, carente de tudo, na época, para sediar uma Copa. Contam que seu sistema de transporte era precaríssimo, sendo utilizado trem urbano, Maria Fumaça, para transportar os jogadores e os torcedores. Lá, não houve tamanha exigência do tão decantado Padrão FIFA. A Copa aconteceu sem maiores transtornos, sem “frescuras”, apesar da citada carência e outras mais. Hoje, os padrões são outros, dizem.

O que não justifica é a exigência descabida da FIFA, colocando-nos em pé de igualdade com países como: Inglaterra, Alemanha, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França, Japão, Coreia do Sul, protagonistas de Copas do Mundo, alguns, até mais de uma vez, com Estádios modernos, Sistema de Comunicação, Hotéis, Aeroportos, Transportes Urbanos, Acesso aos Estádios, tudo de primeiro mundo.

O Brasil, representado pela CBF, embarcou nesse conto de fadas, sendo assediada pelos políticos. Estes, com o fito, único e exclusivo de tirarem proveito no ano de eleições, mesmo o Brasil sem condições mínimas para sediar a Copo do Mundo, dentro das atuais exigências da FIFA, transformaram as Cidades protagonistas de jogos da Copa em verdadeiros canteiros de obras.  Deu nisso!  Estádios monumentais sendo construídos às pressas, aeroportos com reformas em atraso, meio de transporte indefinido sem vias de acesso confiáveis, mobilidade comprometida, insegurança, inconformismo  e prenúncio de grandes comoções sociais em todas as cidades onde serão realizados Jogos da Copa.

Deus que tenha piedade de nós! 

E o povo brasileiro?

O que podemos dizer dessa miscelânea de aberrações? Rios e rios de dinheiro jorrados em menos de cinco anos de preparação, fomentando a malquerença entre as classes sociais carentes, não carentes, amantes do futebol ou não. Nosso sistema de saúde, educação, transporte e segurança em frangalhos.

O que se espera de um povo sacrificado como o nosso frente a tal descalabro político-eleitoreiro?!

Corrupções, mau uso do dinheiro público, criminalidade em índices alarmantes, falta de leitos nos hospitais, precariedade no sistema de ensino público, insuficiência de transportes, falta de saneamento básico nas Cidades e, agora, falta do elemento essencial para a sobrevivência humana, água, na maior Cidade do País. Em vez de água nas torneiras, dinheiro sendo vazado pelo ralo.

A verba direcionada para a educação seja na esfera municipal, estadual ou federal, só chega até o meio do ano. As escolas entram em greve estendendo o ano letivo ao ano seguinte, sem falar nas condições físicas precárias de nossas escolas públicas, enquanto obras faraônicas são construídas, muitas delas inoperantes após a Copa do Mundo.

O que vamos fazer?

Protestar?

Que forma de protesto?

Sair pelas ruas quebrando tudo? Ateando fogo nos ônibus? Saqueando lojas? Enfrentando a Segurança Pública de forma hostil?

Não!

Mesmo porque, dando vazão a essa forma de protesto estamos indo de encontro a nós mesmos, ao nosso patrimônio.  Semelhantes a doentes mentais rasgamos nossas próprias roupas, enquanto o outro lado fica rindo de nós.

Não haveria outra forma de protesto mais civilizada?

Que tal tornarmos alheios aos fatos?! Aproveitarmos os intervalos de horas de jogos para descansarmos, lermos, passearmos?! Mesmo assistindo aos jogos (aqueles que gostam), não torcerem por a, ou b, apenas, pelo bom futebol, se existir em campo? Afinal, essa festa não está sendo feita para nós.

Tanto isso é verdade que começaram a esconder nossas próprias mazelas.

Esconder por quê? Esconder justamente de nós que estamos acostumados a ver!

Por que, somente agora, demolir as barracas dos humildes vendedores de nossas cidades?

Antigamente existia uma carroça, chamada  “carrocinha”, de tração animal, que recolhia os cães vira-latas soltos pela minha cidade. Era o terror dos cães em dias de captura. Lá vem a “carrocinha”!... Os animais corriam, latiam, grunhiam, tremiam de medo, enquanto um exército de homens com laços em punho pegavam e sacudiam os pobres cães dentro da carroça. Levavam para abrigos mal cuidados ou para fábrica de fazer sabão. Uns fugiam e retornavam às ruas.

Semelhante está acontecendo em nossas cidades protagonistas de jogos da Copa. Só que não são os cães capturados. Hoje, os cães são tratados como gente de bem! São seres humanos, mesmos, justamente aqueles que perambulam pelas ruas, bêbados, abandonados, doentes mentais esquecidos pelas famílias, existentes em toda cidade.

Estão sendo escondidos dos turistas, é claro, para não fazerem vergonha.

São levados a abrigos, (provisórios) e, depois da Copa, voltarão ás ruas.

Gente! Estamos semelhantes a uma criança com fome, sendo enganada por uma cantiga de ninar.   GooooooooooooooooooooL! Brazil! Zil! Zil!Zil!

João Bezerra da SILVA NETO – Colunista - DIVULGA ESCRITOR

e-mail: Joao.digicon@gmail.com

 

 

 

 

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