Corpo flutuante - por Francisco Luis Fontinha

Corpo flutuante - por Francisco Luis Fontinha

Corpo flutuante

 

Um corpo flutuante nas arcadas nocturnas do medo

o fumo negro da saudade

que sobeja de um cigarro embriagado

tu

tu não vês... que há pássaros poemas

e poetas pássaros

tu

tu não vês... que há palavras disparadas de uma espingarda

um soldado que tomba

e sonha

e flutua...

o corpo flutuante sobe ao cimo da montanha,

 

grita

chora...

e ausenta-se da neblina cinzenta,

 

são horas de adormecer

o cansaço espera o corpo flutuante que aos poucos se solta das cordas do silêncio...

parece sofrer

mas... mas o medo permanece impávido

na parada da insónia

são horas do corpo flutuante renascer

brincar

e... e... e deambular sem correntes calçada abaixo

em direcção ao mar

grita

chora...

e ausenta-se da neblina cinzenta.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

 

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