Criatividade emocional - por Maurício Duarte

Criatividade emocional - por Maurício Duarte

Criatividade emocional

 

                Muito se falou sobre inteligência emocional graças a novos estudos ou não tão novos assim. Tais pesquisas culminaram com a popularização de conceitos psicológicos e na publicação de muitos livros na área, dentre eles o “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman.

                Gostaria de expor aqui o que entendo disso por outro ponto de vista dessa mesma questão; abordando a criatividade emocional.  Existem muitos tipos de inteligência: física, artística, matemática e... emocional.  E a inteligência é qualidade máxima e inquestionável em qualquer uma delas, sendo a palavra final para decidir quem é mais capaz numa determinada área.  Pode ser, no entanto, que não seja imediatamente reconhecida por muitos motivos e situações que podem mascará-la ou até inibi-la e eliminá-la.  Mas a criatividade é, ao contrário, um fator reconhecível em qualquer campo de forma imediata quando nos deparamos com a sua presença.  Por que é assim?  Porque a criatividade é a inteligência de bom humor, é o toque do tempero na comida, é genialidade na obra de arte.  Sendo, o que eu diria, uma qualidade âncora, a criatividade, quando içada, é o que nos coloca em curso das potencialidades de uma determinada solução para qualquer problema. Ela nos mostra, como num baralho de cartas, quais opções temos e, se estivermos antenados, escolheremos a melhor carta, trazendo dinâmica às nossas possibilidades. 

E, além disso, podemos inclusive não gostar ou até detestar aquela ideia, aquela possibilidade, porém não discutiremos a sua originalidade ou a sua autenticidade.  Por que razão? Porque as relações não se padronizam tão facilmente como gostaríamos ou como alguns gostariam. Existem n tipos de relacionamento, desde a amizade sincera até a paixão romântica arrebatadora, desde a simpatia até o ódio. Sim, o ódio também é uma relação.  Hoje, as variedades de relacionamento são quase que a ordem do dia.  Gays, lésbicas e simpatizantes estão entre os mais criativos emocionalmente. Isso não se pode negar. Mas não é sobre esse tipo de criatividade que quero discorrer.

Quero falar de desprendimento desinteressado, quero falar de abnegação sincera, quero falar de renúncia a favor do bem, quero falar de serviço voluntarioso, quero falar de amor divino.  Sentimentos, valores, ideias que não são mais levadas em conta porque, talvez, sejam consideradas fora de moda ou porque nunca foram devidamente explicadas e, quiçá, experimentadas.  Ser a favor delas é, segundo o ponto de vista corrente, ser tradicionalista, conservador ou, no mínimo, careta.

Contudo, invertendo esse sinal, aponto para outra direção com essa mesma proposta.  Ser caridoso, ser bom, ser honesto, ser altruísta é, sem sombra de dúvida, ser criativo emocionalmente.  Por que digo isso?  Porque “o botão do foda-se”, como se diz, é ligado constantemente e deixado ligado, esquecido ligado por longas horas, senão pelas horas do dia inteiro por uma grande parcela da população.  Será que chegamos a esse ponto?  Eu tenho quase certeza que sim.  Porque os heróis de hoje são os anti-herois e aproximam-se mais com a atitude e a atividade de vilões do que de qualquer outra coisa.  Por que o “in” é estar sempre por cima e se “dando bem” em qualquer circunstância.  Por que o “off” é qualquer coisa que leve a um aprofundamento interior ou que negue a superficialidade.  Por que viver na moda é estar em um eterno hedonismo sem tocar, sem se aproximar do verdadeiro êxtase espiritual, esse veementemente afastado.  Por que falar de como você curtiu bem ou esteve em alta para seus amigos é o que deve ser feito para continuar como “top”.

Não quero dizer que nunca liguei “o botão do foda-se”.  Acredito que tenha ligado muitas e muitas vezes ao longo da minha vida. E pode ser saudável estar-se naturalmente egoísta, pensando-se no amor próprio ou em estágios iniciais de todo desenvolvimento espiritual onde é preciso amar a si mesmo antes de partir para outros amores compartilhados. Mas as lembranças com as quais me sinto à vontade, as lembranças com as quais me sinto orgulhoso ou, pelo menos, em harmonia comigo mesmo, são aquelas em que me recordo de ter me importado verdadeiramente com outra pessoa, com um amigo, uma namorada, um parente, alguém próximo ou mesmo, um desconhecido com quem tive a oportunidade de trocar, partilhar ou simplesmente encontrar.  São esses momentos memoráveis que nos levam a seguir em frente de cabeça erguida.

No nosso contexto atual, isso é o que eu chamo de criatividade emocional.  E se você ainda não se conveceu desse ponto de vista, experimente pôr à prova o 2º mandamento de Jesus: “Amar ao próximo como a ti mesmo”, tentando colocá-lo em prática no seu cotidiano.  Porém antes tenha em mente que esse mandamento, assim como o 1º: “Amar a Deus acima de todas as coisas”, foram originalmente discursados e, sobretudo, vividos há mais de 2.000 anos atrás, permanecendo válidos e... criativos até hoje.

Criatividade emocional é o que distingue o ser humano de uma máquina, haja vista que Deus, o Todo, o Tao, o Universo, ou como você queira chamar essa Força (Cria)tiva(dora), que permeia tudo e todos, nos torna co-criadores da realidade a partir da centelha divina com a qual fomos concebidos.  Basta fazê-la despertar. Paz e luz.

 

 

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