Feminista não, feminina sim! - por Glauce Leite

Feminista não, feminina sim! - por Glauce Leite
Feminista não, feminina sim!
 
 
 
Era tudo uma farsa, ela sabia, mas não tinha coragem de admitir...
 
A mãe, figura muito incomutável não lhe dava folga. Era como um despertador que soava a cada uma hora e a fazia lembrar que era uma moça bem educada e que gastos absurdos haviam-lhe cabido.
 
Enfim, Rosangela chutou o balde numa noite em que conhecera o segurança de uma boate da cidade. As amigas haviam se arranjado com uns meia-bocas previsíveis, mas ela estava cansada de ser certinha e seletiva. O pior é que ela era mesmo!
 
Mas poxa vida, o irmão dava um puta trabalho para os pais por causa da cocaína e ela que sempre correspondia às expectativas de todos estava desapontada consigo mesma.
 
A princípio ele falava errado e só se fazia exibir como um pavão. Ela o escutava meio tonta por causa de uma caipirinha de saque que uns metidinhos ofereceram anteriormente. Mas o olhar do moço era forte, a verdade é que ela não conseguia tirar os olhos daquela barba por fazer... Pelos grossos e pretos... Era hipnotizante. No começo incomodou-a, mas depois tornou-se completamente convidativo à boca.
 
O moço era um ogro, mas exibia um modelo genuinamente masculino. Um metro e noventa e dois de altura, esguio, pele judiada pelo sol, talvez pelos bicos de pedreiro que fazia e uma boca grande cheia de dentes perfeitos e brancos demais. Ela não conseguia tirar os olhos daquela boca. Ele falava, falava... Ela olhava, olhava... Aquela boca e braços se movimentando e sorrindo para ela, convidando-a ao deleite...
 
Tomou coragem e disse à amiga que deveria ir embora com o rapaz basiquinho, pois estava muito a fim de ficar ali até as cinco ou mais esperando aquele poço de masculinidade ser liberado da função. Foi um momento tenso, pois as amigas não estavam acostumadas com aquele tipo de atitude vindo dela, se fosse a Claudinha tudo bem, mas Rosangela não!
 
Quando deu umas quatro e meia ele conseguiu sair. Voltou de dentro da boate com uma camisa barata meio desabotoada, talvez devido à pressa ou não, mas era um homem completo, calça, camisa e sapatos fechados. Entrou no carro dela um pouco ressabiado, pois não era sempre que uma graduada lhe dava bola e bateu a porta pedindo desculpas, fato que só acentuava o desejo de Rosangela de ser tocada por ele com a mesma força que ele batera a porta. Ela estava cansada daqueles convencidos que falavam e falavam mal das mulheres lindas, porém ocas que não davam bola para eles. Coitados ocos!
 
A verdade é que ele já a olhava há alguns sábados e fantasiava uma noite de amor com a moça que quando passava deixava o perfume caro pelo ar. Ele nunca duvidou de sua capacidade de conquista, mas o que estava deixando-o nervoso era justamente o fato de ele não ter feito nenhum esforço para consegui - lá. Ela sim, que o estava levando em seu carro sabia ele para onde.
 
Rosangela procurava não desviar-se do único foco que era proporcionar a si mesma uma noite de amor com um homem de verdade. Entraram num motel e logo estavam na cama nus. Ela o acariciava sem pudor e ele, bem ele deixa para lá.
 
O segurança murmurava palavras em seu ouvido que ela nunca ouvira de nenhum outro namoradinho inteligentinho que tivera. Em poucos minutos Rosangela sorria de satisfação olhando o belo moço cochilando ao seu lado.
 
Às sete e meia da manhã os dois trocaram umas palavras durante o café promocional do motel e ela deixou o moço no ponto de ônibus perto da boate.
 
Quando estacionou o carro na garagem do prédio em que morava, desceu o quebra sol, olhou no espelhinho e disse a si mesma: Agora sim garota!
 
 
 
 
 

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