Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti - por Eduardo Garcia

Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti - por Eduardo Garcia

Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti

 

Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti, poeta/escritor pernambucano, é natural da cidade da Pedra/PE. Tem quatro livros de poesias publicados: Cúmplices, pela CEPE (1993), Assim se Fez, pela CEPE (2002), O Recanto Sagrado da Luz, pela Sal da Terra (2008) e Guardados, pela Livro Pronto (2010); livros em prosa: Meu Pai e Outros Contos (2012), O Colecionador de Cavalos (romance - 2013), Paisagens da Janela (contos - 2014), De Onde se Pode ver o Invisível (contos – 2015) todos pela LP-Books, e História de Esquecimento (contos – 2016), pela Benfazeja. Participou das duas últimas seletas da LP-BOOKS, 2012. É membro da União Brasileira de Escritores/PE

 

 

À NOITE


A noite esconde um barulho
Medroso, quase homem
Escondido no embrulho da fala
                                        Papel de seda
Com aroma de desejo
Animal sem pele
Grito sem som
Gemido escondido nas paredes
                                         Dos quartos
(como se não houvesse)

Na noite se esconde um
Barulho infantil, que pula
                                  Na sala,
Liberdade sem cerca;
Barulho sem manobra
Que exala desejo nos poros
                                   Todos
Como fogo nos gravetos
Nas secas do meu sertão;

Lá as sementes vingam e morrem
                                  (noite adentro)
                                  E florescem
Sempre filhas da noite
Em pele de animal
     Sem corar o rosto
     Sem cobrir o corpo
                         Sem medições

À noite os teatros se mostram
As máscaras correm afoitas
                                  Para o armário
(agora plateia)
Seus olhos perambulam pelas camas
                                 E se fecham
Pela sarça ardente
E descansam exaustas dos imbróglios
Dos acordos
     Dos conchavos
          Dos ditames
               Das condutas
                    Dos indultos
Dos comandos, dos contornos, dos contextos
Dos preconceitos...

Os teatros se fecham à noite:
O alívio sobe à cama
Os delírios se aninham
Os gemidos se amontoam
Os desejos se avolumam
(matreiros, quase paternos)
Os corpos se enlaçam
(biblicamente, até)
As carnes se completam
A arte se derrama em fogo brando

...À noite.

 

Inaldo, bom  no  que faz, contista, romancista e poeta, uns dos novos talentos pernambucanos que muito tem a nos oferecer, em seus projetos, publicar na versão digital.

 

Texto Pesquisa Comentários

Luis Eduardo Garcia Aguiar

Escritor – Jornalista – Diretor de Comunicação da UBE

DRT 6006/PE

 

 

 

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