Eu e a mídia - por Luiz Ernesto Wanke

Eu e a mídia - por Luiz Ernesto Wanke

Dizem que os meios unilaterais (jornais, revistas, televisão...) estão ficando cada vez mais interativos. Em parte é uma verdade, pois todo mundo pode mandar um vídeo, uma foto e mesmo um comentário para jornais e revistas e, às vezes, são aproveitados. Já fiz isto.

Mas, neste particular, todos os meios de comunicação modernos são altamente restritivos. Para não serem enganados e conviverem com uma ‘barriga’ não costumam perder tempo em selecionar matérias que provém de fontes – digamos – incertas. Quando recebem matéria de desconhecidos, simplesmente ignoram e nunca se aprofundam no assunto. De certa maneira, é uma postura exageradamente, covarde.

 Há anos tento colocar em alguma revista (de história ou de cultura) um artigo sobre Joaquim Nabuco, baseado – veja só – em cartas inéditas e originais do próprio que nunca foram publicadas e também não estão registrados na Fundação Joaquim Nabuco. E o assunto que ele trata também é inédito, isto é, antes de viajar para a Europa, queria um emprego de ‘espião’ da educação (que chamava de ‘instrução’) imperial brasileira para observar o ensino nas outras partes do mundo e depois, aplicar uma possível reforma no sistema brasileiro. Ali já se preocupa com a educação mista (meninos com meninas) e – pasmem – numa escola para negros, tal como já existia nos Estados Unidos.

  Ninguém quis.

  Em 2009 fui convidado para o programa do Jô Soares. De início fiquei meio cabreiro, mas qual, a vaidade (o ‘eu caras’) falou mais alto e topei. A moça me contou que teria duas passagens de ida e volta para São Paulo, iriam me pegar e deixar no aeroporto. Mas teria que passar por uma entrevista prévia com uma moça de sobrenome Clark. Dias depois recebi seu telefonema e tudo ia bem até eu informar a dita cuja que não era formado na área que seria entrevistado. Então ela recuou e minha ida para o programa gorou.

 Mas minha relação com a mídia tinha começado bem antes. Em 1982 estava em casa no feriado de 21 de abril quando meu filho me chamou para ver umas esteiras de aviões que riscavam o céu. Soubemos depois, eram dois aviões: um Sea Harrier perseguindo um espião, um Boeing 707 que fugia para a Argentina, inaugurando a Guerra das Malvinas. Puxa, os ‘caras’ estavam brincando de ‘gato e rato’ em cima do solo brasileiro! Tirei fotografias das esteiras mas eles voavam tão alto que não captei suas silhuetas.

 (Contei esta história num livro chamado ‘O Dia Que Vimos Começar Uma Guerra’. Para aproveitar a generosidade deste site, está a venda pela internet nos sites respectivos das Livrarias Curitiba e da Livraria Cultura de São Paulo).

                              

Na época larguei tudo e fui para São Paulo mostrar minhas fotos. Fui na Veja e no Estadão, mas não convenci os editores internacionais.

                                

Mas às vezes essa mesma imprensa é burra. Outro dia li uma matéria no G1 da Globo sobre a possível morte de Hitler no nosso país, que teria fugido para cá,  vivendo escondido até morrer. Sensacional, se não fosse a base do artigo: o achismo.

 Muito tempo atrás escrevi um livro chamado ‘Brasil Chinês’. Para provar minha tese que os chineses chegaram em terras americanas no século V d.C., estampei uma prova disso, ou seja, um geoglifo de um ideograma chinês shan (montanha) feito em cima de uma montanha pelos índios pré-colombianos que viviam ao longo do Rio Colorado (gravura). A prova da data estava no estilo chinês em escrever esse ideograma (kaishu) característico daquele século. Outra vez a imprensa me deu bola. Ainda, descobri que é preciso pagar para que falem do livro.

 Por tudo, descobri que só não somos invisíveis para a mídia porque compramos seu produto (assinaturas). Aí eles nos acham e nos tratam bem.

 

 

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