Fila de Supermercado - por Delanie Velazquez

Fila de Supermercado - por Delanie Velazquez

Fila de Supermercado

 

O que a gente não faz para satisfazer um desejo, cumprir uma meta gastronômica...

Pois é, lá estava eu, na véspera do Natal, em uma longa fila, esperando minha vez de entregar dinheiro àquele supermercado e, em troca, levar para casa os quatro deliciosos itens da cestinha de compras.

Foram cerca de 40 minutos de espera, tempo suficiente para bater papo com alguns companheiros de fila que, assim como eu, tinham em sua cestinha (quando tiveram a sorte de conseguir uma) apenas 3 ou 4 itens e se perguntavam o motivo pelo qual aquele supermercado levara à mais completa extinção as filas para pequenas compras. Os primeiros da fila tinham carrinhos abarrotados de gêneros alimentícios, entre eles o corpo embalado, outrora congelado, de um peru, que deixou um rastro de líquido por onde passou.

A minha frente estava um casal que passava pela imensa dificuldade de segurar nos braços pacotes de massas, um frasco de óleo vegetal, um vidro de azeite de oliva, dois frascos de detergente líquido e outras coisas mais. Para piorar, a mulher decidiu entregar ao marido os itens que ela segurava, pois precisava sair para resolver algo lá fora. Foi nesse momento que percebi o problema deles e me ofereci para compartilhar a cesta que eu levava comigo. Acomodamos os itens ali e eles, o casal, ficaram muito agradecidos. Cesta e carrinho de compras eram artigos raros naquele momento. Estavam todos ocupados.

Seguimos conversando. Ele falou que tinha cachorros em casa e eu, é claro, não pude deixar de falar do Tigrinho e das Princesas. Estávamos rodeados por enormes prateleiras com sacos de ração e o assunto não podia ser outro, senão, qual a ração que o animal gosta e a que lhe dá diarreia, etc.

Contudo, o melhor ainda estava por vir. O clímax de minha permanência naquele supermercado aconteceu quando cheguei bem próximo ao caixa e me deparei com as prateleiras de salgadinhos, batatinhas, biscoitinhos e outras coisinhas assim, estrategicamente arranjadas naquele local.

Já estava esperando na fila, de pé, há mais de 30 minutos e conclui que o melhor a fazer, como passatempo, era ler os rótulos das embalagens dos salgadinhos, pois imaginei que seria muito instrutivo, como, de fato, o foi.

A quantidade de realçadores de sabor, aromatizantes, corantes e antiumectantes me chamou muito a atenção, mas não como os dizeres de que o referido salgadinho continha “25% menos de sódio e gordura, contribuindo, assim, para uma alimentação mais equilibrada”. E para corroborar estes dizeres, havia a figura de um bonito girassol, acompanhada da informação de que aquele alimento, se é que posso chamá-lo assim, havia sido feito com óleo de girassol.

Encontrei também um biscoito wafer reacheado, coberto com chocolate, “Extra Creamy” e “Extra Crispy” (alguém aí pode me explicar o que é isso?).

Fiquei perguntando para mim mesma como foi que, tempos atrás (no século passado), eu conseguia comer e saborear essas invenções humanas com cara de alimento...

Tudo isso aconteceu comigo enquanto eu esperava na fila daquele supermercado, na véspera do último Natal.

 

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