Incidente em Antares - por Daniela Gebelucha

Incidente em Antares - por Daniela Gebelucha

 

Na cidade de Antares

Estrela maior que o sol

Nunca vi nada igual

Ao incidente que acontecera

Sul do Brasil, de Argentina fronteira.

A disputa pelo poder se expande

Entre famílias que aqui no Rio Grande

Eram famosas pelas estâncias

Campolargo e Vacariano

Pelas vinganças e ataques surpresos,

Sem contar,

Jogos políticos e luta por riqueza

Fizeram um marco na história

Dominantes de grande influência

Julgavam-se donos da glória. 

 

Até surgir por esses pagos

O político Getúlio Vargas

Que com um esforço voraz

Firmou um tratado de paz

Entre as famílias idolatradas.

 

Em meio a tudo isso

Temos a classe dominada

Empregados e serviçais...

Reivindicam seus direitos,

Uma greve foi celada.

 

Foi em 13 de dezembro de 1963

Ocorreu um incidente

Que vou contar pra vocês

Eram sete mortos

Sete almas celestiais

São impedidos aqui na terra

 De serem enterrados como os demais. 

 

Dona Quitéria Campolargo,

A matriarca da cidade,

Como todos sabem

Ela morreu do coração

Deixando sua riqueza e terras

À tratantes e gananciosos:

Filhas e genros impiedosos. 

 

Agora vos falo,

Do poderoso advogado

Cícero Branco!

Morreu de aneurisma cerebral

Depois do sentimental funeral

Da matriarca do povoado. 

 

João da Paz, paz!!!

Jovem inteligente e idealista

Foi preso e torturado

Por que o espanto?

Bom é uma estória comprida

Um jovem pacifista

Assassinado pela polícia,

Nossa que pranto! 

 

Entre eles Jose Ruiz

Que lhe falo com verdade

Sapateiro da cidade,

Julgado por ser comunista

Conhecido como Barcelona, o anarquista. 

 

Com piedade vos conto

Do bêbado Pudim de Cachaça,

De fato, era uma graça,

O cantor das serenatas,

Morreu envenenado, que morte ingrata!

Que triste esse passado

Foi pela sua esposa,

Mulher que vivia ao seu lado.  

 

Sem tocar mais Appassionata

O pianista diz adeus

Sozinho e incompreendido

Suicidou-se devagarinho

Cortou os pulsos de fininho

Sentia a vida que finda

Triste fim ao maestro:

Menandro Olinda.

 

E esta de que vos falo, muito usada na juventude

Depois quando já não tinha beleza e saúde

Foi desprezada pelos parceiros

Sem ter mais fama nem dinheiro

Acabou como indigente e tuberculosa

Erotildes, prostituta famosa! 

 

Os coveiros em rebelião,

Negam-se a fazer o enterro,

A fim de aumentar a pressão

Sobre patrões, políticos e fazendeiros. 

Rebelados, os sete defuntos.

Vão para o centro da cidade

Pedindo por caridade o enterro

Que é por direito. 

 

Enquanto isso não acontece,

O pânico só aumenta

O que de fato representa

O desamor, a vingança, o desordeiro,

Sem contar os ratos, urubus e o cheiro,

O tumulto só cresce! 

 

Ao meio dia em ponto, os esquifes se reúnem no coreto,

Que foi utilizado como palanque,

Começam a contar os podres e os desafetos

Desde os políticos e morais

Até os devaneios sexuais

Que afetaram a cidade

Com os dizeres atordoados daquelas grandes verdades. 

 

Muitos suavam frio,

Ao ver sua personalidade revelada

Outros sentiam se mal,

Com a verdade proclamada

Como os personagens são cadáveres,

Livres de pressões sociais,

Criticam violentamente os valores amorais

Daquela sociedade mascarada!  

 

Acabou a greve,

Os mortos foram sepultados,

Não restaram dúvidas

Voltou à harmonia

Colocaram-se as máscaras

Uma sociedade e suas traças.  

 

 

Poema baseado no livro Incidente em Antares de Érico Veríssimo.

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Publicado em 15/02/2014

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