E quando não há apego - por Adriana Freitas

E quando não há apego - por Adriana Freitas

E QUANDO NÃO HÁ APEGO

 

            Eu sempre fui dessas que me apegava fácil. Às vezes bastava apenas um sorriso. Pronto já estava encantada. Podia ser carência. Podia ser apenas o meu jeito. E era sempre assim. Eu me apegava rápido e me desapegava na mesma velocidade. Era só realizar que não aconteceria mais. Era apenas encerrar a história dentro de mim.

            Sempre foi assim, desde as minhas primeiras paixonites pueris. Sempre criei expectativas e lógico, a decepção era proporcional. Sofria, no entanto passava rápido. Era só aparecer o próximo sorriso.

            Os anos foram passando e pouca coisa mudava. Entre tantos relacionamentos efêmeros, alguns sofridos, outros não. Tive um relacionamento longo, um pouco problemático, mas longo. Ele foi vivido em toda a intensidade e se esgotado na mesma proporção. E quando se acabou não tinha mais apego, não tinha nada.

            A questão que a carência chegou com os meses da solteirice. No início, sensação de liberdade. O poder de olhar para os lados sem culpa. Não precisar dar satisfação. Viver. Mas os meses foram passando e a vontade de se encontrar alguém chegando.

            A questão era. Estava tão desgastada com o relacionamento anterior que não tinha tanta paciência para questões de rotina. Eu queria dividir uma rotina com alguém.  Apenas não sabia como agir. Como se comportavam os solteiros.

            Com o passar do tempo eu sentia a necessidade de estar novamente em um relacionamento. Queria dividir a vida com alguém. E queria logo. E essa pressa foi o erro fatal.

            Como disse a minha irmã, eu queria tanto ter alguém que o primeiro que apareceu me fez acreditar que era o homem da minha vida com quem viveria por toda essa existência. Pareceu exagero, mas minha irmã sempre me conheceu melhor do que qualquer pessoa e ela tinha razão.

            Gastei tanta energia, tanto tempo com quem não devia. Criei tantas expectativas. Fantasiei. Deixe-me enganar. Fui envolvida por promessas e juras de amor falsas. Ele dizia me amar. Ele dizia não parar de pensar em mim. Que pensava constantemente em morar comigo. E eu acreditei. Fantasiei e me decepcionei. A decepção foi proporcional a expectativa. Sempre é. Não tem jeito.

            Até recentemente tentei digerir o fora que levei por telefone. Que amor era aquele que nem a consideração de se olhar olho no olho e te dizer não quero mais se teve?

            Fora dói. Decepção dói. Mas não mata ninguém. Pode te fazer ganhar ou perder quilos. Pode te tirar o humor, as noites de sono. Pode te fazer recorrer a terapias, comprimidos, tequilas e caipirinhas, compras insanas, sorvetes e chocolates, mas decepção não mata. Pode traumatizar, deixar a pessoa com medo ou cautelosa. Mas ela não mata.

            Eu não morri. Sobrevivi. Não o odeio. Cheguei a odiar, mas não o odeio. Não quero vê-lo. Não o tenho mais nas redes sociais. Mas não o odeio. Apenas curei o meu coração dele. Ou não curei, apenas parei de ter qualquer sentimento, nem amor nem ódio. Indiferença, talvez. Não sei.

            Só sei que o preço não foi o ideal. Talvez seja o do momento. Vai saber. A questão é: depois dele não teve mais ninguém. Apareceram vários pretendentes. Nenhum vingou. Não é que agora eu esteja exigente. Bem o sei que sou. Não é medo de se machucar, bem o tenho. É verdade. Não é que agora eu queira ser a “crazy bitch”, a destruidora de corações, a vingadora dos corações partidos. Nada disso.

            A questão é: os homens que repetem o mesmo comportamento não me atraem mais. Tipo: fica com você e depois somem e aparecem séculos depois com a mesma conversa esfarrapada ou a típica frase “você sumiu”. Ou que te ligam em cima da hora num final de semana. Ou que simplesmente se acham o máximo ao dizer: “quero te comer” achando que eu vou morrer de excitação por conta disso. Não mesmo. Paciência zero para esse tipo de coisa.

            Também não sou do tipo de pessoa que fica com alguém apenas para não ficar sozinha. Não passo o meu tempo com ninguém e nem faço ninguém perder o seu tempo comigo. Não funciona.

Eu me dou a chance de conhecer. Sair para conversar. Tomar uma cerveja. Só que se na primeira noite eu não curtir, sentir vontade de ficar mais um pouco, não sentir empolgação, tiver uma vontade louca de acabar logo com noite, desejar dormir sozinha, vontade ligar ou de esperar uma ligação. Fatalmente não irá mais ter uma segunda noite. Eu simplesmente não insisto em relacionamentos que desde o início encontro problemas. Situações que já me incomodam.

Hoje eu sei que é perda de tempo. Se já no primeiro encontro o cara atrasa duas horas, já chega com hálito de álcool, a conversa não flui. Os beijos não envolvem. Se já nas primeiras vezes o sexo não agrada. Insistir pra que? Hoje eu já não remo em canoa furada.

Não é que eu queira ser a rainha do desapego. A solteirona convicta. A coração de pedra. A gente se acostuma, é verdade. A não dividir a cama. A não dá satisfação. A curtir a sua própria companhia. A ficar em paz consigo mesmo. Tudo é questão de costume. São fases da vida. E eu, hoje, vivo cada uma delas sem medo. Sem pressa.

Não é exigência demais. Nem medo. Nem cafajestice. Até meço as minhas palavras quando não quero mais sair com o cara. Tenho cuidado para não magoar. Mas enquanto o meu coração não bater forte. Enquanto não encontrar aquela pessoa que me faça querer continuar, sentir o frio na barriga, borboletas no estômago. Eu vou seguindo sem desespero, sem pressa, sem apego.

 

            

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