Garçom, mais uma dose de esperança, por favor - por Emerson César

Garçom, mais uma dose de esperança, por favor - por Emerson César

GARÇOM, MAIS UMA DOSE DE ESPERANÇA, POR FAVOR.

 

Admito: quando o resultado das últimas eleições apontou a vitória de Dilma Rousseff, eu encarei o horizonte com esperança e sorri. Mas quando as urnas também anunciaram a bancada mais conservadora e reacionária do Congresso Federal desde o Golpe de 64, eu franzi a testa e pedi mais uma dose ao dono do bar.

 

Já dizia o velho ditado, uma andorinha só não faz verão, tal como um presidente sem maioria no Congresso não faz coisa alguma. Esperávamos que Dilma e o PT possuíssem uma base aliada no legislativo suficientemente ampla e leal para manter os avanços conquistados e alcançar outros ainda mais urgentes e necessários, como a reforma política e a democratização da mídia. Mas seus aliados, como se vê, não são tão aliados assim. Convenhamos: nunca foram. Agora a meretriz-beata encarnada na figura de Eduardo Cunha, assume, na prática, a Presidência do Brasil e leva consigo o PMDB, partido oficialmente campeão em nº de corruptos e hipócritas, ao patamar de legenda mais influente na nossa política. Esqueça as eleições, há algo por trás do trono maior que o próprio rei.

 

Mediante um interminável ciclo de chantagens associado a eficaz articulação de alianças paralelas com partidos, políticos e órgãos de imprensa cuja honestidade e boa fé dispensam explicações, o PMDB de Eduardo Cunha e seus consorciados dentro e fora do Congresso fizeram aquilo que Aécio ou Marina não tiveram competência para fazer: vencer as eleições. Não por acaso, nem a Câmara dos Deputados e nem o Senado Federal apoiam os gritos de “impítima” e/ou golpe militar vindo das ruas, varandas e sacadas, pois de fato e de direito, eles não precisaram derrubar Dilma para lhe tomar o poder.

 

O Governo/PT, por sua vez, ao ser sucessivamente chantageado, enganado e derrotado pelo seu principal “aliado”, faz justamente o quê para sair da crise? O quê? O quê, Cristo!!! Dá mais poder ao PMDB! E por alguma razão misteriosa, talvez ainda se surpreenda ao ver seus projetos de reforma política barrados na Câmara/Senado, enquanto projetos de lei nefastos como a PL4330/04 que amplia a terceirização do trabalho e rasga a CLT são aprovados da noite para o dia. Apenas o PT, o PSOL e o PCdoB votaram contra o projeto e, ao lado dos trabalhadores brasileiros, amargaram uma inglória, porém previsível derrota. É bem verdade que Dilma certamente irá vetar o projeto, mas a lei também assegura ao Congresso a possibilidade de derrubar seu veto. Cedo ou tarde, nós iremos perder.

 

Assim como perderemos quando o projeto de lei que reduz a maioridade penal for aprovado da forma como está apresentado. Assim como perderemos quando Cunha e Calheiros se empenharem na aprovação do seu próprio projeto de reforma política, que pretende corromper ainda mais nosso pestilento sistema político, dando ainda mais poder aos corruptos e influência às empresas e corporações que continuarão a lhes financiar e, obviamente, controlar. Nossa frágil democracia ainda será “democraticamente” golpeada muitas e muitas vezes, dentro e fora do Congresso, como prometem os corvos do Movimento Brasil Livre, as viúvas da ditadura e os protagonistas incubados, ainda ocultos, do Partido Novo. Esqueça Aécio Neves e o PSDB, pois não passam de meros coadjuvantes na nova trama politica que se descortina. No horizonte, nuvens negras se aproximam. Vêm se juntar as nuvens negras que já pairam sobre nossas cabeças.

Peço ao dono do bar mais uma dose e enquanto a realidade queima garganta abaixo, procuro no fundo do copo uma esperança na qual me agarrar. Entre uma azeitona e outra, penso que o tempo da conciliação e das medonhas alianças em prol da governabilidade finalmente desceu pelo ralo junto com meu vômito. O inimigo a quem apertava as mãos e sorria em aliança agora é mais forte que você e sabe disso. Favores e promessas não mais manterão sob controle antagonistas e antagonismos crônicos. É hora de reconhecer os inimigos como inimigos, pois eles já não se dão ao trabalho de empunhar suas máscaras. Eles sacaram suas armas e foram, ao menos agora, honestos com o povo brasileiro.

 

Por fim, é hora do PT tomar de volta o osso para si. É hora do PT recorrer aos únicos que ideologicamente e verdadeiramente podem ser seus aliados. É preciso e urgente, se reconciliar com os partidos e movimentos de esquerda e com eles reconstruir sua força no Congresso a fim de retomar o poder que democraticamente conquistou nas urnas. É tempo de refazer o pacto com os movimentos sociais, com os trabalhadores e com as minorias, só assim as ruas e os corações dos brasileiros serão reconquistados. Mas se enganam, ou continuam a se enganar, quem do partido ou de fora dele ainda acredita que a velha estratégia da conciliação e concessão fará retornar as glórias do primeiro governo Lula/PT. Ou o Partido dos Trabalhadores entra definitivamente na guerra, ou será engolido por ela junto com o Brasil.

 

Garçom, mais uma dose, por favor.

 

Fonte e imagem: http://dragaourbano.com.br/garcom-mais-uma-dose-de-esperanca-por-favor/

 

 

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