Entrevista com o autor Marcelo Garbine - Se liga no barulho

Entrevista com o autor Marcelo Garbine - Se liga no barulho

Primeira parte da entrevista de Marcelo Garbine para o blog "Se liga no barulho" de João Paulo Salvatore

 

1 – Olá, seja bem-vindo, e para começar, apresente-se um pouco aos nossos leitores.

Mingau: Olá, João. Olá, leitores do "Se liga no Barulho". Obrigado pelo espaço e pela oportunidade. Basicamente, o meu trabalho pode ser divido em duas partes: a parte humorística e a parte romântica. A partir daí, existem várias outras subdivisões, como: textos, músicas, poesias, vídeos, áudios, slides, etc. E outras ramificações, como a didática e a motivacional, por exemplo. Não é algo simples de ser descrito porque muitos ingredientes acabam sendo miscigenados. É algo para ser descoberto aos poucos, sem pressa e conforme o nível de interesse.

 

2 – O que você está escrevendo esse ano? Podemos esperar algo? Conte para nós.

Mingau: Vários projetos estão programados para este ano de 2016. Nem tudo eu posso contar... Tenho os planos que estão sendo postos em prática na área da música: várias bandas estão gravando músicas com letras minhas. Há também os empreendimentos de animação gráfica: trabalhos que já existiam em formato de áudio ou texto estão sendo, agora, animados.

 

3 – Uma pequena dúvida, explique-nos o porquê de “Mingau Ácido”.

Mingau: Há algum tempo, houve uma grande precaução minha para que a vertente humorística não fosse confundida com outros gêneros das minhas obras. A solução que encontrei foi criar um alter ego para assinar as peças de humor. Mingau era o meu apelido da época da faculdade e o "ácido" veio para definir a escola de humor da qual bebi as principais influências. Letras de música e outros trabalhos românticos são assinados pelo Marcelo Garbine. A rubrica dos fragmentos satíricos fica para o Mingau Ácido. Na prática, muita gente não sabe disso e pensa que "Mingau Ácido" é o nome do meu blog (que, na verdade, é um site). Eu não faço objeção nenhuma e deixo que pensem isso e descubram o verdadeiro significado com o tempo.

 

3 – O que você acha da literatura atual? Acha que ganhou mais “destaque” ou mais “esquecimento”?

Mingau: A literatura atual é tão diversificada que fica despropositado falar sobre ela de modo genérico. Creio que exista público para todos os gostos. O fato de um determinado gênero ser mais ou menos expressivo em termos numéricos não designa a categoria de seu êxito. Se um livro é demandado por um grupo de pessoas, mesmo que este grupo seja quantitativamente pequeno, ele é um sucesso. Para que uma obra seja bem-sucedida, não é necessário que seja massificada. Vendo por este ângulo, os termos "destaque" e "esquecimento" são mais apropriados para aferições mercadológicas do que para uma análise acerca do quilate artístico.

 

4 – Fala um pouco pra gente sobre os seus autores favoritos, tens algum?

Mingau: Para que a lista não fique imensa, vou citar apenas as minhas principais influências.

Ainda na infância, conheci George Orwell. Aos sete anos, na casa de um primo mais velho, li, numa tacada só, "A Revolução dos Bichos". Fiquei encantado com o livro, apesar do meu primo dizer que era uma bobagem, pois "porco não fala" (sic). O conteúdo do livro desenvolveu-se junto comigo. A partir daí, adquiri o hábito de ler, ao menos, uma hora por dia. Mais tarde, entendi que não se tratava de uma estorinha de porquinhos e cavalinhos e, sim, de uma crítica ao totalitarismo. Por isto, creio ser este tipo de literatura mais adequada a crianças do que títulos bobos infantis. Eu não gostava dos livrinhos colocados à disposição das crianças, na escola. Eram medíocres e subestimavam as nossas inteligências. Títulos como “O tatuzinho feliz” davam-me nos nervos.

Na adolescência, apaixonei-me pela escrita kafkaniana. Com ela, aprendi uma nova linguagem. O homem antissocial e com problemas familiares fez-me compreender um paralelo novo de expressão. Mas fui orientado por um professor, que eu tinha como ídolo, a enveredar pelos legados de Machado de Assis, que me direcionou mais solidamente, ao contrário da dispersão do escritor Tcheco. Pude, então, organizar melhor as minhas ideias soltas. A literatura robusta machadiana ajudou-me a não permitir que um turbilhão de pensamentos fosse dissipado na minha mente. Eu mesclava o que já era do meu gosto com o que me era apresentado e fazia, então, crescer o meu campo de interesse literário.

Hermann Hesse, no mesmo ínterim, fez que eu antevisse o meu futuro e constatasse, vinte anos mais tarde, que, para o bem ou para o mal, eu estava certo. Era tudo muito previsível, mesmo que eu não quisesse aceitar. Ao falar sobre este autor, acabo ficando abstrato demais. Não foi à toa que o velho Professor inseriu o Machado na minha formação, o que me salvou da debandada conceitual.

Ainda jovem, pude complementar o meu conjunto de instrução intelectual com os filósofos socráticos.

 

 

5 – Esses autores contribuem na sua arte?

Mingau: Com certeza. Com o Franz Kafka sentado no meu ombro esquerdo e o Machado de Assis, no direito, eu consigo andar com a cabeça nas nuvens e os pés no chão, simultaneamente.

 

6 – Qual é o seu gênero literário?

Mingau: Olha... acho melhor confundir do que explicar, neste caso. Convido os mais dispostos a lerem o meu texto "O limiar da compreensão que veio com o hálito" e tirarem suas conclusões individualmente. Não é nenhuma amostragem do meu trabalho porque escrevo de tudo, mas é útil pra detectar que, às vezes, as coisas não são o que parecem ser.

 

7 – Você gostaria de ver uma de suas histórias na tela da tv ou do teatro? Se sim, qual poema ou história daria uma ótima série ou curta metragem?

Mingau: No teatro, verei a minha poesia "Oito Cantos Sagrados". Ela será uma ópera, pois, como o próprio nome diz, são oito cantos, dispostos em dezessete estrofes de quatro versos, cada, que falam sobre as fases de uma flor, que, não necessariamente, é uma flor. Pode ser a vida de um ser humano, dentre outros sentidos. Em sua versão em filme de declamação poética – disponível, inclusive, no You Tube, composta por diversas trilhas sonoras e imagens matizadas, declamada lindamente em dueto pelas poetisas Beatriz Girotto e Suely Sette – sua duração é de quase vinte e cinco minutos. A versão para ópera, terá cerca de duas horas. Na TV, minhas crônicas de humor dariam uma boa série. Cada uma delas, um episódio. Isto já está sendo feito com o meu parceiro Daniel Sette para o You Tube. É só pegar os programas do You Tube e colocar na televisão. Já os curtas-metragens são cartas que tenho na manga. Faz parte do meu imenso acervo que não exponho publicamente. Uma espécie de segredo de fabricação... Não estou sozinho nessa, existem várias pessoas trabalhando comigo nesse projeto.

 

8 – Já que falamos do mercado televisivo, o que acha das obras que são adaptadas para o cinema, iguais ao livro ou nem tanto?

Mingau: Não são e nem devem ser iguais aos livros. As linguagens são diferentes. Acho ótimas as adaptações. Precisamos pensar fora do quadrado e lembrar que, por exemplo, uma quantidade imensurável de pessoas teriam passado pela vida sem ter acesso a Eça de Queiroz se não fosse a adaptação da Rede Globo. No cinema, desde as modas fugazes, como "A culpa é das estrelas" até os clássicos respeitáveis como "O auto da compadecida" de Ariano Suassuna conseguiram expandir o público da arte originalmente escrita. E a versão cinematográfica sempre vem para somar e nunca para substituir. Ela propicia um elemento comparativo e um mote para que se fale sobre a obra. O que somente era possível ver-se intrinsecamente, passa a ser observado sob dois ângulos, fomentando aquele debate caloroso e agradável. Muito mais se fala de um livro quando ele vira filme e, muitas vezes, o interesse em ler o livro é despertado após sua temporada nos cinemas.

 

9 – Conte para nós sobre os seus prêmios adquiridos ao longo de sua carreira.

Mingau: Ganhar o Prêmio Cabo Frio de Cultura e Entretenimento foi uma grande oportunidade para mim que desencadeou uma série de portas de entradas para que eu participasse de vários eventos artísticos, como a Virada Cultural de São Paulo, onde uma sessão de vídeos de minha autoria foi exibida, além de minha nomeação para Academias de Letras Internacionais, no Chile, na Argentina e em Portugal. Eventos, prêmios e nomeações para Academias são importantes para o network porque possibilitam a ampliação da rede de contatos, novas parcerias e amizades no mundo da literatura e da arte, faz que a mídia fale sobre o nosso trabalho e torna-o mais conhecido. Eu não tenho o meu foco voltado para premiações, mas procuro aproveitá-las ao máximo quando a chance aparece.

 

10 – Como você bem sabe, metade do meu público é teen (Jovens) e eles sempre pedem posts de livros, então conte porque eles devem ler os seus escritos.

Mingau: Como já disse em outras entrevistas, somos suspeitos para falar do nosso próprio trabalho e eu prefiro que a crítica diga isto. Eu confio na inteligência das pessoas, motivo pelo qual não entrego nada pronto, mesmo que, em determinados momentos, sinta que não estou sendo bem compreendido. Tenho paciência para esperar o momento certo. É preciso que o conteúdo novo seja digerido e assimilado. O que é bom, precisa ser garimpado. No meio da terra, encontramos preciosidades. O que é entregue de bandeja, na maioria das vezes, não é valorizado. Direi o oposto então: não leiam o que eu escrevo se você estiver esperando que as coisas aconteçam para você.

 

11 – O que você entrega como dica aos novos escritores, os que estão lendo este post agora?

Mingau: Os caminhos escolhidos são apenas estratégias. Táticas são opções muito pessoais. O que é válido para um escritor, pode não ser para outro. No meu caso, procuro ter uma visão de longo prazo, plantar as sementinhas primeiro. Considero essencial acreditar no que fazemos, antes dos demais. Quem se escora na opinião alheia está cometendo um erro grave. O foco na recompensa financeira também é um equívoco. Dinheiro nada mais é do que a consequência de um trabalho bem feito. É primordial ter respeito pelos leitores e enxergá-los como pessoas e não como números. É preferível ser lido e compreendido por poucos a ser conhecido por muitos de modo superficial. Não existe dinheiro no mundo que pague um elogio sincero ou uma demonstração de afeto por alguém que foi tocado por algo que escrevemos. O glamour, ao meu ver, deve ser posto de lado. A atenção maior deve ser concentrada na responsabilidade social. Muitas vezes, perdemos a noção do impacto que podemos causar na vida das pessoas. E este encargo é acentuado se tivermos em mente que o que escrevemos ficará no mundo após a nossa curta estada nesta vida.

 

12 – Reta final, então fale um pouco sobre Marcelo por Marcelo.

Mingau: Eu me assimilo a cada dia. Vou descobrindo sobre mim e procuro compartilhar as experimentações à medida que percebo que outros podem identificarem-se, pois somos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Muitos dos meus textos são narrados em primeira pessoa porque sou eu mesmo quem está falando. Em alguns casos, quando é dolorido ou íntimo demais, vejo como imprescindível a destreza no manuseio das expressões para que não fique tão explícito. E o resultado é que acaba ficando mais divertido para ambas as partes. Tenho sede de compreensão, porém, como somos paradoxais, às vezes, também procuro esconder-me. Atitude respectiva de quem é feito de silêncio e som.

 

13 – Profissão e vida profissional, elas andam lado a lado na sua vida?

Mingau: São vidas paralelas, mas dispostas de modo que contribuam uma com a outra. Minha formação acadêmica, minha profissão e o caminho por mim trilhado são, aparentemente, díspares, mas, da forma como os encaixei, dão bons frutos e convergem para o mesmo mar. Sou economista de formação e trabalho no Judiciário.

 

14 – E pra terminar de vez, jogue-se para o público, onde o encontramos? Diga aqui todas as suas redes; páginas, contatos, e-mails, site, blogs, o momento é seu.

Mingau: Exponho o meu trabalho no You Tube, no Facebook, no Twitter e no meu site.

O endereço do meu site é: http://marcelogarbine.com.br/

Tenho dois canais no You Tube:

1 – Marcelo Garbine:

https://www.youtube.com/channel/UCPqKtN_SAbd0xtJGZYeSJxw

2 – Mingau Ácido:

https://www.youtube.com/channel/UCHT1Wg0uw7Cgam1mYHLVMQQ

Uma fanpage e um perfil no Facebook:

1 – Fanpage: https://www.facebook.com/MingauAcido/?ref=hl

2 – Perfil: https://www.facebook.com/marcelo.garbine

Dois perfis no Twitter:

1 – Mingau Ácido: https://twitter.com/mingauacido

2 – Marcelo Garbine: https://twitter.com/marcelogarbine

 

Fonte: http://seliganobarulho.blogspot.com.br/2016/03/cultura-entrevista-com-marcelo-garbine.html

 

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