Desabafo da Terra Mãe - Paulina Rodrigues

Desabafo da Terra Mãe - Paulina Rodrigues

DESABAFO DA TERRA MÃE


Estão me violentado, estão a me escarnecer.
Pouco a pouco, rasgam minhas roupas, logo, logo irei perecer.
O que estão fazendo a mim é um desrespeito.
Sinto vergonha de estar sento despida e desonrada, não tenho como cobrir meus seios!


Estão matando, perseguindo, destruindo tantos amigos meus.
Eram tantos animais de tantas espécies, peixes, aves, répteis...
Sinto falta dos barulhos dos papagaios, gosto das algazarras dos periquitos, das araras...  Amo ouvir os cantos dos sabiás, das arapongas, do João de barro, dos bem-te-vis...


Estão acabando com minha realeza.
Estão destruindo com meus ornamentos.
Roubando descaradamente a minha beleza.
Cadê as minhas tantas árvores de flores e folhas perfumadas?
Para que eu ainda possa ser admirada e contemplada?


Quero que todos saibam:
_ FOI DEUS QUEM ME CRIOU!
Estão devastando os meus encantos.
A injustiça do homem, o egoísmo, a ganância...
São responsáveis por minha nudez e meus empobrecimentos!


Estão acabando com meus riachos, lagoas, cachoeiras e mares.
Vocês sabiam que minhas veias estão secando e que cada parte minha estão ficando ressecadas?
Sinto-me fraca, quase sem vida.
Tenho sofrido muitas dores...
Rasgaram-me com vossas variedades de máquinas...


Ao me contaminarem fiquei prejudicada.
Tenho febres altíssimas.
Vocês sabiam que toda essa temperatura, atinge também vocês?
Trabalhei milhões de anos.
E a vocês tudo ofereci.
Mas, mesmo assim vós quereis tirar minha vida.
Com tudo isso, só posso pensar que, não fui e nem sou uma Mãe tão amada e tão querida!


publicado em 22/03/2014

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