Dulce Morais

Dulce Morais

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Sou originária da cidade de Tomar, Portugal. Se nasci em país lusófono, deixei-o ainda criança para seguir o destino, com rumo a várias culturas, acabando por me fixar durante a adolescência à beira do Lago Léman, em Genebra.

Foi lá que vivi durante vinte e cinco anos, estudei, fundei uma família e comecei a rabiscar versos e prosas em cadernos ou folhas soltas, escondidos em seguida em gavetas bem fechadas. As mudanças de país e de horizonte foram-me saudáveis e criaram uma constante curiosidade pela Humanidade, pelas ciências, pela psicologia, mas sobretudo, pelas letras. Absorvi de tal forma a cultura e o idioma dos países onde vivi, que quase não pratiquei a língua portuguesa até aos 36 anos. Ao instalar-me novamente na cidade da minha infância, descobri-me uma paixão pela língua de Camões e, graças aos conselhos de amigos, descubro a literatura portuguesa e brasileira com entusiasmo.

“Há também muito trabalho a fazer  na divulgação da literatura, sobretudo junto aos jovens, que perdem lentamente o gosto pela escrita, preferindo a literatura “fast-food” de celebridades. Existem exceções, felizmente. Mas são cada vez mais raras.”

Boa Leitura!

 

SMC - Dulce Morais para nós é um prazer imenso, parceira, contar com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o que a motivou a ter o gosto pela escrita?

Dulce Morais - Ao descobrir o talento de Mark Twain, Robert Louis Stevenson e semelhantes durante a infância, soube que havia no acto de escrever, algo fantástico. Para a criança que eu era, a escrita representava uma forma de magia. Era uma atividade quase mística, que permitia transmitir sonhos em forma de letras desenhadas nas páginas de um livro. Durante a adolescência descobri outros talentos da literatura internacional e da francesa, em particular. Quando Françoise Sagan me trouxe, através do seu “Bonjour Tristesse”, uma história tão pungente e intensa, soube que desejava, eu também, contar histórias. Desde então, tento, através de contos e poemas, transmitir o que preenche a minha imaginação.

 

SMC - Que tipos de textos você escreve? Quais os temas que você aborda em sua escrita?

Dulce Morais - Escrevo poemas, contos e alguns textos mais longos.

Em versos ou em prosa poética, tento sobretudo comunicar emoções. Também posso contar uma história em versos mas, são sobretudo os sentimentos que atravessam a pluma.

Quanto aos contos, abordo sobretudo a visão do mundo de uma ou várias personagens. Relato histórias que me vieram sem que eu saiba bem de onde e tento comunicar, não só os fatos, mas também a forma como as personagens os encaram, as emoções que  se instalam em cada acto.

Os temas são diversos mas o intuito é quase sempre o de encontrar-se num mundo que não conseguimos sempre apreender de uma forma que nos corresponde.

 

SMC - Em que momento você se sente mais inspirada a escrever?

Dulce Morais - Admito não ter um momento que me inspire mais que outro. Devido ao ritmo diário, é sobretudo de manhã cedo e à tarde, durante os trajetos para o trabalho ou de regresso a casa, que encontro mais tempo. Porém, acontece com frequência que uma ideia surja a meio da noite ou durante uma atividade que nada tem a ver com a escrita.

Acredito que as ideias possam ter vida própria, certas vezes. Não pretendo controlar os momentos em que elas se manifestam. Simplesmente as aceito e tento deixá-las expressar-se no momento por elas escolhido.

 

SMC - Quais escritores são as suas referências literárias? Por que eles se tornaram uma referência para você?

Dulce Morais - São inúmeros! É quase impossível escolher alguns a mencionar aqui.

Já mencionei Françoise Sagan mais acima.

Noutro estilo, mas não menos interessante, o autor Bernard Werber sabe criar ambientes, Mundos, Universos, que lhe são próprios. Integra o leitor de tal forma, que o mesmo deixa-se levar de boa vontade. Em seguida, surpreende-o com algo tão inesperado, que o obriga a ler e reler várias vezes para ter a certeza de ter bem lido!

Na poesia, é sobretudo de Fernando Pessoa e Florbela Espanca que me alimento. Sim, penso poder dizer que me alimento deles. Tanto a poesia de um como de outro vive-se. Ler não chega. É preciso senti-la. E quando se sente, então sabemos que aqueles talentos não encontrarão nunca o seu igual.

 

SMC - Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?

Dulce Morais - Tentar transmitir uma mensagem seria uma responsabilidade enorme. Nunca pretendi comunicar mensagens, mas simplesmente transmitir as histórias e os versos que passeiam pela minha mente e que, de quando em vez, aceitam que eu os escreva.

Também nunca tive o objetivo de ter um público particular. Todos os leitores são bem-vindos, neste mundo em que o gosto pela leitura tende a perder-se.

 

SMC - Dulce, de que forma você, hoje, divulga o seu trabalho?

Dulce Morais - O meu trabalho é divulgado no meu blog - Crazy 40 Blog, mas também nos diversos blogs em que participo, como no Pense fora da caixa.

Também sou a co-criadora do Tubo de Ensaio, um espaço que pretende divulgar e incentivar a criatividade sob todas as suas formas, mas na escrita em particular.

Participo ainda nos blogs Neo Literattus e Beco de Idéias, onde divulgo o meu trabalho, junto com outros autores de talento.

Enfim, tive a honra de participar na Antologia Voar na Poesia, publicada pelos organizadores do grupo do mesmo nome no Facebook.

Mas, por agora, é sobretudo nas redes sociais que o meu trabalho está presente.

 

SMC - Quais seus próximos projetos literários? Você pensa em publicar um livro?

Dulce Morais - Como cada escritor, publicar um livro é um objetivo. Porém, em Portugal o mercado literário é bastante limitado para novos autores.

Existem dois projetos, um individual e outro comum, que espero poder concretizar nos próximos meses.

 

SMC - Quem é a escritora Dulce Morais? Quais seus principais hobbies?

Dulce Morais - A escrita é uma das minhas principais atividades. As viagens, a fotografia, a pintura – de que sou grande admiradora – são outras ocupações que aprecio muito.

Penso que, se o meu tempo o permitisse, passaria os dias em museus ou em visitas a monumentos, com o meu caderno à mão para poder escrever ao mesmo tempo que admiro as maravilhas da história e da arte.

 

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?  

Dulce Morais - Penso que há muito que fazer, sobretudo para o incentivo à criatividade, em Portugal. Os autores já publicados com sucesso estão muito presentes mas, além deles, raros são os jovens autores que conseguem ser publicados.

Há também muito trabalho a fazer  na divulgação da literatura, sobretudo junto aos jovens, que perdem lentamente o gosto pela escrita, preferindo a literatura “fast-food” de celebridades. Existem exceções, felizmente. Mas são cada vez mais raras.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Dulce Morais, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Dulce Morais - Costumo dizer que, nada sabendo, nada posso dizer a outrem que essa pessoa não saiba já.

Se devo deixar uma mensagem, será a de ler, ler, ler e, quanto tiver ainda algum tempo, ler!

Ler de tudo! Autores famosos, clássicos, contemporâneos, jovens, antigos, famosos, desconhecidos, talentosos e menos bons!

A diversidade ajuda a ver o Mundo sob vários ângulos e a apreendê-lo de uma forma que seria, talvez, impossível, sem a imaginação dos autores.

 

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