Fungindo da Realidade II - Márcio Muniz

Fungindo da Realidade II - Márcio Muniz

FUGINDO DA REALIDADE II

 

   Cá está o poeta novamente, que depois do frio da madrugada se deitou a chorar abraçado ao travesseiro próximo, o tic-tac do relógio representou na sua cabeça uma balada triste da angústia da noite passada.Uma vontade de morrer, ou melhor, de matar-se, que aflingia-lhe o peito, mas esbarrava em sua frágil coragem, suas palavras faziam menção a um pedido de ajuda, (seu ou dele quem sabe?) simplesmente ele parecia preso no meio de um rodamoinho tentando chegar a você.

   Mas a noite logo termina, parece morrer no afã da chegada do dia, parece render-se ao feliz e discreto sorriso da chegada do sol. Os sonhos e as desilusões do poeta ficam em parte escondidas nas sombras da noite que passou, ele ainda não desperto, caminha, chega ao fim da estrada, ao pé da montanha e só lhe resta olhar para o topo dela e começar uma nova escalada.Ao adentrar aos caminhos da montanha descobre que ela é tal qual sua vida; um desafio, um recomeço, no meio dela os obstáculos a ser vencidos contrastando às belezas poéticas do caminho.Os suaves contornos da montanha me fazem lembrar de quando passeava pelas curvas do teu corpo, e os pequenos riachos que só me molharam os pés lembraram-me do rio de lágrimas que chorei da falta de ti.

   De repente é tudo distante e nos imaginamos fazendo parte de um filme, uma canção parece trilha sonora e há ocasiões em que fantasiamos nossa vida como uma cena em que alguém vai assistir e ajudar-nos, notamos o quão somos pequenos ao cair de nosso cavalo e nos jogarmos por debaixo dele, percebemos que o topo da montanha está lá sempre e nós é que caímos de lá às vezes, a lua se esconde certas noites enquanto outras ela volta para iluminar nossa escuridão. Mas aquele que todos deram a alcunha de poeta deu Aresta às suas palavras, lapidou o seu coração e lutou para chegar ao cume da montanha, chegando lá se vislumbrou a beleza infinita e o topo era tão alto que erguendo os braços dava quase para tocar o céu.Dali avistava-se o mar e a planície verde, as pessoas se movendo devagar, todas pareciam sem pressa, dava para ver quase tudo, era uma paisagem quase tão bela quanto à visão do teu rosto, só não possuía nem dava para ver o brilho dos teus olhos, o que para ele partiu em pedaços o seu coração.Notou no horizonte por trás daquela montanha uma outra ainda mais alta e provavelmente por de trás daquela haveria uma outra ainda mais alta, uma vez mais caiu de si, pois viu que jamais chegaria ao topo absoluto se você não estivesse ali presente incentivando-o sempre a alçar um vôo ainda mais alto, percebeu que sem você ele continuava de pé, porém se caísse não mais iria poder se erguer.

 

Em 07/05/96

 

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