Guerra dos Insetos - por Silva Neto

Guerra dos Insetos - por Silva Neto

 Guerra Dos Insetos

João Bezerra da Silva Neto

 

Tudo começou quando deitado sob um pé de jatobá admirava a Natureza.

Início de tarde ao descansar do almoço, sentia o quanto a criação era bela à sombra daquela frondosa árvore. Um verdadeiro ninhal estendia-se por não mais que quarenta metros quadrados, sobre mim. Um imenso viveiro de aves coloridas e insetos povoavam a copa, o tronco e a folhagem seca caída pelo vento. Quem nunca viveu experiência semelhante não pode ter consciência da Natureza imensa e bela. Não simplesmente olhar de baixo para cima de uma árvore, mas, deitar-se de papo pro ar, fechar os olhos e sentir tudo ao redor vivo e buliçoso. Assim o fiz. O som do farfalhar do vento na copa da árvore em ritmo intermitente; seus galhos a balouçar rangendo ao toque de um ao outro; o chilrear dos pássaros em acasalamento; a cantata das cigarras em baladas rítmicas e melodiosas; o sobe e desce das saúvas ao tronco da árvore a transportar folhas para suas tocas; o trapézio das aranhas tecendo suas teias a captura de insetos; ocas de cupins e casas de marimbondos dependuradas. Ao solo úmido, sob a estufa da folhagem, toda sorte de formigas, insetos e microrganismos imperceptíveis... Estava ali, tentando harmonizar e interagir com aqueles irmãozinhos cognomináveis observando seus feitos e suas razões de existirem.

Não esperava por isso!... Uma “joaninha”, de não sei de onde, cai sobre mim, percorre meu corpo alojando-se aos pelos de meu peito. Eu estava de papo pro ar, como havia dito, sem camisa. Tentei não me incomodar com sua presença, mesmo porque ela roçava suas patas suavemente em minha pele, e, ao que parece, gostava da quentura do meu corpo. Não demorou muito, uma aranha equilibrista desce à tirolesa, capturando-a, sem ao menos pedir licença. Um “louva a Deus” se aproxima esguio e imponente, peito estufado, punhos cerrados, como a me convidar para um duelo. Logo entendi que entre os insetos a ciumeira era geral. Ele tentava me insultar chamando-me para um MMA. Mas, pelo seu perfil, estava mais para boxeador que para UFC. Recusei de pronto o convite!  Formiguinhas e formigões começavam a me incomodar. Subiam pelas pernas da calça, pelos braços, invadindo meu tórax sem qualquer pudor. Eu permanecia imóvel até onde poderia suportar, mesmo porque, àquela altura, não havia tomado picada ou mordida alguma. Todavia, a onda de faquir logo acabaria. Foi quando uma onda de percevejos invadiu meu corpo, exalando aquele mau cheiro característico, o suficiente para desistir daquela contemplação à Natureza.  Ao fazer um movimento brusco para levantar-me, as formigas atacaram-me de uma só vez. Grilos e gafanhotos pulavam! Pulavam! Emitindo zunidos, ao vibrarem com aquela situação cômica. As borboletas batiam palmas com suas belas asas coloridas, alertando-me do perigo iminente que corria. Eram os marimbondos a acercarem-se de mim emitindo zumbidos aos meus ouvidos convidando-me para correr. Assim seria melhor ou mais divertido para eles atacarem em bandos. Aceitei de pronto o convite!

O final dessa história fica a cargo do leitor amigo.

Imaginem! Tudo por conta de uma bela e meiga joaninha!

 

E-mail: joao.digicon@gmail.com

 

 

 

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