Dois ratos - por Ana Maria dos Santos

Dois ratos - por Ana Maria dos Santos

Dois ratos

 

Dormiam grudados

Dois ratos; tão magros.

De sangue tão branco

 

Numa casa de mocambo

Davam-lhe restos

Pão ,roupa velha, tostão.

 

Fazendo vibrar naquele nervo

Encolhidos pela fome

Uma alegria imaterizada

Por dois pedaços de pão

 

Que o miserável recebe

Quando o vazio lhe consome

Que igualado a pedra

o chão não come.

 

 

 

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