Feriado - por Antonio Eustáquio Marciano

Feriado - por Antonio Eustáquio Marciano

Feriado

 

Hoje é sábado e feriado nacional. Que coincidência terrível! Acordo às seis horas, como de costume. Ligo logo a TV, pois quero ver o noticiário, mas me lembro logo que não há noticiário matinal, pois é sábado. Tento dormir de novo e não consigo. Pego o controle remoto e começo a passear pelos canais, buscando encontrar algo interessante pra ver. Alguns filmes já começados, não me interessam. Nos demais canais, só coisas sem graça. Minha mulher dorme como um anjo. Levanto-me, vou à cozinha, ligo o rádio AM (nunca gostei de ouvir FM. Só tem música e algumas outras coisas, nada a ver). Numa rádio, um programa onde estão sendo discutidas questões entre a prefeitura e os cidadãos. Participam alguns políticos. Não sei se acredito neles. Mesmo assim, continuo ouvindo. Faço um café e o tomo acompanhado do pãozinho amanteigado. Antes, porém, como minha maçã de todos os dias. A fruta estava na geladeira. Gosto de comer algo frio antes do café com leite quentinho. Terminado o desjejum, vou até a varanda da sala para pegar o jornal. Abro-o sobre a mesa da cozinha. Os assuntos são os mesmos de sempre. Vejo primeiro o obituário. Constato mais uma vez que a maioria dos “de cujus” são menos antigos do que eu. Já estou no lucro – penso. Depois vejo “O que abre e o que fecha neste feriado”: clubes, grandes supermercados, algumas farmácias, etc (como nos anos anteriores). Depois vejo o noticiário esportivo, página social. Por último, as manchetes políticas e policiais. Nada acrescentou a mim. Dobro o jornal com cuidado, passo em volta a mesma borrachinha e o deixo sobre a mesa pra minha mulher ver logo que acordar, para eu não correr maiores riscos de ela não o encontrar e se vingar de mim. Lembro-me que preciso comprar algumas coisas para o escritório e me levanto pra sair de casa. Sento-me de novo, pois me lembro que este tipo de comércio está fechado. Penso em ir ao mercado comprar alguma coisa e me distrair, mas me lembro do chato do meu médico me mandando perder vinte quilos. Resolvo ir ao clube, mas me lembro de que vou encontrar umas pessoas de sempre sentadas à mesa a tomar cerveja e a comer petiscos. Sei que eles vão insistir para que eu me sente com eles e eu não vou resistir. Lembro-me de novo do chato do meu médico. Desisto. Volto a ligar o rádio. Continua aquele mesmo programa, agora o debate está bem acalorado. Mas continuo sem saber se acredito neles. Decido desligar o rádio. Vou andar um pouco pelas ruas. Saio. Caminho por uma rua,  dobro a esquina, ando em outra e em outra rua. Tá tudo parado. Parece que não mora ninguém nesta cidade. É certo que passam por mim alguns carros, mas quem os dirige não me conhece, nem eu conheço quem os dirige. Bate em mim uma depressão. Resolvo voltar pra casa. Não sei quem inventou o feriado, mas acho que esta pessoa deveria ser condenada a ficar de feriado a vida toda.   

 

 

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