Crônica Matemática - por Mirian M. de Oliveira

Crônica Matemática - por Mirian M. de Oliveira

CRÔNICA MATEMÁTICA

 

            _A vida é uma função matemática!...  O amor é uma função matemática! – disse meu amigo ultra-transdisciplinar Edson, às vésperas de um Encontro sobre Transdisciplinaridade, com o Sr. Américo Sommerman. Confesso que não havia pensado nisso! Aliás minha concepção poética sobre essa área é algo bem recente! Só sei que a inspiração foi monstruosa, quando vi (esse é o termo certo!) a transcendência dos números e das letras no papel.

            Minha visão compartimentada e frágil, poucas vezes, permitiu-me enxergar a sutileza numérica e algébrica, que ronda nossas vidas... A estética está presente aí também!

f(x) = x

            Se o amor é uma função matemática, sustentada por relações biunívocas entre conjuntos de vidas, inferimos que somos matemáticos em potencial... Há uma transcendência irresistível nas expressões, aparentemente, hieroglíficas... porém, repletas de sentido.

            _As funções são relações de dependência! (Edson quase flutuou ao dizer isso! Houve transcendência nas palavras.)

f(amor) = amor

            Amor é intrínseco ao ser humano, portanto, na lógica aristotélica, f(amor) depende das capacidades inatas e adquiridas de cada ser humano. A proporção de nosso amor depende de variáveis... (variáveis que passam pelo Eu instável e inacabado) e transita por diversas dimensões do próprio amar.

            Dependendo das circunstâncias de vida e de alma, podemos cultivar o Amor Eros (aquele que privilegia as sensações e o efêmero). Há, em determinados momentos, ou concomitante a Eros, o Amor Filia (Amamos quem nos ama, ou possui a capacidade de nos amar!) Isso é sério, pois, segundo os mandamentos da Lei de Deus, devemos amar até mesmo os inimigos.

            Nesse caso, não sei o que fazer, nem dizer!

f(amor) = amor (Este depende de mim!)

            Diante de tantas dependências, a vida, primeira função matemática, estabelece relações de dependência com o próprio amor.

            Minha vida necessita da sua e vice-versa; além disso, o que nos articula é esse sentimento tão sublime, não demonstrável no plano cartesiano. Funções engolem funções. Engolem?

            _A vida é uma função matemática!

            Sei que os valores a serem trabalhados dependem unicamente daqueles que manejam suas próprias existências. Somos os grandes matemáticos, que operam (não sem dificuldade!) as funções impostas pelo Universo. Se amo fisicamente (Amor Eros), ou se amo quem me ama (Filia), tenho a ilusão de controlar as variáveis. No plano cartesiano, visualizo, até que ponto, posso chegar (visualizo mesmo?) ... mas, se pretendo cultivar o Amor Ágape (Amor Incondicional), talvez encontre um pouco mais de dificuldade, pois não posso prever a reação daquele, por quem cultivo o Grande Amor: sentimento que nada exige em troca! Amor-Amor, simplesmente! Aquele capaz de amar o feio, o doente, o maltrapilho... Que difícil! Não sei resolver esta questão!

            Só sei que começo a estabelecer agora uma espécie de relação de dependência com todos esses conceitos e maluquices. Tudo parece incrivelmente poético, diante de meus olhos... tão poético quanto a função abaixo:

F(amigo) = amigo

Amigo= Edson

            Edson é meu amigo! Nossa amizade é uma função! (Não só, mas também é!)

            Basta de literatices!

            Chegamos, temporariamente, ao fim, que pode bem ser um começo...

Ou não?

 

 

MIRIAN MENEZES DE OLIVEIRA

In.: “Palavras Desavisadas de Tudo” – Antologia – ED. SCORTECCI

 

 

 

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