Crônicas de Nárnia: Algumas Analogias - Parte 1 - por Carlos Vargas

Crônicas de Nárnia: Algumas Analogias - Parte 1 - por Carlos Vargas

Crônicas de Nárnia: Algumas Analogias – Parte 1

Carlos Vargas

 

Depois de ver o filme e ler o livro, tive a impressão de que a analogia das “Crônicas de Nárnia” com a vida cristã é notável! Clive Staples Lewis foi um grande apologista cristão, como se pode notar na obra “Mero Cristianismo”.  Não tenho como provar, mas acredito que o autor posuía, de alguma maneira, a intenção de passar uma mensagem bíblica aos seus leitores. A referência aos seres humanos como “filhos de Eva” parece explicitar essa relação entre Nárnia e a Bíblia.

No livro e no filme aparecem imagens que podem ser interpretadas como uma espécie de simbolismo cristão. As comparações que serão apresentadas aqui são apenas sugestões livres a partir das impressões que tive há alguns anos, quando escrevi um artigo sobre o assunto, o qual foi publicado em vários blogs da internet. Espero que essas sugestões simbólicas sirvam como um convite para que outros leitores e espectadores procurem mais analogias nas Crônicas de Nárnia e em outras obras literárias.

O armário “mágico” pode simbolizar a presença oculta e misteriosa do mundo espiritual, que, embora ilimitado, pode ser de alguma maneira contido em nosso mundo natural. Nárnia é enorme, mas cabe dentro do armário naquele quarto abandonado. O Céu é ilimitado, mas parece poder ser contido, de alguma maneira, nas almas dos santos. É na parte inexplorada da casa, naquele quarto abandonado, que se abre o mundo de Nárnia. É na escondida Nazaré, sem grande valor social, que o Verbo divino nasce.

A descoberta de Nárnia por Lúcia, a menor e mais inocente dos quatro irmãos, simboliza o fato de que é a pureza que permite perceber as realidades espirituais, o que é também é simbolizado pela virgindade de Maria, mãe de Jesus. O fato de que os outros não acreditaram simboliza a descrença daqueles que não tiveram a experiência da revelação cristã.

A discussão entre o Professor e Suzana sobre a “lógica” da mensagem de Lúcia simboliza as discussões que os cristãos enfrentam sobre as relações entre “fé e razão”. O estilo pedagógico e racional do professor, de grande clareza e eficiência na argumentação, simboliza a apologética cristão do próprio C.S. Lewis.

As dúvidas que o fauno, Sr. Tumnus, possuía sobre a existência de seres humanos, mostrada também pelos títulos dos livros que tinha em casa, simboliza as dúvidas que as pessoas não convertidas possuem sobre as existências de seres e bens espirituais. A perseguição da feiticeira contra os seres humanos em Nárnia simboliza a perseguição do mundo contra os cristãos. O ódio que ela possuía contra os seres humanos simboliza o ódio infernal. 

A neve permanente que cobre Nárnia durante o governo da “Feiticeira Branca” simboliza a frieza e a esterilidade do pecado na vida sem Cristo. A sedução de Edmundo pela Feiticeira Branca é comparável ao pecado original e o domínio que esta lhe impõe é comparável ao jugo que os demônios impõe à alma em pecado mortal.

A tentação começou com a promessa de que ele poderia reinar acima dos outros e continua com a ilusão daquela comida oferecida, a qual agrada sem satisfazer realmente e que depois é substituída por alimentos cada vez piores e pela ameaça de petrificação, o que simboliza o enrijecimento espiritual, e de morte. O medo que os anões e os lobos sentem da Feiticeira simboliza o medo que toma conta da alma daqueles que seguem o caminho maligno. 

 

Referência:

LEWIS, Clive S. Mero Cristianismo. Trad. Henrique Elfes. São Paulo: Quadrante, 1997.

LEWIS, Clive S. As Crônicas de Nárnia: volume único.2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

 

 

 

 

 

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