Fugindo da Realidade - Marcio Muniz

Fugindo da Realidade - Marcio Muniz

FUGINDO DA REALIDADE

 

   O poeta estava ali caído, com o álcool no seu sangue, mais do que isto, estava embriagado de sua lucidez, embriagado de si mesmo. Por várias vezes já estivera antes assim, jogado e largado no meio de suas próprias palavras, perdido de seus caminhos. Talvez ele quisesse tão somente chamar para si um pouco da atenção de todos, talvez tenha escolhido para isso algo não muito ortodoxo, mas no fundo, até foi bom porque pôde provar para ele e para todos que ninguém (nem ele) é tão bom ou perfeito assim como imaginam.A leitura tendo em vista a apreciação das palavras funciona de duas formas na cabeça do indivíduo: Ou torna ele culto e com bom vocabulário ou lhe atinge o coração fazendo-o amolecer.Se alguém que fosse, um dia, parasse para ler o que se escreveu aqui, certamente acharia tolo este tal poeta ao demonstrar seus sentimentos tão abertamente, talvez fosse este um risco mortal, expor a tamanhas flechadas o próprio coração, mas nenhuma flecha dói mais nele do que aquela que Poe vezes nem o acerta, mas acerta, porém outro por culpa sua.Talvez o sofrimento que ele carregue consigo seria maior se fosse imposto a uma outra pessoa por causa dele.Às vezes a gente pensa que não é tão difícil cumprir uma missão (provação) que nos é imposta, principalmente quando nos preparamos por tanto tempo.Talvez na sua bebedeira, o poeta de estado incerto tenha descoberto que não está preparado para amar, e se a sua vida é quase que um todo amor, o que ainda haverá nela para faze-lo feliz?

   Ontem à noite perguntaram-me pela volta e eu fiquei sem saber como dizer, dentro de mim, agora pensando melhor, faço desta volta uma alusão ao girar do mundo; Se a terra em sua imensa vastidão e gloriosidade faz um dia durar uma volta lembre-se de que sempre haverá para ela mais uma volta, mas jamais haverá novamente um dia como aquele que passou.

   Dor e felicidade se confundem em nossa caminhada, mas nunca acontecerá em nossas vidas dor ou felicidade iguais as de outros momentos, com você que por sinônimo posso chamar inspiração, encontrei a dor como a que hoje vivo e até gosto dela, pois traz a tona a minha vocação poética, porém sinceramente tive lampejos de felicidade como nos poucos instantes em que pensei ser para ti alguém especial.

   Depois da noite de ontem em que bêbado deixei morrer um pedacinho de mim, só posso estar em meu quarto acompanhado somente pelo silêncio da madrugada e me arrependendo com lamentações sem uma voz que pudesse mostrar ao mundo quem sou e o que sinto. Poetas são tristes e solitários, pois carregam nos ombros a responsabilidade de dar à vida de todos os normais um pouco de sentimentos que eles querem somente ver somente na ficção, eu representante desta classe me recolho ao canto de sonhos e devaneios fantasiando a vida como eu queria que esta fosse e imaginando meu mundo de “ses”.

 

Em 05/05/96

 

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