Estevão de Sousa - Entrevistado

Estevão de Sousa - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Francisco Estêvão de Sousa nasceu em Lisboa a 17/07/1937. Ainda muito novo, foi viver para uma aldeia junto de Ferreira do Zêzere. Filho de pessoas humildes, estudou em Tomar, na escola comercial e industrial Jácome Ratton e no colégio Nuno Álvares, até que, aos 15 anos, foi com os pais para Angola. Aí, fez um curso de geologia e mecânica de solos, ingressando na Junta Autónoma de Estradas, como técnico de construção de estradas. Aos 36 anos regressou a Portugal, onde fez um curso de gestão e administração de empresas, tendo exercido funções de diretor administrativo em duas empresas da cidade de Coimbra. Já aposentado, dedicou-se à escrita. Tem três obras editadas: «Nesta Terra Abençoada», «Tráfico no Rio Geba» e «Irina – A Guerrilheira». Além destas, tem mais duas obras no prelo: «Rapto em Londres», policial, e «Ouro Negro», romance de aventura. Tem ainda trabalhos em cerca de quinze antologias e coletâneas.

“Como sempre, procurei descrever com a máxima exatidão: os locais, os rios, as distâncias, as gentes e os seus costumes e até a fauna e a flora.”

Boa Leitura!

 

Escritor Estêvão de Sousa, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Os seus livros são romances de ficção, baseados em fatos reais. O que o motivou a ter gosto por este perfil de escrita literária?

Estevão de Sousa - Antes de passar a responder às perguntas que me são formuladas, quero agradecer à revista Divulga Escritor a oportunidade que me dá ao conceder-me esta entrevista, dizendo que é com enorme prazer que respondo às perguntas que me são dirigidas por tão conceituada entidade, facto que muito me honra.

Posto isto e passando a responder à pergunta, devo dizer que desde muito novo que me interesso por romance, especialmente pelo romance de aventura. Lembro-me de que, com onze ou doze anos, passava noites inteiras a ler à luz de uma candeia. Isto, porque em casa de meus pais não havia energia elétrica. – É... ainda sou desse tempo! – Recordo-me de devorar toda a coleção do Emílio Salgari e quase todos os livros do A. Dumas, etc, etc. Mesmo com o andar dos anos, o romance sempre foi o meu tema preferido. Daí que, quando resolvi escrever algo, tenha escolhido o romance de ficção, procurando, no entanto, baseá-lo sempre em factos e locais reais.

 

Em que momento pensou em escrever o seu romance passado em Angola, «Nesta Terra Abençoada»? Conte-nos um pouco sobre a obra.

Estevão de Sousa - Tendo vivido em Angola durante vinte e um anos – país onde casei e de onde são naturais as minhas três filhas – não mais deixei de acompanhar todos os acontecimentos ali ocorridos, tanto no período de guerra como no pós guerra, em que se verificou um desenvolvimento que muito me apraz registar e a que teço os maiores louvores, pois, embora sabendo que ainda falta fazer muito, reconheço ter sido necessário um enormíssimo esforço para, ressurgindo do nada, o país ter chegado ao estado em que se encontra, que é digno de ser conhecido e divulgado. Neste sentido, quis, através de uma forma romanceada, dar a conhecer esta nova realidade, através do livro «Nesta Terra Abençoada», no qual um jovem casal é confrontado com aquele enorme "boom" de progresso, quando um industrial Conimbricense se apaixona por uma linda jovem e vai com ela, numa viagem de negócios, a Angola. Aí, tem oportunidade de lhe mostrar, orgulhosamente, todos os locais onde havia passado a sua adolescência, antes de vir para Portugal. Algum tempo depois, os negócios prosperam, permitindo ao casal entrosar-se na próspera sociedade Angolana, levando uma vida de autêntico glamour.

Após ser alvo de um rapto e andar perdido na floresta do Congo-Brazaville – onde chegou a passar fome e apanhou alguns sustos – foi salvo por um amigo, com a colaboração da sua amada. A partir daí, resolveram diminuir o ritmo dos negócios e fixaram-se, definitivamente, no país que tão bem os havia acolhido e onde eram tão felizes.

 

Depois de escrever um enredo Angolano, você presenteou o leitor com um romance de aventura, passado na Guiné-Bissau. Quais foram os principais desafios para a escrita de «Tráfico no Rio Geba»?

Estevão de Sousa - A Guiné-Bissau sempre me despertou interesse e curiosidade, não só por algumas peripécias ouvidas a pessoas amigas que por lá andaram cumprindo serviço militar, mas também, e principalmente, pelo prazer que me deu fazer apurada pesquisa para escrever sobre um país, para mim desconhecido, e seu maravilhoso arquipélago dos Bijagós. Como sempre, procurei descrever com a máxima exatidão: os locais, os rios, as distâncias, as gentes e os seus costumes e até a fauna e a flora. Para além destas motivações, acresce dizer que: escrever sobre o narcotráfico nunca é demais! Dar a conhecer os seus meandros tenebrosos, malefícios e atividades do submundo dos contrabandistas que, pelo enriquecimento fácil, não têm rebuço em destruir milhões de vidas humanas.

 

O que mais chamou a sua atenção no enredo que o motivou a escrever um livro?

Estevão de Sousa - Como já tive oportunidade de dizer, o que mais me chamou a atenção no «Tráfico no Rio Geba» foi toda a atividade desenvolvida pelos traficantes e, acima de tudo, pelo personagem principal da estória, também ele, ex-traficante.

 

Abordando o seu último livro publicado, um romance passado no Iraque e na Síria, conte-nos: quem é «Irina – A Guerrilheira»?

Estevão de Sousa - A Irina é uma adolescente natural de Coimbra que, levada por um sonho de aventura, deixou que a convertessem numa guerrilheira, indo combater no Iraque e na Síria.

 

Como foi a construção do enredo que compõe esta obra?

Estevão de Sousa - A Irina, como acima disse, era uma linda adolescente de dezasseis anos que, através da Internet, foi aliciada com falsas promessas, por um Iraquiano de Mossul, que a conseguiu convencer a deixar os pais, os estudos e uma vida cómoda de classe média-alta e partir inesperadamente, sem que ninguém soubesse, para o Iraque. Aí chegada, enquanto os pais desesperavam, em Coimbra, sem saberem nada dela, converteu-se ao Islão, contraiu matrimónio e alistou-se nos Peshmergas (fação Curda que combate o Daesh). Submetida a intenso treinamento, tornou-se num valente e perspicaz soldado, entrando em várias batalhas, quer nos desertos escaldantes do Iraque, quer na Síria, de onde, desiludida e cansada de tamanha carnificina, conseguiu desertar, através da Turquia.

Após várias aventuras, vividas na viagem da Turquia até Portugal – por quem, como ela, vinha fugida, sem dinheiro e com receio de ser apanhada – acabou por chegar a Coimbra, passando a dedicar a sua vida a: fazer-se ouvir através dos órgãos de comunicação social, nos quais alertava os jovens para os perigos de se deixarem engajar, pensando irem viver uma bela aventura.

É um livro cuja leitura aconselho vivamente, tanto a pais como a filhos, quer pela atualidade do seu tema, quer pela delicadeza do mesmo.

 

Por gentileza, nos descreva cada livro em breves palavras, informando em quanto tempo cada livro foi escrito.

«Nesta Terra Abençoada» – É um romance de amor e aventura passado em Portugal, Angola e Congo-Brazaville, o qual demorei cerca de quatro meses a escrever.

«Tráfico no Rio Geba» – Romance de ação e aventura, passado em Portugal, Holanda, Guiné-Bissau e arquipélago dos Bijagós; levei cerca de cinco meses a concluir.

«Irina – A Guerrilheira» – É um romance de ação e aventura, passado no Iraque, Síria e Turquia, que me demorou cerca de oito meses a terminar.

 

Onde podemos comprar os seus livros?

Estevão de Sousa - Podem ser encontrados em: www.bertrand.pt, www.boa-leitura.simplesite.com, www.wook.HYPERLINK "http://www.wook.pt/"pt ou na página do Facebook de Francisco Estêvão de Sousa.

 

Temos conhecimento de que tem mais duas obras de ficção no prelo, «Rapto em Londres» e «Ouro Negro». Quer levantar um pouco o véu sobre as mesmas? E para quando prevê a publicação destes livros?

Estevão de Sousa - Sim, neste momento tenho, de facto, mais duas obras que penso editar logo que o mercado o aconselhe. O «Rapto em Londres» é um policial que aborda o rapto, pelo próprio marido, de uma linda cientista, com o objetivo de a obrigar a construir uma bomba para um grupo terrorista. Trata-se de um thriller cuja ação se desenrola em Inglaterra, Brasil e Douro Vinhateiro (Portugal), sendo o personagem principal português. O «Ouro Negro» é passado em São Tomé e Príncipe e aflora a extrema pobreza do país que, sendo lindíssimo e com um povo maravilhoso, só poderá proporcionar melhores condições de vida aos seus cidadãos se a exploração das jazidas de petróleo, lá existentes, começar finalmente. Toda a estória gira à volta de um geólogo português que, contratado para dinamizar a extração de petróleo, acaba apaixonando-se por uma linda São-tomense.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Estêvão de Sousa. Agradecemos a sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para os nossos leitores?

Estevão de Sousa - Ao terminar a presente entrevista, que me deu o maior prazer, quero agradecer à revista Divulga Escritor esta oportunidade, afirmando que são iniciativas como esta que divulgam e prestigiam a cultura, para além de darem a conhecer autores que, como eu, são pouco conhecidos do grande público, fazendo com que não percamos a vontade de continuar. Bem hajam pela vossa iniciativa!

Nos tempos que correm, em que as novas tecnologias, tão apelativas, especialmente para os jovens, lhes retiram hábitos de leitura, são cada vez mais de louvar ações desta natureza. Todos juntos ainda seremos poucos para fazer com que se readquiram os hábitos perdidos! Só posso deixar aqui o meu

 

MUITO OBRIGADO!

Estêvão de Sousa

 

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