FACTOTUM - O Barbeiro da Vila - Causo 6 - Vingança Inglesa - por Mário de Méroe

FACTOTUM - O Barbeiro da Vila - Causo 6 - Vingança Inglesa - por Mário de Méroe

FACTOTUM – O Barbeiro da Vila[1]

Coletânea de “causos” comentados no salão de um singular barbeiro, em minha Vila

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Nota: Recomenda-se ler a Introdução, publicada no site do autor: www.mariodemeroe.org para inteirar-se do contexto dos “causos”.

 

Causo 6

Vingança inglesa

 

O salão do nosso querido barbeiro da Vila, foi novamente honrado com a ilustre presença de um cliente poliglota, muito viajado, e que adora contar coisas pitorescas que ocorrem em suas andanças, o mesmo que contou o engraçado conto intitulado “O Lorde Inglês”, divulgado como Causo 4.

Como de costume, o cliente foi logo destravando a língua, ao sentir a toalha colocada em seu pescoço, sinal que o barbeiro estava começando seu trabalho.

─Sabe, amigo Fac, quando eu estive na Inglaterra, ouvi, na mesma rodinha do causo anterior, o que teria se passado na loja de Armas Esportivas, de Londres.

 

“Um lorde inglês, muito conhecido por sua cultura e, especialmente, por sua fortuna, procurou uma famosa Loja de Artigos Esportivos, e dirigiu-se para a secção de armas de caça.

Foi imediatamente atendido por um solícito vendedor, e perguntou se a loja possuía armas para caça de animais de grande porte.

─ Sim, meu lorde. Poderia especificar qual o porte do animal visado?

─ Sem dúvida, respondeu o lorde. Refiro-me, especificamente, a elefantes.

─ Temos uma arma que atenderá perfeitamente aos seus altos propósitos, Sir. Trata-se do famoso rifle CZ 550 Safari Magnum Rifle, com novo design elegante e leve, projetado para atender às exigências mais refinadas sobre armas de desporto e de caça. Vem equipado com visor telescópico, e até almofada de rosto para maior comodidade do atirador.

─ Faria a gentileza de me mostrar? perguntou o lorde.

─ Imediatamente. Aqui está, disse apanhando um estojo de couro finíssimo, dentro do qual encontrava-se a arma e depositando-o sobre uma mesa própria para esse tipo de demonstração.

O Lorde abriu o estojo, examinou detidamente o rifle, simulou pontaria, testou a almofada. Finalmente, declarou-se satisfeito e disse:

─ Muito bem, eu comprarei 50 unidades dessa arma, mas quero que todas venham com estojo de luxo. E sobre a munição?

─ Temos das melhores marcas, em caixas com 20 unidades.

─ Comprarei também 100 caixas. A loja faria a gentileza de mandar entregar essa encomenda em minha residência?

─ Sim, é claro, meu lorde.

O vendedor mal continha seu espanto. Era a maior venda já realizada pela loja nos últimos 100 anos! E o comprador sequer perguntara o preço de cada unidade, nem das caixas de munição.

─ Penso que somente poderemos entregar a encomenda em três dias, pois não temos essa quantidade em estoque, disse o vendedor, receoso de atrapalhar a venda.

─ Não há problema, respondeu o lorde sorridente. Não há pressa nenhuma de minha parte. O senhor poderia fazer a nota fiscal e mandar a fatura para o meu cartão de crédito, para pagamento imediato?

─ Sim, meu lorde, como desejar.

Terminada a transação, o lorde preparou-se para se retirar e agradeceu a gentileza do vendedor, que o acompanhou até a porta da loja.

─ Permita-me uma indiscrição: meu lorde planeja alguma caçada para breve?

O lorde franziu a testa delicadamente, e respondeu:

─ Não, meu caro. Nem para breve nem para nunca. Eu detesto caçadas, que considero uma atividade selvagem, cruel e altamente condenada pela Sociedade Protetora dos Animais, da qual sou presidente. Qual a razão de sua pergunta?

─ Perdoe-me, meu lorde, mas o senhor comprou 50 unidades de uma arma conhecida e muito procurada por caçadores de elefantes, e também bastante munição; então eu pensei que se preparava para um safári.

O lorde fez um olhar condescendente e calmamente explicou:

─ Não, meu caro, estou mentalizando a realização de um ardente desejo de minha infância.

Atônito, o vendedor olhava para o ilustre personagem, que já comodamente refestelado em sua carruagem, completou:

─ É que eu odeio elefantes!”

 

Fac terminara seu trabalho e aguardava algum esclarecimento. Mas o seu cliente apenas completou:

─ Não precisa entender, meu amigo. Piadas de inglês são sem graça mesmo, até para eles! Até a vista!

 


[1] Coletânea de “causos” humorísticos, em elaboração.

 

 

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