Dia do Nhoque da Sorte - parte II - por Mário de Méroe

Dia do Nhoque da Sorte - parte II - por Mário de Méroe

Dia do Nhoque da Sorte

(desdobramento)

Myla Popy, a Happy biker

Myla Popy, a motoqueira feliz, extasiava-se a bordo de sua Suzuki Intruder 125, que pilotava com maestria, na modorrenta pista da rodovia Daki-pra-Lá, fazendo acrobacias de causar inveja às melhores pilotas do mundo.

Mas após esgotar seu estoque de habilidades, começou a percorrer com calma a pista quase deserta, admirando as campinas e as árvores. Logo adiante, avistou uma casa pequena, única habitação naquela localidade.

 Na frente da casa, observou algumas pessoas que se preparavam para entrar. Por cautela, Myla foi diminuindo a velocidade e, movida por sua insaciável curiosidade, resolveu parar e conversar com aquelas pessoas

.─ O motor de minha moto esquentou muito, e precisei parar, disse como desculpa.

─ Ora, entre e descanse um pouco, enquanto o motor esfria, disse uma senhora, que parecia ser a dona da casa. Dentro dela, havia cinco pessoas: a senhora, três filhos e um ancião, que parecia um andarilho, mas com uma expressão de calma e sabedoria em seu rosto.

.─ Aproveite e coma conosco uma porção de nhoque, disse a senhora, com alegria.

Myla ficou pensativa: era o dia 29 daquele mês, e seu chefe a lembrou da lenda do dia do Nhoque da Sorte, no qual São Pantaleão visitou uma família pobre, que partilhou com ele seu precioso nhoque e, após a refeição, quando retiraram os pratos, havia, debaixo de cada um deles, um saquinho com moedas de ouro...

─ Detesto nhoque, pensou Myla, mas quem sabe a história se repetirá... aquele andarilho tem a aparência de um sábio ou santo, sei lá...


Assim, começou a comer sua porção, sem perceber o olhar fulminante que lhe lançara o andarilho. Myla não sabia que o “andarilho” era, na verdade, o próprio São Pantaleão, que tinha o poder de ler pensamentos...
Após a refeição, quando todos se levantaram para recolher os pratos, ela passou a mão por baixo do seu e ... surpresa! Lá estava um saquinho recheado de moedas!


Rapidamente, Myla o escondeu em sua bolsa. A seguir, agradeceu a atenção dos moradores e a comida, e retirou-se. O andarilho a olhava sem dizer uma palavra.Myla começou a pensar quanta coisa poderia fazer com todo aquele dinheiro: roupas, joias, outra moto mais cara, passeios. e assim prosseguiu, até ser surpreendida por uma blitz policial na estrada, que pediu sua identificação e os documentos da moto.


─ Tudo ok, disse o policial. Agora, abra sua bolsa e mostre o que tem aí dentro.O policial observou o estranho saquinho, e mandou abri-lo, pensando conter drogas. Mas ao ver as moedas de ouro exclamou:


─O que é isso, mocinha???Assaltou algum cofre?Myla tentou explicar, mas essa história de andarilhos que distribuem moedas não convenceu o policial, que a levou para a delegacia.

Lá chegando, o delegado a interrogou e Myla manteve a mesma versão. Afinal, convencido que a menina era uma maluca, disse:

─ Tudo bem, vou mandar soltá-la. Mas antes, você deverá passar uma semana inteira ajoelhada sobre grãos de milho, sem roupa, com uma goteira sobre sua cabeça, e comendo apenas pão amanhecido e água malcheirosa. E ainda, levará chineladas nos glúteos, três vezes ao dia.


Myla soltou um grito de horror ... e acordou!


Estava em um quarto todo de branco, com uma perna engessada, soro aplicado na veia de seu braço esquerdo. Uma enfermeira simpática, chamada Taty sorriu e disse:


─ Está tudo bem, querida! Sua moto deu perda total, mas você apenas quebrou o tornozelo e, dentro de três meses, voltará a andar sem problemas.


─Mas o que aconteceu? perguntou assustada.


─Você dormiu ao volante de sua moto, e bateu em uma árvore da estrada. Por sorte, alguém a socorreu e trouxe para cá.

Myla então percebeu o drama de sua vida, e teve um pensamento atroz... ah, como ela gostaria de trucidar quem escreve essas estórias sobre ela!!! (se cuide, Mário de Méroe!)

A simpática enfermeira tentou consolá-la, dizendo:
─ Mas hoje é mesmo um dia de sorte. Imagine que vamos servir para você um delicioso nhoque, feito com a receita da querida amiga Silmara...

 

 

 

 

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