Geraldo Ferraz - Entrevistado

Geraldo Ferraz - Entrevistado

por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Natural do Recife–PE. Nascido aos 30 de dezembro de 1955. Primogênito do casal Geraldo Ferraz de Sá Torres (falecido) e Maria José de Holanda Torres. Viveu em várias cidades pernambucanas, entre elas, Triunfo, Taquaritinga e Gravatá. Artista plástico, com diversas exposições (individuais e coletivas), Administrador de Empresas e, atualmente, aposentado da Prefeitura do Recife. Casado com a Sra. Rosane de Oliveira Ferraz Torres, com quem tem duas filhas: Ana Paula de Oliveira Ferraz Torres e Monique de Oliveira Ferraz Torres. Faz parte do Centro de Estudos de História Municipal – CEHM (1984). É sócio fundador das instituições "Amigos do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano", do Núcleo Pernambucano de História – UBE/PE, e da Sociedade dos amigos da Briosa – SABRI (2010). Membro das seguintes associações: Instituto Cultural Gravataense, Gravatá – PE (2006); Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC, Mossoró – RN (2005); da União Brasileira de Escritores - UBE - Secção Pernambuco, Recife – PE (2001); União Nacional de Estudos Históricos e Sociais - UNEHS, São Paulo (2008); Academia Serra-Talhadense de Letras – Serra Talhada - PE, na qualidade de correspondente (2006); da Academia de Letras e Artes de Gravatá - ALAG, Cadeira nº 09, Gravatá – PE (2009); e Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE, Cadeira nº 29, Recife – PE (2010).

 

“O que me chama mais a atenção, na história do cangaceirismo, é o fenômeno do Ciclo do Cangaço se configurar, sem a menor sombra de dúvidas, como um dos mais intrigantes e intranquilos da história do povo nordestino, ocorrido, com maior destaque, do final do Século XIX para as três primeiras décadas do XX.”

 

Boa Leitura!

 

Divulga Escritor - Escritor e palestrante Geraldo Ferraz, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em que momento iniciou os seus estudos e pesquisas sobre o Cangaço?

Geraldo Ferraz - Inicialmente, gostaria de declarar que o prazer é todo meu.

Meu primeiro contato com o mundo do Cangaço teve início em meados dos anos 60, do século passado. Naquela época, eu residia com os meus familiares em Gravatá-PE, deveria ter entre 11 ou 12 anos, quando recebemos a honrosa visita da professora Aglae Lima de Oliveira, pernambucana de Cabrobó. Aquela pesquisadora veio até a nossa residência com a finalidade de reunir dados e fotos que iriam compor o tema do seu trabalho sobre o Cangaço. Tempos depois ela estaria respondendo no programa de J. Silvestre, acredito que era O céu é o limite, na extinta TV Tupi, sobre a vida de Lampião, naqueles instigantes e intranquilos anos do Ciclo do Cangaço. Era o acesso inicial que teria que montar sobre as desafiadoras informações que o tema abrangia. Começava, assim, o meu “despertar” para o tipo de literatura que abracei.

Com o passar do tempo, fui forçado a procurar um centro mais desenvolvido a fim de continuar os meus estudos. Entre os anos de 1983 e 1984, sem maiores pretensões, sonhei e coloquei no papel a estrutura do que viria a ser uma pequena biografia histórica do meu avô, vivida nos distantes anos da Velha República brasileira.

O início não foi nada fácil. Como um grande e intricado quebra-cabeça, debrucei-me sobre os fatos e dei início ao longo e cansativo trabalho, que duraria cerca de quinze anos. Faltava bibliografia especializada e confiável, faltava, também, uma cronologia que permitisse uma sequencia lógica dos fatos históricos.

Um dos primeiros livros em que tive a oportunidade de compulsar, sobre a temática, foi Guerreiros do Sol, valiosa obra do pesquisador Frederico Pernambucano de Mello.

No ano de 1984, procurei no Centro de Estudos de História Municipal, os parentes e escritores, Carlos Antônio de Souza Ferraz e Luiz Wilson de Sá Ferraz, associados daquela entidade cultural. Na oportunidade, Carlos Ferraz alertou-me para o fato de que eu deveria preparar a cabeça, canela e munheca, pois, até então, Theophanes, devido à queda ocorrida com a quartelada de 30, encontrava-se na sarjeta da história e eu teria que ressuscitar o seu valoroso trabalho na Força Pública de Pernambuco. Estava selado o meu destino. Agora era trabalhar no complicado quebra-cabeça e me cercar de literatura à altura da minha obra.

 

Divulga Escritor - Hoje você tem vários livros publicados e ministra palestras sobre o Cangaço, o que mais chama a sua atenção na história dos “Cangaceiros”?

Geraldo Ferraz - É verdade. Só para lembrar ao público leitor, gostaria de destacá-los:

- Pernambuco no tempo do cangaço. (Antônio Silvino – Sinhô Pereira – Virgulino Ferreira “Lampião”). Theophanes Ferraz Torres um bravo militar. 1894/1933 (02 volumes)

- Theophanes Ferraz Torres, um Herói Militar na Cavalaria de Pernambuco.

- Dé Araújo. Um cangaceiro afamado, um soldado célebre.

- Theophanes Ferraz Torres. O centenário da prisão do cangaceiro Antônio Silvino e o júri do século.

O que me chama mais a atenção, na história do cangaceirismo, é o fenômeno do Ciclo do Cangaço se configurar, sem a menor sombra de dúvidas, como um dos mais intrigantes e intranquilos da história do povo nordestino, ocorrido, com maior destaque, do final do Século XIX para as três primeiras décadas do XX. O objetivo de resgatar a historiografia do cangaço na região nordeste, uma história tão nossa, é a minha temática exclusiva, assim como dos estudiosos que formam o Cariri Cangaço (grupo que se reúne na região do Cariri Cearense), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (com sede em Mossoró/RN), Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará – GECC, e do Grupo de Estudos do Cangaço na Paraíba.

 

Divulga Escritor - Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus livros sobre o Cangaço?

Geraldo Ferraz - O Ciclo do Cangaço, como gosto de avocar, é uma poderosa mina de ouro, sempre aberta às pesquisas, daí estarmos, sempre, tomando conhecimento de fatos novos e relevantes da nossa rica história, em busca do cobiçado filão dourado. Veja o exemplo do fantástico projeto Cariri Cangaço, do qual tenho a honra de ser Conselheiro. A cada edição que participamos, descortinam-se fatos novos e somos surpreendidos por uma avalanche de informações. Precisamos, com a máxima brevidade, atravessarmos o além-mar e destacarmos ao mundo, também, nossa tão rica cultura histórica.

A temática apresentada traduz toda uma pujança da necessidade de mostrarmos ao mundo a riqueza da saga histórica do nosso sofrido povo no final do Século XIX e nas três primeiras décadas do Século XX.

 

Divulga Escritor -  Os temas que você aborda em seus livros são os mesmos abordados em suas palestras?

Geraldo Ferraz - Na sua quase totalidade, sim!

 

Divulga Escritor - Como surgiu o gosto pela pintura?

Geraldo Ferraz - Iniciei meus primeiros contatos no ano de 1991. Naquela oportunidade estava acompanhado da minha filha Ana Paula, na época com 08 anos, para participarmos de um curso de pintura que era ministrado no Forte do Brum, pelo professor Fran Marques. Seria uma ótima oportunidade para despertar o talento para o desenho que ela demonstrava. Quanto a mim, o gosto pelo desenho já vinha sendo desenvolvido desde minha infância. Durante uma década, participei de várias exposições individuais e coletivas. Com o advento da literatura, na minha vida, suspendi, temporariamente, os pinceis e fechei os tubos de tinta. Agora aposentado, espero retornar a este delicioso hobby em breve.

 

Divulga Escritor - Quem desejar contrata-lo para palestras ou comprar os seus livros, pinturas, como deve proceder?

Geraldo Ferraz - Através do e-mail: geraldoferraz@uol.com.br

Site para mais informações:

www.geraldoferraz.net.br

 

Divulga Escritor - Conte-nos sobre o seu projeto “Quartas às Quatro” qual o objetivo, público-alvo, como participar?

Geraldo Ferraz - Na realidade o programa Quartas às Quatro, é criação do poeta Vital Correa de Araújo, no mês de março do ano de 2003, quando iniciava a sua primeira presidência à frente da União Brasileira de Escritores. Um programa que resgatou a efervescência cultural em nosso Estado, no Século XXI, e do qual participo desde o início. A partir do mês de outubro, daquele mesmo ano, iniciei a coordenação deste poderoso sarau literário e, nesta primeira década de incansáveis atividades, o mesmo vem sendo desenvolvido com temáticas livres, escolhidas pelos próprios palestrantes e contempla, entre outras coisas: declamações de poemas; ensaios; apresentações de números musicais, de teatro e contos, que encantam uma plateia bastante heterogênea, composta por uma média de cinquenta pessoas – na faixa dos 08 aos 88 anos –, entre elas: acadêmicos, escritores, historiadores, pesquisadores, poetas, cineastas, músicos, cordelistas, pessoal de artes dramáticas, e diversos curiosos. Destaque-se para o fato de que o programa, denominado de UBE–Terapia, O aconchego da cultura pernambucana, dentre outros, é franqueado para todas as pessoas, não se fazendo necessário ser sócio da União Brasileira de Escritores, revelando-se, desta forma, um excelente laboratório cultural da nossa região.

 

Divulga Escritor - Você hoje é articulista e participa de vários projetos literários, que dicas você dá a quem deseja seguir carreira literária?

Geraldo Ferraz - Ter amor pela leitura e pelos livros. Estes são, a meu ver, os ingredientes fundamentais para se alcançar o sucesso.

 

Divulga Escritor -  Quais os principais objetivos do escritor e palestrante Geraldo Ferraz?

Geraldo Ferraz - Divulgar para o mundo os fatos e feitos de pequenos e grandes personagens do universo do Ciclo histórico do Cangaço.

 

Divulga Escritor - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor e palestrante Geraldo Ferraz, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Geraldo Ferraz - A concretização de transcrever uma história séria e divulgá-la para o Brasil e para o mundo é o ápice que um escritor deve almejar em seu trabalho. O reconhecimento, por parte dos leitores, muitas vezes tardio, sempre virá para nossa completa realização profissional.

Gostaria de finalizar esta agradável entrevista, recorrendo ao seu público leitor, para que mantenham acesa a chama da literatura pernambucana e, por consequência, a fantástica literatura brasileira.

 

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